Apresentação de relatórios dos grupos de trabalho marca segundo dia de debates do 32º Conecef

A apresentação dos relatórios de cinco grupos de trabalho marcou, neste sábado (18), no Hotel Holiday Inn, no Parque Anhembi, em São Paulo, os debates no 32º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef). Os 352 delegados (184 mulheres e 168 homens) do evento discutiram vários temas, a partir das deliberações dos congressos estaduais e das teses inscritas. Foram aprovados itens de cinco grupos, ficando as propostas relativas ao tema da Organização do Movimento para apreciação da plenária final do 32º Conecef, que ocorreu domingo, 19/6.

“Foi um dia intenso de muitas discussões nos grupos de trabalho, garantindo voz e vez aos participantes do congresso, que aprofundaram os debates sobre importantes temas para todos os empregados da Caixa e fortaleceram ainda mais o processo democrático, que é marca registrada do Conecef”, afirmou Genésio Cardoso, da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), órgão que assessora a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) nas negociações com o banco.

“Agora, vamos realizar uma grande plenária neste domingo para definir as reivindicações específicas que serão apresentadas à direção do banco na campanha salarial 2016 e nas negociações permanentes, com unidade, luta e mobilização para conquistar ainda mais, para que possamos reforçar a Caixa como banco público e melhorar as condições de trabalho dos empregados. O momento exige muita luta e resistência, pois existe uma ameaça real para os direitos dos trabalhadores e para as empresas públicas”, salientou Fabiana Matheus, coordenadora da CEE/Caixa.

Grupo 1: Saúde do Trabalhador, condições de trabalho, Saúde Caixa e GDP

Os delegados do 32º Conecef, que participaram do Grupo 1, discutiram itens prioritários sobre os temas que serão reivindicados na campanha salarial deste ano. O grupo conseguiu avançar em questões relacionadas à saúde do trabalhador, Saúde Caixa, GDP e condições de trabalho.

Dentre as propostas debatidas e aprovadas estão o fim do programa Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) e medidas de combate ao assédio moral e sexual. Foram definidas também reivindicações que visam à adoção de políticas de prevenção voltadas para a saúde do trabalhador. Os delegados inscritos no grupo também debateram propostas em torno dos eixos de gestão, participação e melhoria no atendimento do Saúde Caixa.

“Tivemos um debate bastante produtivo, em que todos puderam colocar suas opiniões e encaminhar para definição da nossa pauta específica propostas que são extremamente importantes para os trabalhadores e trabalhadoras da Caixa”, ressaltou Sergio Amorim, coordenador da mesa e representante da base sindical do Rio de Janeiro.

Grupo 2: Funcef, aposentados e Prevhab

Funcef, Aposentados e Prevhab foram os temas debatidos no Grupo 2. Com ampla participação, as discussões se concentraram em torno de pontos que preocupam os participantes e assistidos do fundo de pensão dos empregados da Caixa, como o contencioso judicial, o fim do voto de minerva, a incorporação do REB ao Novo Plano e o projeto de lei 268/2016 pela Câmara dos Deputados, que propõe o fim da representação dos trabalhadores nos fundos de pensão, trazendo um grave retrocesso no que foi conquistado pelos participantes e assistidos com muita luta, para democratizar a gestão das instituições de previdência complementar.

Os delegados ratificaram a continuidade da mobilização pela extinção do voto de Minerva, que depende de mudança de legislação, e definiram como uma das reivindicações da campanha salarial deste ano a não utilização desse instrumento antidemocrático em todas as instâncias da Fundação.

“Tivemos algumas discussões polêmicas, mas conseguimos avançar em temas relevantes que nortearão, além da nossa minuta de reivindicações, a mobilização do movimento dos empregados em defesa da Funcef”, ressaltou o coordenador do grupo, o ex-conselheiro deliberativo da Fundação e diretor do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Antônio Luiz Fermino.

Entre as preocupações com o equilíbrio dos planos de benefícios, os associados destacaram o contencioso jurídico com ações de cunhos trabalhistas, especialmente as que tratam de CTVA, auxílio-alimentação, cesta-alimentação, abono e horas extras, e a necessidade de continuar cobrando da Caixa a responsabilidade no passivo judicial, que foi gerado pelo não cumprimento de obrigações trabalhistas por parte da patrocinadora.

Grupo 3: Segurança bancária, infraestrutura das unidades e terceirização

O debate no Grupo 3 foi em torno dos seguintes temas: segurança bancária, infraestrutura das unidades e terceirização. Sobre a infraestrutura e segurança das unidades da Caixa, os delegados consideram que a empresa deve criar condições mais adequadas de trabalho para os empregados desempenharem suas funções e garantir um banco voltado aos interesses da sociedade. Quanto ao funcionamento das agências, entre outros pontos, foi defendido o fim do Caixa Minuto.

