Grande público prestigia lançamento do livro Teatro de Sombras
Sex, 25 de Novembro de 2011 15:59
Uma enorme fila se formou na entrada do Bar e Restaurante Farofa, onde aconteceu a sessão de autógrafos do livro “Teatro de Sombras: Relatório da Violência no Trabalho e Apropriação da Saúde dos Bancários”, lançado pelo SindBancários nesta quinta, dia 24. Cenário semelhante podia ser visto antes, no auditório da Casa dos Bancários, onde aconteceu uma mesa redonda com os autores dos artigos do livro.
Aproximando o conhecimento da academia e a experiência de funcionários de instituições financeiras, Teatro de Sombras é a materialização do empenho de bancários e profissionais em trazer para a reflexão a questão da violência organizacional, tão presente na vida da categoria e de outros trabalhadores. Com o livro, a entidade pretende superar os limites da organização sindical e das empresas, entidades, instituições e organizações, envolvendo também a sociedade nos debate sobre a saúde dos trabalhadores.
O presidente do SindBancários, Mauro Salles, lembrou que a Sindicato vem, nos últimos anos, dando prioridade à área da saúde. “Essa não é uma ação isolada. Já promovemos este ano um curso à distância sobre saúde do trabalhador, possuímos um enorme banco de dados com denúncias e casos de bancários que sofrem e sofreram com a violência organizacional, entre outras iniciativas. Também estamos desenvolvendo um software para organizar as informações e facilitar pesquisas que subsidiem mais trabalhos sobre o assunto.”
Mesa redonda
Coordenada por uma das organizadoras da obra, a assessora de Saúde do SindBancários Jacéia Netz, uma mesa redonda precedeu a sessão de autógrafos. Na parte da manhã, havia sido promovido um painel sobre violência organizacional no CineBancários.
O diretor de Saúde da Fetrafi-RS, Juberlei Bacelo, foi o primeiro a se dirigir ao público e elogiou o trabalho realizado pelo SindBancários na área da saúde, afirmando que o departamento da entidade é referência e instiga ações de outros Sindicatos.
Ele ainda analisou a iniciativa de lançar um livro e tentar envolver também a sociedade e informá-la da verdadeira realidade dos bancários. “Quem olha uma agência, acha que é um ambiente muito bom para se trabalhar. Mas a verdade é que os bancos preferem priorizar a estética de um prédio à saúde do trabalhador.”
O médico do trabalho, professor da UFRGS e organizador do livro, Paulo Antonio Barros de Oliveira, salientou a construção em conjunto entre academia e movimento sindical. “Fico muito contente como o processo foi conduzido, pois não é nada usual vermos universidade e sindicato e aqui, em toda as fases, da escolha da capa aos artigos, as decisões nunca forma unilaterais. O resultado é esse belo trabalho”, concluiu.
O doutor José Henrique de Faria expôs algumas das faces da violência no trabalho. “Comecei a pesquisar o assunto em 1978, com os metalúrgicos de São Paulo. Se na essência, a violência organizacional não se alterou, na forma vemos muitas mudanças. As empresas conseguiram disfarçá-la, por exemplo, na cobrança de metas e banalizá-la. O trabalhador, quando não consegue dar conta da demanda de trabalho, acaba se sentindo culpado e fica envergonhado disso perante aos outros colegas.”
A assessora de Saúde do SindBancários e mestra em Psicologia, Luiziana Schaefer, chamou a atenção para os casos que ela atende na entidade. “Quando escutamos os relatos dos bancários, temos que ter cuidado para não chorar junto com as pessoas.”
“Utilizei o banco de dados para a minha pesquisa e conseguimos levantar diversos dados,” contou a graduanda em Serviço Social, Manuela Fonseca. Segunda ela, as informações revelam que, a partir de 2008, o sofrimento psíquico começa a se equivaler ao LER/DORT e que a violência organizacional atinge todos os bancários, independente do sexo ou idade.
Já o doutor em Serviço Social e assessor Jurídico do Sindicato dos Bancários de Pelotas, José Ricardo Caetano Costa, analisou que a maioria dos artigos do livro falam sobre procedimentos nocivos que seus clientes em Pelotas lhe relatam. “Todos os bancários que passaram por mim com LER/DORT também estão com algum transtorno traumático. Está na hora do trabalho do bancário ser considerado um trabalho penoso, como acontece com tantas outras categorias e ter alguma forma de compensação, como uma aposentadoria especial”.
“Para subsidiar meu trabalho, fiz um questionário que foi respondido por mais de 600 pessoas. São comuns casos de violência camuflada pela política de assédio. Mais de 50% dos entrevistados afirmaram ter testemunhado algum caso, o que é um número muito alto. Quem testemunha também é atingido pela violência e tem a iminência de sofrer com ela no futuro”, afirmou a psicólogo e doutora em Psicologia Mayte Raya Amazzarray.
O advogado, professor e mestre em Processo Civil, Fernando Rubin, fechou as explanações. Ele também elogiou a iniciativa, pois entende que a sociedade e a magistratura precisam conhecer melhor a realidade dos trabalhadores. “Em razão de um número muito grande de processos ajuizados, se sucede um problema natural no Judiciário de em alguns casos haver a transferência do poder de julgar do magistrado para o perito. Por isso é importante saber quem será o perito oficial responsável por essas perícias acidentárias. Antes, quem fazia os laudos em matéria ortopédica era o Departamento Científico de Perícia Médica do RS, que simplesmente desconhece a existência da LER/DORT. Travamos uma luta contra o Departamento para que não fizessem mais perícias nessa área e em setembro deste ano, pela primeira vez, conseguimos um posicionamento mais explícito das câmaras competentes do Tribunal gaúcho, afirmando que há realmente pré-concepção do Departamento em matéria de LER, devendo outras provas do processo serem utilizadas para resolver o litígio. Agora, são nomeados peritos particulares, o que já é uma grande vitória.”
Fonte: Imprensa/SindBancários
Última atualização em Ter, 29 de Novembro de 2011 08:59
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