O Jornal do Comércio destaca em sua edição desta segunda-feira, dia 21, o lançamento do filme Léo e Bia, que ocorre nesta terça, dia 22, a partir das 19h. A atividade contará com a presença de cantor e compositor Oswaldo Montenegro, responsável pela direção, roteiro e trilha sonora. Após a estréia, Léo e Bia entra em cartaz com sessões às 15h, 17h e 19h. Veja mais
> Confira a matéria do JC. Lançado primeiro filme de Oswaldo Montenegro: Léo e Bia
Marcelo Fontoura, especial JC
“Numa tarde quente eu fui me embora de Brasília/ Num submarino do lago Paranoá/ Quero ser estrela lá no Rio de Janeiro/ Namorando Madalena na beira do mar”. Pra longe do Paranoá, a música que abre o filme Léo & Bia (2010, 97 minutos), tem tudo a ver com o espírito desta que é a primeira incursão de Oswaldo Montenegro ao cinema. Além de dirigir e assinar o roteiro, o músico foi o responsável pela trilha sonora. Baseado em uma peça de teatro escrita em 1984 pelo artista, o longa diverte e surpreende pelas relações que faz com sua obra original, mesmo que em alguns momentos seja cansativo ou repetitivo.
A trama se passa em Brasília, em 1973, plena ditadura militar. Sete jovens formam um grupo de teatro e sonham viver da arte. Liderados pelo diretor Léo (Emílio Dantas), eles montam uma peça que compara Jesus Cristo e o cangaceiro Lampião. Dramas familiares e pessoais permeiam a trajetória dos amigos, que buscam no teatro uma forma de permanecerem unidos e seguirem seus sonhos.
O lançamento do filme em Porto Alegre acontece nesta terça-feira. Às 19h, no CineBancários (General Câmara, 424), responsável pela exibição do filme na Capital, acontece um coquetel especial com a presença de Montenegro. A obra já foi lançada também em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Alagoas, e recebeu os prêmios de melhor atriz (para Paloma Duarte) e melhor trilha sonora no Cine PE 2011.
É preciso deixar claro que Léo & Bia é, principalmente, uma experimentação. Uma tentativa de expressão em uma área inexplorada. “Eu fiz, no início, para ser uma experiência audiovisual. Nem chamava de filme. Foi um susto muito bom a crítica ter gostado tanto. Mas eu não tinha esta pretensão e continuo não tendo, não sou um cineasta”, destaca. Foi em razão disto que o projeto foi realizado sem nenhum tipo de patrocínio ou financiamento, sem uma pretensão maior.
A intenção de transpor a peça inicial, que foi vista por mais de 500 mil pessoas, para as telas era uma constante. Era necessário, no entanto, encontrar a equipe técnica correta, que se desse bem com a estética utilizada. O filme se passa todo no mesmo cenário, o local de ensaio dos jovens. Ao mesmo tempo, alguns recursos simbólicos aparecem algumas vezes, ajudando a expor os sentimentos presentes, recursos estes extraídos do teatro, como a divisão dos atores em dois planos - acontecendo algo completamente diferente em cada um -, ou o jogo das luzes. “Quando achei um elenco e uma equipe técnica querendo comprar essa briga, eu fiz. Era um filme barato, muito simples de fazer do ponto de vista da produção”, completa. A ambientação gerada por todas estas ideias é boa, com um intimismo destacado pela trilha (músicas de Oswaldo Montenegro interpretadas por Zeca Baleiro, Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Zé Ramalho, entre outros).
Ao mesmo tempo, apesar de algumas soluções não usuais, a história passa clara e sem dificuldades. As representações apenas ajudam, sem confundir, o que sempre foi intenção clara: “Eu quero uma experimentação que não dilua a história. É um filme que experimenta, mas que conta o que deve de maneira simples. Isso é uma obsessão pra mim”.
Oswaldo Montenegro teve bastante envolvimento com grupos de teatro no início da década de 1970 em Brasília, de modo que o filme tem muito de autobiográfico. Muitas destas referências foram misturadas. Personagens reais foram unidos em apenas um, outros foram inventados, e outros tiveram as características transpostas. A personagem Marina (Paloma Duarte) é baseada em Madalena Salles, flautista que acompanha o músico há 35 anos.
O cerne de Léo & Bia é a união e a afeição do grupo. “É, acima de tudo, uma homenagem à amizade. É um tributo ao afeto como a única possibilidade que o ser humano tem de ser feliz”, revela. Além de mostrar como os sete são muito amigos, o filme procura recuperar uma época em que, segundo o artista, o sonho coletivo, e não apenas individual, era algo muito presente: “Acredito que naquele momento histórico era possível e plausível sonhar junto. As pessoas tinham menos vergonha de sonhar. Nós estamos em uma época em que o individualismo parece ser a tônica, e ali é uma homenagem à ideia contrária, de que é possível fazer as coisas juntos”.
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