Assembleia Legislativa celebra greve de 1979

Deputada Sofia Cavedon (PT) refaz trajetória da Greve Proibida de 1979 em Grande Expediente e chama atenção para o contexto de ataque a democracia que revivemos 40 anos depois

O dia 5 de setembro de 1979 era uma quarta-feira. Também foi o primeiro dia da greve proibida dos bancários. Exatos 40 anos depois, a deputada estadual Sofia Cavedon (PT-RS) fez uma homenagem ao SindBancários e aos heróis dessa que foi uma greve que desafiou o Regime Militar e ensinou os bancários a lutar. No Plenário 20 de Setembro da Assembleia Legislativa, na tarde da quinta-feira, 5 de setembro de 2019, Sofia refez a trajetória da greve, estruturou o contexto daquele tempo fez alerta sobre um período sem democracia da nossa história e que ameaça voltar agora.

Na mesa diretora, além do presidente da Assembleia em exercício, o deputado Giuseppe Riesgo (NOVO) e do presidente do SindBancários, Everton Gimenis, figurava um dos símbolos da greve de 1979. O ex-presidente do SindBancários, deputado federal, prefeito de Porto Alegre, governador do Estado, e bancário do Banrisul, Olívio Dutra, recebeu uma justa homenagem da deputada Sofia. A diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa, o diretor de comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, e Abigail Pereira, representante do senador Paulo Paim (PT-RS) completaram a mesa.

No parlatório, Sofia Cavedon, começou o seu Grande Expediente remontando o contexto da incipiente luta por direitos humanos e melhores condições de vida de 40 anos atrás. A deputada chamou os bancários e os dirigentes do SindBancários da época de “heróis da democracia que enfrentaram a Ditadura Militar”. E lembrou da história de um operário no mesmo período em São Paulo.

O operário Santo Dias da Silva havia sido assassinado em São Paulo durante a explosão de greves de metalúrgicos um ano antes na Região do ABC. Em 1979, um movimento por moradia surgia em Canoas e desafiava a Ditadura Militar. A primeira ocupação dessa jornada de luta por teto ocorreu em 7 de setembro de 1979. O primeiro nome do território que hoje é o bairro Matias Velho, em Canoas, foi Vila Santo Dias. É por isso, disse Sofia, que o Grito dos Excluídos ocorre no 7 de setembro.

Aqui no Rio Grande do Sul, surgiu em setembro de 1979, o movimento Terras de Sepé Tiaraju, germe do nascimento do MST. Não vale o feminicídio, a guerra, o ódio, o latifúndio, o racismo. A vida vem em primeiro lugar”, discursou Sofia.

O primeiro dia da greve

A deputada lembrou que o dia 5 de setembro foi o primeiro da Greve Proibida em 1979. Ela lembrou da prisão de Olívio Dutra, presidente do SindBancários, do diretor Felipe Nogueira, da diretora Ana Santa Cruz, do dirigente Namir Bueno e trouxe a greve de 1979 para os nossos dias.

Sofia lembrou que Ana Santa Cruza é mãe do presidente da OAB de São Paulo, Felipe Santa Cruz, insultado pelo presidente Jair Bolsonaro, em julho. Ana Santa Cruz é mãe do presidente da OAB, esposa de Fernando Santa Cruz, morto pela Ditadura Militar (1965-1985).

Bolsonaro havia dito que sabia como Fernando morrera no Regime Militar e que podia contar para o atual presidente da OAB, Felipe. “Infelizmente, nos dias de hoje, se repete o que os bancários viveram com a greve de 1979. Tivemos um golpe em 2015. Tivemos a reforma Trabalhista e a quase aprovada reforma da Previdência. Em 2018, tivemos a prisão política de Lula”, enumerou Sofia.

Filha de advogado do Sindicato tinha oito anos na greve de 1979

O primeiro aparte veio de uma personagem da história da greve dos bancários. A deputada Luciana Genro (Psol-RS) lembrou da participação de seu pai, Tarso Genro, deputado e ex-governador, como advogado do Sindicato em 1979.

Tarso foi o primeiro advogado desde que a Ditadura Militar se instalou em 1964 a emitir um habeas corpus pedindo que os bancários presos na greve de 1979 fossem soltos. “Acompanhei a greve dos bancários com oito anos. Foi uma participação muito importante do meu pai em uma greve muito importante”, recordou Luciana.

O Grande Expediente da deputada estadual Sofia Cavedon e a história da greve de 1979 dos bancários tiveram o condão de chamar à compreensão da importância histórica do movimento até mesmo adversários políticos.

O deputado Rodrigo Lorenzon (DEM) pediu aparte para explicar que seu partido, o Democratas tem uma divergência histórica com o PT de Olívio Dutra e usou Voltaire, filósofo francês do Iluminismo, para exaltar o movimento. “O PT e o Democratas protagonizam o maior antagonismo nos últimos anos. Nas nossas diferenças, temos que encontrar as soluções. Cito Voltaire: ‘Discordo do que você disse, mas defenderei até a morte o seu direito de dizer’”, finalizou o deputado.

O deputado Pepe Vargas (PT) lembrou dos 16 dirigentes presos em todo o estado durante a greve de 1979, da ausência de dimensão histórica das gerações de agora da dificuldade que era em 1979 organizar e manter uma greve e o contexto de luta pela anistia que se desenhava há 40 anos. “Fazer a greve era um tabu. As gerações de hoje não têm a dimensão da dificuldade. Em 1979, eu estava entrando na faculdade [Pepe é formado em Medicina] e começávamos a criar a UNE [União Nacional dos Estudantes]. A greve sofreu uma pressão absurda do Regime Militar”, salientou Pepe.

Para o deputado Elton Weber (PSB), a greve dos bancários era legítima em 1979. “Quando se faz uma greve, havia um motivo para fazer. Havia um motivo que era a valorização dos trabalhadores bancários”, assinalou.

Assista pelo facebook à íntegra do Grande Expediente da deputada Sofia Cavedon.

Fonte: Imprensa SindBancários

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