Ameaça ao Banrisul público lota debate na Praça da Alfândega e abre programação em defesa do banco

Um dos locais mais tradicionais da história e da vida gaúcha e porto-alegrense, a Praça da Alfândega, no Centro da Capital, sediou a partir das 13h desta quarta-feira, 22/3, um debate de importância vital para a população e para a maioria dos municípios do estado. Sob um amplo gazebo instalado frente ao Banrisul, o programa radiofônico Esfera Pública, da Rádio Guaíba, discutiu os riscos do Banco do Estado do Rio Grande do Sul ser privatizado ou federalizado, sob os governos de matriz neoliberal de José Ivo Sartori, no estado, e de Michel Temer, na esfera federal.

Enquanto passantes, bancários e militantes saboreavam o tradicional “salchipão”, distribuído na Praça pelo Sindicato, os apresentadores Juremir Machado da Silva e Taline Oppitz conduziram o debate entre o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, o presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, e os deputados estaduais Gilberto Capoani (PMDB) e José Nunes (PT), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público.

Respondendo a uma indagação de Juremir, Nunes afirmou que, ainda que todos na mesa defendam a importância do grande banco público gaúcho, o risco da privatização existe sim. “Há a possibilidade concreta de uma privatização, se considerarmos a postura ideológica tanto de Temer quanto de Sartori. E mais ainda: na renegociação da dívida dos estados com a União, o governo Temer praticamente exige que empresas estatais do setor energético, de saneamento e os bancos públicos sejam inseridas no acordo”, destacou.

Importância de resistir

Já o presidente do SindBancários recorreu aos idos dos anos 90 para lembrar que na época do governo Britto, seu líder na Assembleia Legislativa era o então deputado José Ivo Sartori. “Britto foi para a TV garantir, entre lágrimas, que não iria vender nenhuma estatal, e que seus opositores estavam mentindo”, recordou Everton Gimenis. “Sartori dizia o mesmo na Assembleia. Mas, simplesmente, eles venderam sim a CRT e parte da CEEE. E Britto só não privatizou o Banrisul porque perdeu a eleição. Não dá para confiar em Sartori e seu governo. É importante resistir”, concluiu.

Mas o sindicalista também chamou a atenção para um fato importantíssimo: “Por ser público, o Banrisul é a única instituição bancária que está presente em 347 municípios do estado, sendo que em 87 das cidades menores ele é o único banco que a população pode contar”, relatou, para surpresa de muitos ouvintes do rádio e do público presente à praça.

Estado perde sem o banco

Único membro da base de apoio de Sartori na Assembleia presente ao debate radiofônico, o deputado peemedebista Gilberto Capoani explicou por que fez questão de colocar sua assinatura na Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público. “Fui bancário de carreira por mais de vinte anos, no Banco do Brasil, e conheço o setor. No governo Rigotto fui diretor do Banrisul e sei da sua importância para o Rio Grande. Mesmo estando ciente da situação do estado, fui ao governador Sartori e lhe comuniquei que sou contra qualquer projeto de privatização do nosso banco. Também disse isto à minha bancada. E se houver plebiscito, vou percorrer o estado em defesa da instituição. Sem o Banrisul, o Rio Grande fica surdo, manco e pitoco”, definiu.

O mau exemplo do Paraná

Presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, que é paranaense, fez uma analogia da situação do Banrisul com o episódio do Banestado, que se tornou um dos maiores escândalos nacionais nos anos 90 – com prejuízos aos cofres públicos muito superiores ao da Lava-Jato, por exemplo. O banco, durante o governo federal de FHC e do governador Jaime Lerner, terminou sendo privatizado e absorvido pelo Itaú.

Von der Osten explicou que além do prejuízo causado pela corrupção, o final do Banestado foi uma grande perda para o estado. “O Paraná é até hoje um estado basicamente agrícola. E esta situação prejudicou os paranaenses, porque banco privado não financia produção agrícola nem política habitacional”, pontuou o líder sindical. “Tomara que aqui no Rio Grande o debate sobre a tentativa de privatização do Banrisul seja profundo e a população seja bem informada dos problemas que esta medida provoca”, arrematou.

Programação do dia

Ainda nesta quarta-feira, 22/03, prossegue a mobilização pelo banco estadual público, com o slogan “Banrisul – se vender não tem mais volta”.

16h – Início do credenciamento no Auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa, para o Ato de Instalação da Frente Parlamentar em Defesa do banrisul Público.

18h – Início do Ato de Instalação da Frente Parlamentar. Ao vivo pelo link: https://goo.gl/2jq7ZM

Fotos: Carol Ferraz, especial para o SindBancários

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