“8 de março é dia de luta para as mulheres”, afirma diretora da Fetrafi-RS

Marcha das Mulheres acontece nesta segunda

O dia 8 de março, mais do que uma homenagem às mulheres, é um dia de luta, de reafirmação de bandeiras. Quem destaca isso é a diretora da Fetrafi-RS Denise Falkenberg Corrêa, militante do Movimento Feminista e participante da Marcha Mundial das Mulheres. No próximo domingo de manhã, a Federação, representada por Denise e outras diretoras e bancárias, participa do ato de panfletagem das mulheres na Orla do Guaíba e, na segunda-feira, 9, da caminhada promovida pelos movimentos sociais e de mulheres com concentração no Largo Glênio Peres, que sai da esquina democrática às 17h30.

As atividades do Dia Internacional da Mulher desse ano, no Brasil, terão como foco a luta pela vida, por direitos e ainda não conquistados e pela democracia. Esses três pontos, segundo Denise, devem chamar a atenção da sociedade. “São pautas feministas e não unicamente femininas, são para toda a humanidade. A igualdade entre homens e mulheres tem que ser o objetivo de toda a sociedade e é um tema tão importante e sério que ele é pautado pela ONU e vários organismos internacionais”, ressalta. “Porém, esse tema deve ser capitaneado pelas mulheres, pois nunca alcançaremos a igualdade se não formos protagonistas das nossas lutas.”

Para Denise, o patriarcado e o capitalismo empurra a humanidade para a desigualdade e as mais prejudicadas são as mulheres. “Infelizmente neste governo neoliberal vivemos muitos retrocessos e as mais atingidas somos nós. A falta de democracia é pior para nós, a falta do SUS vai ser muito pior para nós, sem contar fechamento de escolas e creches. A reforma da Previdência e a reforma Trabalhista foram criminosas para as mulheres. Nos aposentamos cinco anos antes, mas é porque temos jornada dupla, tripla, e isso ninguém nega”, afirma.

Violência e Feminicídio

A luta pela vida enfatizada na marcha das mulheres deste ano é uma referência ao feminicídio. O Brasil é o quinto no ranking mundial em assassinatos de mulheres, segundo a Organização Mundial da Saúde. Esse é um dado do qual nenhum país deve se orgulhar.

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de 2016 a 2018 mais de 3,2 mil mulheres foram mortas do país. Porém, o número pode ser ainda maior, pois estimativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indica que neste período mais de 3 mil casos de feminicídio não teriam sido notificados, pelo menos não com essa qualificação.

Ainda não há dados oficiais de 2019, porém, um levantamento feito pela Folha de São Paulo em todos os estados brasileiros indicou a morte de 1.310 mulheres vítimas de violência doméstica ou por sua condição de gênero no ano passado. Em 2018, foram 1.222. Ou seja, o número cresceu e, hoje, de três a quatro mulheres em média são assassinadas por dia no Brasil.

“A mulher é morta geralmente pelo companheiro ou ex-companheiro e dentro da sua própria casa. Estamos lutando pelo direito básico de viver. Isso é inaceitável”, frisa a diretora da Fetrafi-RS.

Mundo injusto

Além da vida, as mulheres neste dia 8 lutarão pela democracia, uma luta histórica, pois lutaram pelo direito de votar e contra todas as ditaduras. Também irão marchar pelos seus direitos trabalhistas.

Para Denise, não faz o menor sentido que as mulheres ganhem menos que os homens, mesmo em uma mesma área. Conforme levantamento do Dieese, a diferença do rendimento médio mensal das mulheres é 22% menor do que o dos homens. Nos cargos de diretoria e gerência, a diferença salarial entre os dois gêneros é de 29%.

“O mundo ainda é muito injusto para as mulheres. Ganhamos menos que os homens e mais da metade dos lares é chefiado pelas mulheres. Então, estamos colocando a família toda em risco, quando pagamos menos às chefes do lar. Isso é um crime contra a humanidade”, finaliza.

Fonte: Fetrafi-RS

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