Aprovação do tarifaço de Sartori, com uso de violência da BM, é derrota da população, diz presidente do SindBancários

A violência da Brigada Militar sobre os manifestantes que protestavam frente a Assembleia Legislativa, na terça-feira, 23/09, impediu a entrada de servidores estaduais, professores, bancários, estudantes no plenário, o que facilitou a aprovação pelos deputados do tarifaço imposto por José Ivo Sartori. Ainda assim, o aumento do ICMS de 17% para 18%, só foi aprovado após 11h de discussão no Legislativo, por 27 votos a favor e 26 contrário, já no início da madrugada desta quarta-feira.

Embora a ampliação da alíquota do imposto tenha sido aprovada – contrariando promessa de campanha do próprio governador Sartori – sua vigência ficou limitada até o final da atual gestão estadual, em 2018. “Apesar da maioria da população gaúcha ter sido derrotada com esse resultado, Sartori garantiu dinheiro para o seu governo”, afirmou Everton Gimenis, presidente do SindBancários, que participou do Dia de Protesto e contra o tarifaço.

Em várias cidades do estado, mesmo sob chuva forte, a CUT-RS, entidades sindicais como o SindBancários e movimentos sociais realizaram protestos contra o tarifaço e os projetos neoliberais do governo Sartori. Em Porto Alegre, depois de uma paralisação desde as 6h30 no entorno da Estação Rodoviária, que provocou enorme congestionamento no trânsito da cidade, os manifestantes saíram em caminhada até a Praça da Matriz. Também ocorreram manifestações em várias cidades do interior, como Santa Cruz, Pelotas, Rio Grande, São Leopoldo e Gravataí, entre outras.

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Ataque ao bolso do povo

“Num estado em recessão, com o fatiamento dos salários dos servidores, corte de políticas sociais e da máquina pública, precarizando todos os serviços essenciais, aumentar imposto é um ataque direto ao bolso já quase vazio da população”, destacou Gimenis. Ele lembrou que os bancários sofrem direto com a falta de investimentos dos serviços públicos, como na segurança, o que fez o número de ataques a bancos em todo o Rio Grande, no mês passado, ser o maior dos últimos dez anos.

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“Foi uma ação liminar do nosso Sindicato que impediu a abertura das agências enquanto a Brigada estivesse aquartelada, sem realizar o policiamento ostensivo”, disse o presidente do SindBancários. “Trabalhamos em parceria e em solidariedade também aos trabalhadores da segurança”, complementou.

Cassetete, gás e cavalaria

Mas nada disso evitou a violência da Tropa de Choque da BM sobre os manifestantes que estavam em frente ao parlamento gaúcho, até com o uso de cavalaria. Por volta das 11h30, os policiais usaram cassetetes, gás lacrimogêneo e spray de pimenta para retirar os manifestantes que protestavam em frente à porta principal, empurrando-os em direção à Praça da Matriz. Pelo menos três pessoas foram presas e vários ficaram feridos, segundo a imprensa.

“Bateram até nos professores, em quem os ensinou a ler”, lamentou um manifestante. Para o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, não se justifica o uso da força contra os trabalhadores, na sua maioria servidores públicos. “É inaceitável que a Assembleia Legislativa tenha sido novamente sitiada antes de votar projetos que prejudicam a classe trabalhadora e o povo gaúcho”.

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Acesso limitado ao plenário

A presidente do Cpers/Sindicato, Helenir Aguiar Schürer, viu a repressão do lado de dentro da Assembleia.  “O que aconteceu tem relação com o não cumprimento da liminar, que determinou o acesso irrestrito na Assembleia. A forma opressiva de policiamento e os gradis geraram esta confusão”, apontou.

O livre acesso da população à votação foi pedido ao Tribunal de Justiça pelo PT, PCdoB e Psol para tentar “restabelecer a normalidade do funcionamento da Assembleia”. O TJ deferiu parcialmente o pedido de habeas corpus preventivo protocolado pelo partido. O desembargador Francesco Conti garantiu a liberação de acesso a todos os espaços de reuniões públicas da Casa.

O presidente da Casa, deputado Edson Brum (PMDB), no entanto, ignorando a liminar, havia decidido que só acompanhariam a votação as pessoas que possuíssem senhas e, por isso, a Assembleia Legislativa pediu que a Justiça mantivesse restrito o acesso à sessão.

Fundações: vitória da sociedade

Logo após o início da sessão, pressionado por servidores e pela opinião pública, o governo entrou com pedido de retirada do regime de urgência da votação dos projetos que extinguem a Fundação de Esporte e Lazer (Fundergs) e a Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (Fepps). Para o deputado estadual Juliano Roso (PCdoB), a retirada foi uma vitória dos servidores na manutenção de órgãos importantes para o Estado.

Os 27 deputados que aprovaram o tarifaço

PMDB: Alexandre Postal, Álvaro Boécio, Gabriel Souza, Gilberto Capone, Ibsen Pinheiro, Tiago Simon, Vilmar Zanzem; PDT: Ciro Simoni, Dr. Basílio, Eduardo Loureiro, Enio Base, Gilmar Cela, Juliana Brizola, Marlon Santos, Regina Fortunati, Ernani Polo, João Fischer, Pedro Westphalen; PSDB – Adilson Troca, Pedro Pereira, Zilá Breitenbach; PSB – Catarina Paladini, Elton Weber, Liziane Bayer; PV – João Reinelli; PSD – Mario Jardel; PR – Missionário Volnei.

 Fonte: Imprensa do SindBancários com informações da CUT-RS e Sul21.

 

 

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