Marcando em cima – A hora do ataque à política

Momento crítico para a democracia brasileira, este que estamos vivendo. Mas interessante. Há um clamor de verde e amarelo contra a corrupção (em princípio a corrupção dos inimigos políticos, jamais a própria). Só que a vaia e a agressividade dos marchadores da Avenida Paulista contra Aécio Neves e Geraldo Alkmin pode indicar que a perseguição deixa de ser apenas ao PT, mas a todos. Isso é bom? Em princípio, seria. Mas pense: pode ser uma revolta contra todos os políticos, vistos de modo geral como corruptos.

Demonização da política e dos políticos é um erro, pela generalização, pelo vácuo que se cria e a consequente tentação autoritária, que faz cócegas em muita gente. Sobraria quem para assumir o papel de liderança ilibada?

Quem sabe o alto empresariado, encarnação da modernidade neolib, representante vivo do mercado? A imagem destes está sendo trucidada, dia a dia, pela Operação Lava-Jato. Que seja, a verdade faz bem.

E a mídia, tão indignada? Mas a mídia ela mesma pertence a grandes empresários – tão lotados de transações nebulosas, suspeitas e maracutaias, ao longo da sua história, quanto os outros… (sem falar na sua sempre ativa tendência golpista e antidemocrática).

Os militares? Ainda bem que, desta vez, parecem estar restritos às suas funções constitucionais, como deve ser.

Um político que prefere não se apresentar como tal, mas ostenta, com um sorriso levemente descontrolado, posições abertamente fascistas, machistas, homofóbicas? Mussolini reencarnado no país tropical? Difícil de ser engolido pelo imenso, multiétnico e multicultural Brasil. Mas – de pé atrás – vale lembrar que um membro de seu partido, autor da frase sobre “tudo o que não presta”, foi o deputado gaúcho mais votado.

A Justiça? Mas qual delas? A das deusas Justiça (romana) e Dice (grega), que têm os olhos vendados para não favorecer a ninguém e a espada ao lado, em caso de necessidade? Ou esta hoje dominante no Brasil, de roupas negras e que faz pender a balança apenas para o lado que politicamente lhe agrada?

Quem sobra? A classe média fardada com camisa amarela da CBF – aquela CBF cujos líderes estão sendo investigados pelo FBI? A classe média que inclui uma larga parcela de sonegadores de impostos, que leva vantagem sempre que pode, que cobra por fora na consulta, que suborna desde guardas de trânsito a fiscais de todo o tipo?

Resta apenas, em termos de integridade, o povo trabalhador, aquele que nas passeatas “coxinhas” só é visto empurrando o carrinho do bebê da alta classe média, ou carregando panelas de griffe para o patrão batucar.

No entanto, por paradoxal que seja, todos os que defendem e representam de fato e de direito o povo e a classe trabalhadora, se tornam os alvos preferenciais daqueles setores que, em última análise, criam, alimentam e sustentam, ao longo de muito tempo, a própria corrupção.

Quem defende os empregos?

Categorias profissionais em geral, e em especial trabalhadores de empresas públicas, precisam redobrar a atenção – mobilizados, de olhos bem abertos e as barbas de molho – para o debate que está em curso no Senado. O tal Projeto de Lei 555 pretende, na prática, privatizar grandes empresas estratégicas nacionais – incluindo o Banco do Brasil e a Caixa Federal.

Alguém tem dúvidas sobre quem defende o patrimônio público, os trabalhadores e seus empregos neste momento?

Japonês bonzinho. Só que não.

As ações cinematográficas e conjuntas da Polícia Federal-Ministério Público- Mídia, são adoradas por tantos, crentes na moralidade do agora-vai. Porém, o chato do STJ negou recursos do agente Newton Hidemori Ishi, o “Japonês da Federal” ou “Japonês Bonzinho”, famoso por aparecer sempre escoltando acusados da Lava-Jato. Newton foi condenado em 2003, por corrupção passiva e facilitação ao contrabando, na chamada Operação Sucuri.

Quem vai escoltá-lo?

Texto: José Antônio Silva, jornalista

 

 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER