A filosofia da caça nos vinhedos

Retomada do Clube do Vinho do SindBancários tem degustação, informação e a exaltação de cultura do vinho produzido no RS

Quer uma prova de que beber vinho pode produzir saber e orientar cultura muito próxima da gente? Pois na retomada do Clube do Vinho do SindBancários, na terça-feira, 30/7, no Salão de Festas da Casa dos Bancários, pouco mais de 40 pessoas literalmente beberam produtos pouco conhecidos da cultura gaúcha numa atmosfera de aquisição de saberes. Com direito à palestra e orientação degustativa do enólogo e sommelier Arlindo Menoncin, os participantes puderam entender um pouco da filosofia dos vinhedos à uva.

Filosofia para beber vinho? Pois é, Menoncin deu uma palestra e comentou a sua própria história sobre o motivo que o levou a produzir seu próprio vinho com uma marca não muito, digamos, adequada para ostentar numa garrafa de um bom vinho. Chamou o vinho que produz de Cão Perdigueiro.

É claro que o vinho que o enólogo e sommelier produz não é feito para cachorro, ora esta. O que inspirou este nome foi o tratamento que ele dá à escolha dos frutos que o agricultor planta. Quer dizer, para ele, o vinhedo é uma zona de caça dos melhores cachos de uva. É nessa zona, o vinhedo, que ele colhe e escolhe os melhores frutos para produzir… os melhores vinhos.

Há alguns anos, ele estava vendo televisão em casa em um canal e a imagem sumiu. Na volta, apareceu a imagem de um cão perdigueiro. Estava aí o nome. “O cão caça. Eu caço as uvas. O conceito é exatamente o mesmo”, explica.

Contar isso não é dizer tudo sobre a filosofia da caça no vinhedo. Menoncin reúne a condição de quem fecha o circuito entre a uva e o vinho. Como enólogo, ele produz o vinho a partir da aplicação de técnicas de transformação da uva que o engenheiro agrônomo produz. Como sommelier, ele leva a informação ao consumidor.

Simplicidade é tudo

E aí vem a cultura. Menoncin pensa e trata o ato de beber e produzir o vinho com toda a simplicidade. Costuma explicar que o tipo de solo, a qualidade dos nutrientes e o regime de chuvas são determinantes para a qualidade do vinho. E que o vinho é como uma pessoa única com seu DNA próprio.

O exemplo da degustação foi ilustrativo quando foi aberta a primeira garrafa de vinho da noite do Clube. Era de uva merlot, mas plantada em duas regiões diferentes do Rio Grande do Sul. “Cada variedade das uvas é igual às pessoas. Cada variedade tem um aroma e um saber que é dela. Isso é em qualquer lugar do mundo. É o DNA da uva. Não existem duas pessoas iguais. Existem pessoas parecidas, mas não iguais”, ensina.

Integração

Representando o presidente do SindBancários, o secretário-geral Luciano Feztner exaltou a importância cultural do conhecimento sobre a vinho. “Agradeço ao Clube do Vinho por fazer algo diferente do nosso dia a dia de trabalhadores bancários. As informações sobre a importância dessa cultura do vinho é também gerar integração entre os colegas”, ponderou Luciano.

Para a diretora do Sindicato, responsável pela organização do evento, Natalina Gué, a fase do Clube do Vinho é de retomada, depois de alguns anos sem reunir bancários interessados em não só beber vinho mas informar-se sobre uma cultura. “A nossa luta é política e também cultural. Tivemos 45 inscritos. A resposta foi positiva. A ideia é fazer um encontro por mês”, acrescentou Natalina.

O diretor da Phoenix Eventos, José Armando Paschoal, contou que o Clube do Vinho na noite da terça-feira, 30/7, tem um marco de retomada. Há 22 anos, Paschoal trouxe a cultura da bebida produzida no Rio Grande do Sul para formar parceria com o SindBancários. São 650 vinícolas no RS que produzem 95% do vinho brasileiro. “Conseguimos, ao longo dessas duas décadas, transformar o hábito dos bancários. Os bancários só tomavam cerveja. Continuam tomando, mas agora também tomam vinho”, ilustrou Pachoal.

Fonte: Imprensa SindBancários

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