Assembleia de bancários decide por unanimidade participar da greve geral de 28 de abril e agenda de mobilização

Uma assembleia motivada e participativa decidiu por unanimidade na noite da terça-feira, 18/4, no auditório da Casa dos Bancários, participar da greve geral de 28 de abril, chamada pelas centrais sindicais. Os bancários definiram também um calendário de mobilização e luta e marcaram uma assembleia organizativa para 27 de abril, a partir das 18h30, no mesmo local. A greve geral é uma resposta aos ataques aos direitos dos trabalhadores que o governo de Michel Temer (PMDB) tem operado em conluio com a Câmara dos Deputados.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, explicou que a participação dos bancários é fundamental  no dia 28. Isso porque os bancários já são alvo das reformas justificadas como modernizadoras das relações de trabalho. A aprovação da terceirização, o substitutivo da Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência não ameaçam somente as conquistas dos bancários, mas vão causar desemprego. Gimenis contou que uma reunião, há duas semanas, em São Paulo, no Comando Nacional dos Bancários, acrescentou duas outras pautas àquelas que devem mobilizar os trabalhadores a participarem ativamente.

“O consenso dessa reunião é que os bancários devem fazer um grande esforço para participar, porque, além dos ataques dos golpistas nos nossos direitos, temos a questão do emprego e o ataque aos bancos públicos. A perspectiva é de redução da nossa categoria com as reestruturações nos bancos públicos e o banco do futuro. Com a terceirização, haverá perda de postos de trabalho. Isso até já está acontecendo. Os banqueiros de bancos privados não vão querer contratar trabalhadores com direito a PLR, vales e todas as nossas conquistas. Nos bancos públicos não vai ser diferente”, analisou Gimenis.

A tríade do mal formada pela terceirização, reforma da previdência e reforma trabalhista constitui um conjunto de ataques histórico e que precisam de uma resposta firme dos trabalhadores. “A Reforma Trabalhista é perversa porque chega num momento em que precisamos voltar a lutar pela preservação dos empregos. O negociado sobre o legislado impõe que as negociações com os patrões possam até mesmo acabar com 13º e férias. O trabalhador desempregado fica com medo de lutar e aceita trocar direitos pela manutenção do seu emprego”, explicou Gimenis.

Por outro lado, Gimenis exaltou o momento oportuno da greve geral para pressionar o governo Temer e o Congresso Nacional a recuar nas reformas. “O negociado sobre o legislado permite que os bancos contratem temporários nos períodos da nossa greve. Isso é para enfraquecer o nosso movimento. Participar da greve e dos atos no dia 28 de abril é fundamental. O governo Temer não tem popularidade e já vimos que pressão na Câmara dos Deputados faz eles recuarem”, acrescentou Gimens, referindo-se à ocupação da Câmara dos Deputados em Brasília, no mesmo dia da assembleia e que fez os deputados recuarem na proposta de Reforma da Previdência, reduzindo, por exemplo, o tempo de trabalho para aposentadoria integral de 49 anos para 40 anos.

Agenda da mobilização

O diretor de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, informou sobre a disposição e unidade de todas as centrais sindicais de mobilizarem trabalhadores de suas bases a participarem da greve geral. “A greve geral só cresce. Ela poderá ser um grande divisor de águas. Os golpistas querem aprovar todos esses ataques até junho. Por isso essa greve é muito importante. O judiciário só vai tomar uma medida, como julgar a terceirização inconstitucional, se tiver pressão”, explicou Ademir.

O diretor da CUT-RS disse que as centrais acordaram uma agenda de mobilização que envolve panfletagens nos espaços de maior circulação populacional, espalhar outdoors pela Região Metropolitana e ações no dia da greve, tendo até configurado um Comando da Greve Geral que se reúne diariamente. “Está nas nossas mãos fazer uma grande greve geral e convencer cada colega para a gente virar este jogo”, acrescentou Ademir.

Providências legais

O Sindicato tomou todas as providências legais para garantir a participação dos bancários e das bancárias na greve geral de 28 de abril. A Fetrafi-RS publicou o edital de chamada de assembleia em jornal de grande circulação, assim como o SindBancários em seus meios eletrônicos e impressos. Nenhum bancário pode ser constrangido a trabalhar, sobretudo se houver dificuldades de transporte no dia da mobilização. Os bancários também estão legalmente protegidos quanto à caracterização da eventual falta. Não se trata de falta injustificada, portanto eventual ausência ou não marcação de presença no ponto não podem repercutir na carreira dos bancários de bancos públicos e privados. Ao longo da próxima semana, o Sindicato continuará fornecendo informações para os bancários sobre agendas de mobilização e direito de participação na GREVE GERAL.

Calendário de mobilização da GREVE geral

Na Esquina Democrática: Até o dia 28 de abril, dia da greve geral, as centrais sindicais manterão barracas na Esquina Democrática em Porto Alegre, para panfletagem e mobilização da população. Quem puder participar é só aparecer e se identificar.

Quinta-feira, 20/4: Panfletagem na Rodoviária de Porto Alegre de informativo unificado das centrais sindicais durante todo o dia, para aproveitar o movimento de saída dos trabalhadores para o feriado de Tiradentes.

Domingo, 23/4: Mateada no Parque da Redenção em Porto Alegre, a partir das 10h,  junto ao Monumento do Expedicionário, para  panfletagem e corpo-a-corpo com trabalhadores para motivar a participação na greve geral.

Quinta-feira, 27/4: Assembleia Organizativa dos bancários, a partir das 18h30, no auditório da Casa dos Bancários (Rua General Câmara, 424, Centro Histórico de Porto Alegre). Vamos organizar a nossa participação na GREVE GERAL.

Sexta-feira, 28/4: GREVE GERAL NACIONAL em defesa dos nossos direitos e contra a Reforma da Previdência, Trabalhista, terceirização e o golpe nos nossos direitos.

Crédito fotos: Anselmo Cunha

Fonte: Imprensa SindBancários

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