Adoecimento da categoria pauta rodada extra de negociação da Campanha

O adoecimento da categoria foi o destaque da rodada extra de negociação da Campanha Nacional 2015, realizada na tarde da terça-feira, 15/9, em São Paulo, entre o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, e a Fenaban. A reunião foi marcada por reivindicação dos representantes dos trabalhadores, para continuar o debater sobre causas dos adoecimentos dos bancários, assédio moral, fim das metas abusivas e programa de retorno ao trabalho.

Os bancos admitiram o aumento de doenças entre os trabalhadores, baseados nos números fornecidos por eles no Grupo de Trabalho (GT) bipartite de causas do adoecimento. “Nunca antes na história deste Comando ouvimos todos os bancos admitirem que existem estes problemas nos locais de trabalho e que precisamos resolver juntos”, destacou Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT e um dos coordenadores do Comando Nacional.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, integrante do Comando Nacional dos Bancários, disse que o reconhecimento por parte dos bancos em relação aos problemas de adoecimento causados pela gestão é um avanço, mas é preciso que os banqueiros firmem compromissos. “Há muito tempo o nosso departamento de saúde no Sindicato levanta dados sobre a relação entre o adoecimento dos bancários e as políticas de gestão. Se os bancos têm interesse em ajudar a resolver os problemas de saúde, têm que contratar mais e não demitir. Eles reconhecerem não é suficiente. Eles têm é que tomar medidas concretas para melhorar  as condições de trabalho”, avaliou Gimenis.

O Comando Nacional reivindica a definição de uma política de prevenção de adoecimentos conjunta, com diretrizes e princípios que serão especificadas banco a banco posteriormente. Além do acompanhamento das comissões de trabalhadores em todos os bancos.

Juvandia Moreira, vice-presidenta da Contraf-CUT e uma das coordenadoras do Comando Nacional, lembrou que essa é uma conquista dos GT. “Há anos usamos esses espaços para mostrar a gravidade do assunto. Esperamos, até o final da campanha, sair com uma clausula que proporcione a solução”, disse.

Walcir Previtale, secretário de Saúde da Contraf-CUT, também analisou positivamente a negociação. “Acho que abre uma grande oportunidade para o Comando Nacional dos Bancários poderem atuar contra o assédio moral”, completou.

Nesta quarta-feira (16), as partes voltam a se reunir para debater remuneração.

Número de adoecidos cresce em 2015

Os bancos estão entre as empresas com maior risco de acidente de trabalho ou doença ocupacional no Brasil. Segundo o INSS, entre 2009 e 2013, o número de bancários afastados por doença cresceu 40,4%, enquanto o número geral de afastamentos no mesmo período cresceu 26,2%. Os benefícios acidentários por transtornos mentais e comportamentais concedidos a bancários entre 2009 a 2013 cresceu 70,5% (de 2.957 para 5.042), enquanto que nos demais setores cresceu 19,4%.

Em 2013, mais de 18 mil bancários (18.671) foram afastados. Desse total, 27% por transtornos mentais e comportamentais (como estresse, depressão, síndrome do pânico) e 24,6% por LER/Dort.

Entre janeiro e março de 2014, 4.423 bancários foram afastados do trabalho, sendo 25,3% por lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares e 26,1% por doenças como depressão, estresse e síndrome do pânico.

Crédito foto: Jailton Garcia

Fonte: Contraf-CUT, com Fenae

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