1º Encontro Estadual LGBTQIA+ da CUT-RS acontece de forma virtual nesta quinta

O objetivo é começar a organizar lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais que atuam no movimento sindical. SindBancários participa do coletivo

A CUT-RS promove nesta quinta-feira (26), às 19h, o 1º Encontro Estadual LGBTQIA+, através da plataforma Zoom. O objetivo é começar a organizar lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais que atuam no movimento sindical, buscando trocar experiências, combater preconceitos, compartilhar reivindicações, construir um coletivo estadual e fortalecer a luta pelo respeito à diversidade no trabalho e na sociedade.

Para participar do encontro, é preciso fazer inscrição prévia, através do e-mail da Secretaria-geral da CUT-RS: [email protected] 

O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, gravou um vídeo, chamando os sindicatos a participar e salientando que “é uma discussão necessária e inadiável para a luta da classe trabalhadora, buscado a superação das desigualdades e o combate aos preconceitos”.

Assista ao vídeo do presidente da CUT-RS

Enfrentar a desinformação e o governo machista

O diretor de Organização Sindical do Sinpro-RS, Erlon Veronez Schüler, que integra a comissão organizadora, destaca que o encontro é aberto e “podem participar pessoas de todos os gêneros, orientações sexuais e dirigentes sindicais de todo Rio Grande do Sul”.

“O debate está sendo organizado para dar voz, a fim de que cada participante possa trazer suas dúvidas e suas experiências, como se já existe uma organização LGBTQIA+ no seu sindicato, na sua cidade e na sua região. Será um espaço de acolhimento, onde cada dirigente vai poder relatar o que estão fazendo e apontar por onde começar a nossa luta coletiva”, aponta Erlon.

O diretor de Diversidade e Combate ao Racismo do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, Sandro Rodrigues, também faz parte da comissão organizadora, ressalta que o preconceito começa na comunicação. “Nas mídias tradicionais não se conta a história de luta que a comunidade LGBTQIA+ construiu e muito menos permite que os trabalhadores e as trabalhadoras entendam por que sofremos tanta discriminação, violência e marginalidade”, denuncia.

Para Sandro, isso se reproduz sem parar. “É uma ideologia o tempo todo homofóbica, lesbofóbica, transfóbica, por meios institucionais ou não, que qualificam as pessoas como criminosos e criminosas, doentes, degenerados e degeneradas, etc. Isso impede que os trabalhadores e as trabalhadoras possam se sensibilizar e atuar de maneira independente, defendendo os setores mais oprimidos da sociedade”.

Para a diretora de Administração, Finanças e Patrimônio do Sintrajufe-RS, Luciana Krumenauer Silva, que igualmente participa da comissão organizadora, a conquista de direitos sempre foi com muita luta. “Teve muita greve, muito grito. Nunca foi fácil. Tivemos grandes avanços nas políticas de inclusão na classe trabalhadora, percebemos uma ampliação na diversidade em empresas. Mas a desinformação, aprofundada por esse governo machista, deu início a uma violação dos direitos de trabalhadoras e trabalhadores, afetando em muito a vida da população LGBTQIA+”, destaca.


Foto: Carolina Lima / CUT-RS

Combater os preconceitos no ambiente de trabalho

O preconceito no mercado de trabalho está presente em várias dimensões. “Discriminação nas vagas de emprego, bloqueios a oportunidades nos espaços de trabalho e tratamento desigual para promoções são algumas das formas mais comuns de violência contra o trabalhador e a trabalhadora da comunidade LGBTQIA+. Isso ocorre em todo mundo isso, não é só no Brasil”, observa Sandro.

Luciana enfatiza que a sexualidade não pode ser um tabu. “A sexualidade nunca deveria ser um problema para a classe trabalhadora ou para o patrão, porque isso é de cunho pessoal. Quem eu amo ou deixo de amar, só compete a mim. Em um ambiente onde existe diversidade de ideias, as soluções sempre são muito melhores”, afirma.

Diante dessa realidade, a organização para fazer esse debate é uma necessidade para o movimento sindical. “O ganho desse espaço para a comunidade LGBTQIA+ é que poderemos começar a conversar sobre o respeito e a ampliação dos direitos dessa população. Então, é importante que os dirigentes sindicais acompanhem esse processo, como a negociação coletiva com as empresas”, salienta Erlon.

“A questão do respeito no espaço de trabalho passa pelo pertencimento e pelo tamanho do acolhimento que as pessoas LGBTQIA+ recebem. Se notam que os espaços em que elas estão é um espaço acolhedor, é receptivo e respeitoso, irão automaticamente se tornar pessoas que usam suas potencialidades no nível mais adequado e mais confortável”, defende o dirigente do Sinpro-RS.

Garantir direitos para a comunidade LGBTQIA+

A comissão organizadora está propondo garantir direitos para a comunidade LGBTQIA+. “Estamos defendendo a importância de botar para a categoria uma pauta de demandas para as CIPAs e os delegados sindicais, além de colocar nas convenções e acordos coletivos as necessidades do povo LGBTQIA+. Essa inclusão de pautas específicas sobre o tema nos sindicatos é um avanço, visto que essa inserção é um processo lento. O papel da CUT-RS é muito importante no sentido de incentivar para que todos os sindicatos levantem essa bandeira de luta”, expôs Sandro.

Luciana aponta ainda “a importância de criarmos esse espaço para levar informação, através desse instrumento democrático e que está sempre na briga por direitos, que são os sindicatos. Quando as pessoas detêm conhecimento, elas conseguem perceber que estão sendo preconceituosas ou que estão sofrendo preconceito”, destaca.

Movimento sindical deve assumir a pluralidade da classe trabalhadora

A comunidade LGBTQIA+ têm como desafio apontar a diversidade dos trabalhadores. “Nosso maior desafio nessa construção é fazer com que o movimento sindical entenda essa pluralidade da classe trabalhadora, formada por homens, mulheres, gays, lésbicas, trans, pessoas de todos os gêneros, independente da orientação sexual. Nós trabalhamos e produzimos a riqueza do nosso país e, por isso, merecemos representatividade, inclusive nos sindicatos”, defende Sandro.

“Não podemos deixar de fazer esse debate e levar essa pauta, que não só teórica. É, na verdade, uma pauta de construção, contrariando inclusive esse governo federal que é homofóbico, lesbofóbico e transfóbico. A gente quer construir um Brasil novo e isso passa pelo universo LGBTQIA+, passa por todas as pessoas e por todas as categorias”, conclui o dirigente do SindBancários.

Fonte: CUT-RS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER