Itaú: quando os “exames periódicos” se voltam contra os bancários

No programa "Fique OK", muitos que relatam problemas psicológicos são demitidos depois de algum tempo

No Itaú, o processo de convocar os bancários para realizar os exames periódicos (“médico da família”) está sendo usado pelo banco, muitas vezes, para identificar o perfil de trabalhadores com mais de 15 anos de casa. O truque é sujo: muitos que relataram doenças de ordem emocional ou psicológica como Depressão, Síndrome do Pânico, Síndrome de Burnout ou Crise de Ansiedade estão sendo demitidos depois de algum tempo.

Doença emocional

Quando o trabalhador relata algum problema de saúde, normalmente o médico do trabalho o orienta a procurar tratamento. Se a doença é de ordem emocional, o bancário é direcionado para o “Fique Ok”, programa do banco que tem assistentes sociais e psicólogos.

A principal reclamação dos trabalhadores direcionados para o “Fique Ok” é que os profissionais do programa sempre demonstram alinhamento com a empresa: colocam que o problema psicológico tem origem na vida pessoal. “Ao que os colegas nos relatam, no Fique OK os profissionais em geral procuram descaracterizar qualquer tipo de correlação com o trabalho, para afastar a responsabilidade do banco”, diz Eduardo “Dudu” Munhoz, funcionário do banco e diretor do SindBancários.

Metas impraticáveis

Por conta da pandemia, muitos trabalhadores estão em home office, mas a demanda nas agências não diminuiu; quem trabalha na linha de frente se sobrecarrega e ainda enfrenta o risco eminente de contrair Covid-19 nas unidades bancárias. Soma-se a isto a cobrança abusivas por metas impraticáveis em meio a um cenário de paralisia econômica. Este é ideal para o aumento do estresse mental e para a eclosão de doenças psicológicas, o que afeta o desempenho dos colegas.

Histórico psicológico

O Itaú armazena o histórico psicológico do trabalhador que relata algum problema emocional aos profissionais do “Fique Ok”. Vários desses trabalhadores com mais de 15 anos de empresa estão sendo demitidos, sob alegação de baixa performance, atualmente a “justificativa oficial” utilizada pelo banco.

Não se pode esquecer que, justamente quando o país enfrenta uma pandemia que já matou mais de 165 mil pessoas e a economia se encontra em fase de declínio, o banco apela para este tipo de expediente  cruel contra seus empregados.

“O que estamos vendo é que o exame periódico, que é uma ferramenta de gestão, e que nós orientamos os colegas a fazerem, está sendo utilizado neste caso contra os funcionários. É uma forma do banco  identificar os colegas com algum problema psicológico e demitir, para se eximir de responsabilidade com estes trabalhadores, e não de uma ajuda terapêutica real”, aponta Eduardo Munhoz.

Mudanças nas diretorias

Os sindicatos e a Contraf  também têm identificado uma elevação na quantidade de trabalhadores com problemas emocionais no Itaú, resultantes da violência organizacional instituída pela empresa, que vem mudando o comando de todas as diretorias. Elas estão competindo entre si, e uma forma de mostrar resultados é cortar custos demitindo trabalhadores adoecidos.

“O banco deve mostrar mais responsabilidade social com os seus trabalhadores, que são os responsáveis pelos lucros expressivos apresentados pela empresa”, afirma Eduardo Munhoz.

Fonte: Imprensa SindBancários, com informações de Contraf-CUT. Ilustração: SindBancários de SP e Região

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