Artigo: A venda do Banrisul é um crime inominável!, por Jubelei Bacelo

"Alguns governantes preservam o que há de ruim e destroem o que gerações de trabalho de gaúchos e gaúchas construíram"

Um estado não é construído por um governo, nem mesmo por uma geração. O estado do Rio Grande é o produto de dezenas de governos e de muitas gerações, com seus erros e seus acertos. Nossa missão, e de cada governante, deveria ser a de corrigir os erros e preservar os acertos das gerações que nos precederam para entregar um Estado melhor que recebemos.

Deveria ser assim. Mas nem sempre é. Alguns governantes perseguem com cuidadosa teimosia o exato oposto: preservam o que há de ruim que receberam, como o subfinanciamento da educação e da saúde, a injustiça tributária e o arrocho do funcionalismo. Ao mesmo tempo, dedicam toda a energia de seus mandatos para destruir o que gerações de trabalho de gaúchos e gaúchas construíram.

Este tem sido o enredo macabro do Rio Grande nos últimos anos: estatais são vendidas, a crise do estado piora, os serviços se degradam e acabamos ficando mais pobres. A cada ciclo de destruição e vendas, novos argumentos são criados. “A venda resolverá a dívida”, “A estatal era deficitária e agora vamos investir em educação e saúde”, “Mudaram as normas da área”.

E não importam nem mesmo os compromissos de campanha, como provaram Britto e Leite, que depois de assumirem compromissos públicos, venderam como se não houvesse amanhã, ou honra.

É claro que nada mudou. A dívida não acabou, multiplicou-se. A saúde e a educação não receberam investimentos, pelo contrário, degradaram-se. Mas isto não significa que ninguém ganhou. Alguns ganharam e ganharam muito, como mostra a pornográfica distribuição de lucros da CEEE meses depois da privatização.

Quando chegamos ao caso do Banrisul, a incoerência vira absurdo, beirando a demência. Estamos falando aqui de uma instituição de quase 100 anos, com 5 milhões de correntistas, extremamente lucrativa, presente em todo o estado e sendo, de forma disparada, o maior banco do RS. Quais argumentos poderiam sustentar uma destruição em tão larga escala? Pois bem, nem o governante que assumiu esta posição consegue explicar.

Não pode dizer que o Banrisul é deficitário, pois o banco não só é lucrativo como repassou ao estado R$ 16 bilhões nos últimos 20 anos. Não pode recorrer a desculpas regulatórias, como fez com a Corsan, não pode usar o “super trunfo” da dívida como fizeram antes, pois anuncia um acordo que teria resolvido a questão (o que é mentira, diga-se).

Nas poucas vezes que tentou explicar o inexplicável, Leite tentou justificar sua mudança de posição por mudanças de mercado com o surgimento das FinTechs. É uma fala tão financeiramente analfabeta que constrange quem ouve e deveria constranger quem fala! É na mão de uma gente deslumbrada e desinformada deste tipo que estamos.

Como se Fintechs de serviços financeiros pessoais simplificados pudesse fazer financiamento agrícola, gerir folhas de pagamento, financiar a construção civil, gerir serviços complexos de empresas e municípios.

É de uma ignorância que deixaria Cabo Daciolo envergonhado em um debate público. Mas isto é tudo que temos como justificativa para uma privatização de um banco construído por gerações de gaúchos e gaúchas, que é um dos grandes ativos do nosso estado.

Por isso, não tenho nenhuma dúvida em dizer: a privatização do Banrisul não é um erro, é um crime gratuito, injustificável e indecente! Não pensem, senhores candidatos, que este pode ser um crime perdoado. Nunca será esquecido, nunca será perdoado.

Por tudo isso, peço atenção e consciência na hora do voto. Não daremos nenhum voto em quem votou pela retirada do plebiscito da Constituição gaúcha. Não daremos nenhum voto em quem não se compromete com o Banrisul público.

Somos milhões, vamos vencer!

*Juberlei Bacelo é Diretor de Comunicação da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi/RS).

** Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Edição: Katia Marko
Foto: Brayan Martins

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