1979: Assembleia chama a greve

Há 40 anos, assembleia com 3 mil bancários no Auditório Araújo Viana, decidiu enfrentar a Ditadura Militar com uma greve histórica

Desde a metade de agosto de 1979, greves explodiam todos os dias no Rio Grande do Sul. Um balanço feito pelo Jornal Zero Hora apontava que, de 13 de agosto até a metade de setembro de 1979, ocorreram “45 greves em 30 dias”. “A média é de uma greve e meia por dia”, estampava o jornal em uma de suas páginas internas. Nesta terça-feira, 4/9, começamos a contar a história de 40 anos da Greve de 1979, que nos ensinou a lutar em cada um de seus dias.

Na quarta-feira, 5/9, contamos como foi o primeiro dia de greve. Até 19 de setembro, último dia de greve, faremos um Diário da Greve Proibida. Acompanhe!

Há 40 anos, trabalhadores da construção civil, do transporte coletivo, mineiros, caminhoneiros, vigilantes, calçadistas cruzavam os braços em todo o Estado evidenciando que o Regime Militar não apenas chegara perto do fim, mas que sua política de austeridade, de cortes de salários para pagamentos de juros de dívida empobrecera toda a gente. Os trabalhadores decidiram enfrentar a Ditadura Militar e reivindicar reposição de perdas salariais históricas.

Mais precisamente, no primeiro dia do mês de setembro, os bancários começavam a fazer história nesta jornada de luta de trabalhadores que completa 40 anos. Uma semana antes, os bancários haviam entregue aos banqueiros gaúchos uma lista com 22 reivindicações. Além de reajuste de 86%, queriam trazer a data-base de 3 de novembro para 1º de setembro.

Os banqueiros estavam enrolando. Na edição de 1º de setembro do jornal Zero Hora, um sábado, uma nota mostrava que a resposta dos banqueiros não era das melhores. Pior. Os 22 itens da proposta dos bancários haviam sido objeto de estudos por uma semana e foram considerados “profundos” pelos banqueiros. Uma provocação aos trabalhadores.

O presidente do SinBancários, Olívio de Oliveira Dutra, estivera um dia antes, com Luis Inácio Lula da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, em Santa Maria. Queria chegar a tempo para comandar a assembleia de 1º de setembro, sábado, às 10h, no Auditório Araújo Viana, no Parque da Redenção.

Porto Alegre amanhecia a segunda-feira 3 de setembro em um clima de expectativa. Os bancários fariam como muitas outras categorias de trabalhadores e enfrentariam os banqueiros em uma greve? Três mil bancários decidiriam naquele sábado, 1º de setembro de 1979, que entrariam em greve a partir da quarta-feira, 5 de setembro. O estado era de paralisação e mobilização. No dia marcado para a greve começar, a greve se alastraria como rastilho de pólvora em todo o Estado.

Há exatos 40 anos, portanto, estava por começar aquela que seria a greve divisora de águas na história do SindBancários. Começava a greve que enfrentou a Ditadura Militar e nos ensinou a lutar. O presidente do SindBancários, Olívio Dutra, avisava após a assembleia: “O Sindicato somos nós”.

Reivindicações

> 86% de aumento

> Retroação da data-base para 1º de setembro

> Anuênio de Cr$ 500,00

> Estabilidade de um ano para todos os grevistas

Fonte: Imprensa SindBancários

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER