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Caminhada e show do Afro-Tchê fecham Semana da Consciência Negra no SindBancários PDF Imprimir E-mail
Qua, 23 de Novembro de 2011 15:27

Uma marcha pelas ruas do Centro da Capital e um show do Afro-Tchê fecharam a Semana da Consciência Negra no SindBancários. Enquanto a bateria do grupo botava todo mundo para dançar, o CineBancários exibia, com entrada franca, o filme Cafundó.  

As atividades tiveram início na segunda, dia 14, quando a entidade promoveu o painel “A Economia Política do Racismo no Brasil”, ministrado pelo doutor em Economia Pedro Chadarevian. Pedro explicou que persiste, há centenas de anos tanto no Brasil quanto em todo o mundo, uma hierarquização racial na sociedade e no mercado de trabalho. “A probabilidade de um negro ascender a postos de mais alta qualificação é extremamente reduzida”, observou.

Ele afirmou que o Brasil conseguiu vários avanços na luta contra a discriminação racial adotando políticas afirmativas principalmente na educação. “Já percebemos uma diversidade racial na universidade brasileira. Entretanto, são necessárias políticas afirmativas envolvendo também o mercado de trabalho. Nos países onde isso foi feito, as desiguldades foram revertidas. O Brasil acabou ficando para trás nesse ponto”, analisou.

A diretora do SindBancários Milena de Cássia de Oliveira entende que, com as políticas afirmativas na educação, o Brasil está garantindo que o negro possa se qualificar. “É necessário que também se tenha oportunidades dentro do mercado de trabalho. Se não, o negro vai continuar sendo o último a ser admitido e em uma crise qualquer, o primeiro a perder seu emprego”, conclui.

Além de homenagear os povos de origem africana, a Semana da Consciência Negra teve o objetivo de conscientizar, estimular o diálogo, promover a equidade racial e combater todas as formas de preconceito. São iniciativas que vão ao encontro das tantas bandeiras levantadas pelo SindBancários, entre elas, a de buscar a igualdade entre raças, gêneros e etnias.



 




Os negros nos bancos

Segundo estudo da subseção do Dieese na Contraf-CUT, com base em dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apenas 19,75% dos admitidos pelos bancos entre janeiro e setembro deste ano são afrodescendentes, sendo 2,74% negros e 17,01% pardos. Por outro lado, 73,49% se declaram brancos.

 

 

Os números relativos ao salário de ingresso médio dos contratados no período também são graves. Os negros entraram nos bancos recebendo um salário médio de R$ 1.685,83, pouco mais baixo que o dos pardos, de R$ 1.752,65. Enquanto isso, os brancos começam sua carreira ganhando R$ 2.743,91, um valor 62% maior. Os amarelos tiveram um salário ainda maior, de R$ 3.155,32.


Os números de contratados por ocupação também mostram a discriminação. Enquanto no nível de direção foram contratados apenas 0,6% de negros, nos níveis hierárquicos mais baixos essa presença aumenta: são 2,9% entre os escriturários e 5,1% entre os agentes, assistentes e auxiliares administrativos.


Realidade antiga

 

Os números do Caged mostram inalterada a realidade percebida pelo Mapa da Diversidade, pesquisa realizada pela Febaran, em 2009, após anos e anos de reivindicações do movimento sindical e que escancarou as discriminações no sistema financeiro.

 

Os dados mostravam que, embora os homens negros representem 17% da PEA no setor bancário, eles são apenas 11% dos empregados. A diferença se intensifica no caso das mulheres negras, que são apenas 8% entre os bancários, enquanto na PEA representam 18%. O total de negros empregados no sistema financeiro brasileiro é de 19%, enquanto os negros totalizam 35,7% da PEA.

 

Em termos de remuneração, a desigualdade também é flagrante. O salário de funcionários pretos corresponde a apenas 64,2% do salário dos brancos, mesmo sendo a escolaridade dos negros, equivalente à dos brancos, de acordo com dados do Mapa da Diversidade.

 

Desigualdade não é exceção

 

A discriminação não é exclusividade do sistema financeiro. De acordo com o Mapa da População Preta & Parda no Brasil, segundo os Indicadores do Censo de 2010, divulgado no último dia 14, pretos e pardos já são maioria em 56,8% dos municípios. Apesar disso, uma pesquisa realizada pelo Dieese aponta que pessoas negras recebem quase 40% menos por hora de trabalho do que demais camadas da população.

 

O principal motivo dessa desigualdade, segundo o estudo, é que a inserção dos negros no mercado de trabalho ocorre principalmente nas ocupações menos especializadas e pior remuneradas. Em 2010, 10,8% da população negra economicamente ativa trabalhavam como empregados domésticos. Entre a população que se declara branca e amarela, essa proporção é 5,7%.

 

 

Homenagem a Zumbi dos Palmares

 

A celebração do Dia da Consciência Negra, em dia 20 de novembro, é uma homenagem à memória de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, morto neste mesmo dia no ano de 1695, defendendo seu povo contra os abusos cometidos pela elite branca.

 

A homenagem ao líder negro foi estabelecida pelo Projeto de Lei 10.639, em 9 de janeiro de 2003, como forma de não deixar cair no esquecimento a luta por igualdade, infelizmente uma realidade ainda muito distante.




Fonte: Imprensa/SindBancários e Contraf/CUT

Última atualização em Qua, 23 de Novembro de 2011 16:14
 

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