Apesar das garantias de seu presidente, é preciso manter a mobilização para defender o Banrisul público

Um velho ditado dá uma dimensão precisa sobre a incerteza que declarações peremptórias e garantias costumam representar. Seguro morreu de velho, diz a sentença que muitos conhecem. Na quinta-feira, 9/2, o presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Mota, disse com todas as letras que o Banrisul não será vendido.

A frase foi reproduzida no clicrbs, site noticioso do maior grupo de mídia do Rio Grande do Sul.

– Banrisul não será privatizado. Assunto encerrado – cravou o presidente do banco.

Mota foi peremptório ante a pergunta da reportagem do referido site sobre a possibilidade de o Banrisul estar na mesa de negociação entre o governo Temer e o governo Sartori para virar uma espécie de moeda de troca num acordo de dívida pública.

O ministro Henrique Meirelles condicionou em reportagem do jornal Valor Econômico de 26 de janeiro passado a ajuda financeira ao Rio Grande do Sul à venda do banco público dos gaúchos. O problema é que a venda do Banrisul não vai acabar com os problemas financeiros do Estado, apenas, segundo a proposta, dar uma moratória de três anos. Deixar de pagar a dívida por 36 meses e voltar a pagá-la depois não vai mudar nada.

– A resposta é não. Para nós, é assunto encerrado – reiterou o presidente à reportagem.

O SindBancários, a Fetrafi-RS e os Sindicatos do Interior, junto com o Comando Nacional dos Banrisulenses, receitam cautela quando o assunto é garantias de que o Banrisul não será vendido. É respeitável a defesa do presidente do Banrisul. Porém, o mandatário do governo, o próprio governador José Ivo Sartori, não dispõe da mesma força de garantia na palavra, ao menos no que se refere às estruturas públicas.

Lembramos que, logo que assumiu o governo do Estado, Sartori disse que não que não venderia nem extinguiria a Fundação Piratini (TVE e FM Cutltura). Chegou até a dizer, “Vida longa a TVE”, como mostra o vídeo abaixo. Como se vê, neste caso, a palavra do governador não valeu ouro. Sartori, infelizmente, para os banrisulenses, não é insuspeito quando o assunto é acabar com o Banrisul (veja o vídeo abaixo).

“Reconhecemos que esta declaração do presidente do Banrisul é importante e estimula os banrisulenses e a sociedade gaúcha a pensarem que há mesmo interessados no atual governo do Estado em manter o Banrisul forte e público. O problema é que estamos diante de um contexto político, tanto no âmbito federal quanto estadual, em que as empresas públicas são vistas como responsáveis pelas crises financeiras”, alerta o presidente em exercício do SindBancários e funcionário do Banrisul, Luciano Fetzner.

Faz muito sentido o que o presidente em exercício do Sindicato pondera. Desde maio, quando o interino Michel Temer assumiu o governo federal após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, a visão de Estado, da importância social das empresas públicas e das fundações passou a ser reduzida. Bancos públicos como o Banco do Brasil e a Caixa passaram a atacar direitos de bancários com descomissionamentos, pressão por aposentadoria e com guinada em termos de função.

“O Banrisul sempre ajuda o Estado. Este ano o banco até comprou a folha de pagamento dos servidores por R$ 1,2 bilhão. É um banco que cobra taxas e juros inferiores aos praticados pela média de bancos públicos e privados. Investe em agricultura, educação, saúde. Embora o presidente tenha dito que não será vendido, nossa orientação é que os banrisulenses continuem mobilizados. Estamos muito atentos aos projetos de lei de alteração na Constituição Estadual que podem facilitar a venda do banco na Assembleia Legislativa”, acrescentou Luciano.

Calendário de mobilização

Mesmo com a fala peremptória do presidente do Banrisul, a orientação das entidades representantes dos bancários, Fetrafi-RS, SindBancários e Sindicatos do Interior permanece. Desde a segunda-feira, 6/2, até 15/3, todos os 38 Sindicatos filiados à Federação estão orientados a realizar plenárias preparatórias a uma assembleia nacional que será realizada em 18/3, na sede da Fetrafi-RS.

A orientação segue no que se refere a conversas pessoais, envio de emails, telefones aos gabinetes dos deputados estaduais na Assembleia Legislativa. Isso porque o governador Sartori pode enviar nos próximos dias ou mês que vem uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que altere o Artigo 22 da Constituição Estadual. Este artigo contém salvaguardas à venda do Banrisul e de outras empresas públicas como a CEEE e a Corsan. Nenhum diretor do banco e nem mesmo o governador do Estado pode vender o Banrisul sem estar autorizado por consulta pública ou plebiscito.

Fonte: Imprensa SindBancários

 

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