O debate no grupo girou em torno ainda do combate à terceirização na Caixa, bem como da atuação do movimento dos empregados, juntamente com trabalhadores de outras categorias, no Congresso Nacional, para derrubar a legislação favorável à terceirização, que precariza as relações de trabalho e tira direitos da classe trabalhadora.

“Nossa luta é também por melhores condições de trabalho para os empregados, com mais segurança nas unidades. Lutamos também para que a Caixa invista na prevenção, na instalação de equipamentos adicionais e realize alterações operacionais que, efetivamente, inibam a ação de criminosos em todas as unidades”, reforçou Carlos Augusto Silva (Pipoca), da Federação dos Bancários de SP e MS, que coordenou a mesa do Grupo 3.

Grupo 4: Caixa 100% pública, contratação, Sipon e Jornada

Os participantes reafirmaram a luta por mais contratação de empregados como a forma mais adequada para combater a carência de pessoal nas unidades e para reafirmar condições dignas de trabalho. Nesse quesito, especificamente, o grupo apontou a proposta pela abertura de negociação com a representação dos empregados para o estabelecimento de critérios que definam o quantitativo mínimo necessário de empregados por unidade, com a ressalva de que não seja inferior a 15.

Também foi considerada vital a luta para que a Caixa defina a quantidade necessária em cada tipo de unidade, com o compromisso de haver reposição sempre que o número efetivo ficar abaixo do estabelecido, devendo haver contratação no caso de não existir possibilidade de transferências ou quando se tratar de desligamento da Caixa, mantendo-se a Lotação Autorizada de Pessoal (LAP) e a estrutura de funções das unidades. Duas outras propostas foram ainda aprovadas: a manutenção da campanha “Mais empregados para a Caixa – Mais Caixa para o Brasil” e o cumprimento da Lei 8.213/91, de modo a exigir que o banco atenda a norma legal que prevê a destinação de 5% dos postos de trabalho para pessoas com alguma deficiência.

O debate sobre a Caixa 100% pública foi norteado pelo princípio de que defender as empresas públicas é defender o Brasil. Entre as propostas aprovadas, os destaques são a defesa do papel social do banco e de sua participação como instrumento eficiente e eficaz de políticas públicas. Diretamente relacionada a esse item estão a contratação imediata de mais empregados, para suprir as necessidades das agências de todo o país, e a adoção de medidas para a melhoria das condições de trabalho, saúde e de vida dos trabalhadores.

Na discussão sobre jornada e Sipon, os participantes do grupo aprovaram ainda propostas como a que prevê o pagamento obrigatório de todas as horas extras realizadas, com acréscimo de 100% da hora normal. Outros destaques são a adoção de jornada de 6 horas para todas as funções, a extinção da jornada indeterminada e a proibição do trabalho em dias de descanso remunerado.

Para Leonardo Quadros, que coordenou o grupo e é dirigente da Fetec SP, a discussão de todos os temas previstos foi o que ocorreu de mais positivo. “Fizemos o debate das resoluções do último Conecef e dos relatórios estaduais e conseguimos consensos importantes, como a luta pela manutenção da Caixa 100% pública e pelo fortalecimento do papel social do banco”, observou.

Grupo 5: Isonomia, carreira e reestruturação

O grupo reafirmou a luta por isonomia de direitos entre novos e antigos empregados, com ênfase para a extensão da licença-prêmio e do anuênio para todos os trabalhadores. Foi apontada ainda a proposta pela extensão dos direitos constantes no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) a todos os trabalhadores terceirizados, assim como a extensão da Estrutura Salarial Unificada (ESU) e do Plano de Cargos e Salários (PCS) da carreira administrativa, com valorização profissional.

O grupo discutiu assuntos relativos ao cotidiano das unidades. Em relação à carreira, uma das propostas em destaque é a criação de um comitê de acompanhamento dos Processos Seletivos Internos por Competência (PSCIs) e do banco de habilitados, oportunidades e sucessores, com a participação dos empregados e um membro da Gipes. Outras duas reivindicações são a criação de função gratificada para empregados que atuam no atendimento social, FGTS e para quem trabalha no setor social e a concessão de um delta a cada dois anos pelo período em que não houve promoção por mérito nos PCSs de 1989 e 1998.

O fim do processo de reestruturação também será reivindicado. O entendimento é de que, em qualquer caso de reestruturação, a Caixa deve debater prévia, objetivamente e com transparência as mudanças com a Comissão Executiva dos Empregados. Outra exigência diz respeito à defesa das funções e de melhores condições de trabalho.

“Foi bom o andamento dos trabalhos do grupo. Pela primeira vez em anos, conseguimos avaliar e votar propostas estratégicas para a valorização do nosso movimento”, afirmou Jorge Luiz Furlan, coordenador da mesa e diretor da Fenae e do Sindicato dos Bancários do ABC.

Fonte: Rede Nacional de Comunicação dos Bancários

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