Após denúncias de assédio moral, Sindicato dos Bancários reúne com representantes da Caixa

Entidade apresentou formalmente denúncias recebidas nas últimas semanas

Diretoras e diretores do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), acompanhados de assessores jurídicos do escritório AVM Advogados Associados, foram recebidos por representantes da Caixa nesta quinta-feira (13), quando apresentaram formalmente denúncias sobre assédio moral no banco. A reunião foi marcada após a entidade protocolar um ofício na Superintendência Regional, em 7 de outubro, solicitando providências imediatas.

Os dirigentes sindicais reforçaram que o SindBancários recebeu dezenas de denúncias indicando assédio moral, onde colegas relatam cobranças excessivas e agressivas, uso de linguagem de baixo calão, intimidações, discursos homofóbicos e sexistas, além de outras condutas incompatíveis com a postura esperada de gestores. Os relatos contém, ainda, indícios de assédio sexual.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários, Luciano Fetzner, tornar público o recebimento das denúncias é parte da ação sindical que busca estancar a sistemática de assédio presente na instituição e proteger os funcionários e funcionárias da Caixa. “Além disso, é uma preocupação muito grande da nossa parte defender a Caixa pública, forte, assim como preservar a imagem da instituição perante a sociedade. Precisamos proteger os trabalhadores e seguir a luta pela longevidade do banco”, pontuou.

Na ocasião, foi discutido como acontecem os ritos de apuração nos casos de assédio dentro da Caixa. A diretora da Fetrafi-RS e empregada da Caixa, Sabrina Muniz, afirmou que a partir da queda do ex-presidente Pedro Guimarães, em junho, houve uma alteração na estrutura organizacional e agora a Corregedoria da Caixa – CORED está diretamente ligada ao Conselho de Administração. Ela explicou que, se fossem feitas hoje, as denúncias envolvendo Guimarães já teriam sido apresentadas internamente na Caixa, porém, à época, as denunciantes precisaram recorrer ao Ministério Público para que houvesse a investigação do caso.

“O que se espera é que agora a CORED tenha efetivamente condições de apurar e atuar no combate ao assédio de forma contundente e que não exponha nossos colegas a mais sofrimento e constrangimentos”, cobrou Sabrina.

O diretor Tiago Vasconcellos reafirmou que o Sindicato sempre se pauta pelo diálogo e, mesmo com a força do que veio à tona, considera fundamental levar ao conhecimento do banco e exigir providências do mesmo. “Com o peso das denúncias que recebemos, a ação do movimento sindical respondeu à altura. Agora, cobramos da Caixa a mesma celeridade para que não tenhamos mais ocorrências”, ressaltou o dirigente.

Representantes do banco afirmaram que uma das maiores dificuldades nestas situações é obter provas materiais que comprovem as práticas e agradeceram a iniciativa do Sindicato de procurar o banco. O assessor jurídico do Sindicato, Antonio Vicente Martins, salientou que “há materialidade no caso e que o Sindicato está preparando um dossiê completo com os elementos necessários”.

Conforme a diretora do Sindicato Caroline Heidner, a Caixa informou que vai utilizar os processos internos de apuração e assim que concluída essa etapa, dará retorno à entidade. Enquanto isso, o SindBancários segue acolhendo relatos em completo sigilo. “Informamos aos representantes da Caixa que manteremos nosso processo de apuração independente e poderemos levá-lo para outras instâncias, se for o caso”, afirmou Caroline.

Ainda na reunião, o SindBancários cobrou do banco ações preventivas contra as práticas de assédio moral. Para os dirigentes, é essencial que sejam reforçadas as ações que combatam a causa e não apenas a consequência.

Esse tipo de prática de gestão violenta já está normalizada na Caixa, observou a diretora Maristela Rocha, que questionou os representantes sobre o que está sendo feito na direção do banco em relação ao assédio. “Sabemos que gestores sofrem pressão de cima e têm gerentes que filtram e outros que não. Há inúmeros relatos de funcionários que não conseguem descansar quando saem da Caixa, que continuam trabalhando, que estão adoecidos por conta desse assédio”, assinalou.

Imprensa SindBancários

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