As mortes de quem não se vacina no RS

Desde setembro, 99% dos mortos por Covid entre 18 e 39 anos no RS não tomaram 2ª dose

Sul21 – O Rio Grande do Sul tem atualmente 968 mil pessoas com a segunda dose da vacina contra a covid-19 em atraso. O número representa pouco mais de 10% da população gaúcha vacinável (acima de 12 anos), estimada pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) em 8,8 milhões de residentes no Estado.

Desse total, 715 mil se encontram na faixa etária até os 39 anos. A pior situação ocorre entre os adultos jovens, de 18 a 29 anos, com 670 mil que receberam a primeira dose da vacina contra o coronavírus, mas não retornaram para a segunda dose.

O maior atraso ocorre com pessoas que precisam tomar a segunda dose da Pfizer, com 483.968 vacinas atrasadas, seguida pela AstraZeneca, com 345.358, e CoronaVac, com 138.907 segundas doses ainda não aplicadas.

Tani Ranieri, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica, do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), ressalta que as vacinas são o modo mais efetivo de controle da pandemia do novo coronavírus, desde que haja alta cobertura e esquema vacinal completo. E esse tem sido o problema. Entre os adultos jovens (18 a 29 anos) metade não retornou aos postos para tomar a segunda dose.

“Isso nos preocupa bastante. Uma dose só não garante a proteção, é preciso duas doses”, afirma Tani, destacando ser justamente a população jovem a que mais circula pela cidade e, assim, com grande potencial de espalhar o vírus.

A importância das duas doses está sendo comprovada na prática. Levantamento feito pela Secretaria Estadual da Saúde entre o início de setembro até o dia 5 de novembro revela que 81% das pessoas internadas entre 18 e 39 anos não tinham feito a segunda dose do imunizante. Nessa mesma faixa etária, 99% das mortes por covid-19 ocorridas no período foram de pessoas com apenas a primeira dose da vacina.

Busca ativa

A chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica avalia que o não retorno para a segunda dose tem razões diferentes em cada município gaúcho. O momento, ela explica, é de cada cidade tentar identificar onde pode estar o problema, que pode ter relação com a falta de horários ampliados nos postos de saúde, a ausência de vacinação nos finais de semana e até mesmo a influência de algum formador de opinião local com discurso contrário aos imunizantes – nessa última hipótese, ela reforça a necessidade de explicar a segurança das vacinas e dos possíveis eventos adversos previstos em bula.

“Tentar desmistificar essas informações é importante”, ressalta.

Por haver diferentes explicações, variando de município para município, Tani diz que a Secretaria Estadual da Saúde está avaliando a situação junto à Comissão Bipartite, que reúne governo estadual e municípios.

A intenção é primeiramente fazer o diagnóstico sobre quais podem ser os entraves, para depois traçar estratégias de buscar os quase um milhão de gaúchos que não voltaram para completar o esquema vacina contra a covid-19.

Foto: Cristine Rochol / PMPA

Fonte: Luciano Velleda – Sul21, com edição de Imprensa SindBancários

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