ALERGS não engole salários milionários no Banrisul

Deputados estaduais voltam a rejeitar indicações do governador Eduardo Leite para a diretoria do Banrisul e o acusam de falta de transparência

Exatamente uma semana depois, no mesmo parlamento, o governador Eduardo Leite sofreu nova derrota político. O motivo foi sua teimosia. Ao manter os aumentos de salários do presidente do Banrisul e dos outros diretores, indicados por ele, o governador saiu chamuscado com críticas renovadas de parlamentares de seu partido na Assembleia Legislativa, na terça-feira, 21/5, ao ser acusado de querer um “cheque em branco” e de “falta de transparência”.

A derrota pode ser comparada àquelas de treinadores de futebol que perdem em campo e mantêm os mesmos time e esquema tático na segunda partida de mata-mata. Leite manteve o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 1/2019, apresentado em 25 de abril, em que indica como novo presidente do Banrisul, Claudio Coutinho Mendes e outros cinco diretores. O que pegou foi a confirmação de que há aumentos de salários abusivos.

Às 17h25, a derrota do governador foi selada no Plenário 20 de Setembro da Assembleia Legislativa, com o pedido de verificação de quórum pela deputada Juliana Brizola (PDT). Havia 25 parlamentares na sessão que foi suspensa pelo presidente, Luís Augusto Lara. Além da oposição, deputados do MDB e do PSDB se retiraram da sessão.

Aberração”

Pouco antes, o deputado estadual Pedro Pereira (PSDB), do mesmo partido do governador, abriu o voto contrário e não poupou críticas à insistência do governador em apresentar aumento de salário abusivo para diretores do Banrisul. Pereira disse que o aumento havia sido combinado com os diretores do banco e que faria o salário do novo presidente do Banrisul pular de R$ 52 mil para R$ 123 mil, enquanto o dos outros diretores, de R$ 40 mil para R$ 90 mil – cerca de 125% de aumento.

Não podemos assinar um cheque em branco. Nada contra ninguém. É uma verdadeira aberração”, vociferou Pereira, da Tribuna. Ele chegou a indicar uma possível negociação com bases salariais mais realistas, como, por exemplo, aumento de 10 a 15% a partir do salário vigente: “Quem não quer um salário desse? Eles vão querer”.

Ninguém é capacho

O deputado do mesmo partido do governador disse que votaria contra e chegou a referir como uma das razões o efeito que o aumento teria nos salários de diretores dos dois outros bancos públicos do Estado, o Badesul e o BRDE. Ele também disse quer não teria como explicar em sua base, em Canguçu, para outros trabalhadores porque teria permitido aumento abusivo para diretores do Banrisul. “Vem meter goela abaixo. Aqui [na Assembleia] ninguém é capacho”, acrescentou Pedro Pereira.

O deputado estadual Fernando Marroni (PT) usou a tribuna também para denunciar a manobra do governador Eduardo Leite. “Vai ao mercado, busca um senhor que é especialista em privatizações. Negociou com o novo presidente. Em quatro anos, os diretores e o presidente levarão R$ 100 milhões para suas poupanças”, acentuou Marroni, fazendo a referência de que se trata de dinheiro público, do Estado, do povo gaúcho.

Legenda foto: Os deputados Luís Augusto Lara (E) e Pedro Pereira conversam durante a sessão plenária que derrotou pela segunda vez o governador Eduardo Leite

Crédito foto: Guerreiro/Agência ALRS

Fonte: Imprensa SindBancários

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