8M expõe números da tragédia da violência contra mulher

Dia Internacional da Mulher abriu com mística do MST em Porto Alegre e criticando retrocessos da pauta direitista do governo federal

Eram por volta das 10h da manhã, da sexta-feira, 8/3, quando uma cantoria indignada chamou a atenção para a violência contra as mulheres. Militantes do MST, meninas, irromperam por entre as bancas de orgânicos e chegaram até o espaço reservado às painelistas sob a lona que abrigou os debates no Largo Glênio Peres, centro de Porto alegre. Meninas tombavam e logo as marcas dos corpos no chão eram fixadas com farinha de milho.

Estava ali na mística das mulheres do MST a abertura do Dia Internacional das Mulheres, o 8M. O jogral das meninas se encerrou com uma consigna. “Não temos nada a comemorar no 8 de Março.” A explicação chegou em números. Soam como tragédia.

A violência contra as mulheres é endêmica, escancarada e tende a recrudescer. Não por acaso. Está em curso uma pauta de retrocesso de ataques a direitos com repercussão direta na fragilidade social da qual as mulheres são as representantes mais vulneráveis. Sem políticas públicas de esclarecimento e de acolhimento, o ciclo de violência começa com pressões dos homens contras a mulheres, passa pela agressão e chega ao feminicídio.

Uma prova dessa vulnerabilidade, gritada pelas meninas da mística do MST, aparece em números do comportamento dos homens gaúchos quando o assunto é violência contra as mulheres. Em quatro anos no Rio Grande do Sul, houve 6.149 estupros. São quatro por dia, um a cada seis horas.

Juntando os dados revelados pelas participantes do primeiro painel do dia, “Feminicídio, Violência contra as mulheres e Direitos Reprodutivos”, temos muito a pensar sobre a violência contra as mulheres. Pior: há muito do que se envergonhar.

Retirar políticas públicas, cortas subsídios e tratar a violência contra as mulheres como sendo culpa delas não ajuda em nada. Ao contrário. O IBGE acaba de divulgar que a renda média das mulheres é 20,5% inferior à dos homens para desempenhar a mesma função. Mais um dado da tragédia e da discriminação contra as mulheres.

Confira mais dados da tragédia da violência contra as mulheres.

> Segundo a ONU, a cada 13 minutos, uma mulher é agredida no mundo. E a cada nove minutos, ocorre um estupro.

> Segundo a Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do RS, de 2017 para 2018, o número de feminicídios no Rio Grande do Sul cresceu 41%. Passou de 83 para 117.

> Segundo a ONU, sete em cada 10 mulheres (70%) já sofreram algum tipo de de violência física ou moral em todo o mundo.

> O Brasil é o 5º país que mais mata mulheres em todo o mundo.

> Há 200 milhões de mulheres em todo o mundo sem acesso a contraceptivos.

> 98% dos 25 milhões de abortos inseguros que são realizados por ano no mundo, ocorrem em países em desenvolvimento.

> No Brasil, ocorrem, em média, 500 mil estupros por ano.

> Apenas 2 mil abortos legais são realizados das 25 mil gravidezes por estupro que ocorrem no Brasil em média a cada ano. Lembrando que aborto em caso de estupro é um direito.

> Uma em cada cinco mulheres (20%) já fez aborto no Brasil.

 

Fonte: Imprensa SindBancários

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