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Bancos desconsideram segurança e mandam tirar portas-giratórias das agências PDF Imprimir E-mail
Qui, 09 de Fevereiro de 2012 10:43

O descaso dos bancos em relação à segurança de clientes e funcionários ficou mais uma vez em evidência. Segundo matéria veiculada pelo Jornal Folha de São Paulo nesta quinta-feira, dia 9, Itaú e Bradesco iniciaram o processo de retirada das portas com detectores de metal das agências. De acordo com o jornal, a medida visa a diminuir os custos com os processos sofridos pelos bancos, devido a problemas no funcionamento do equipamento de segurança.

O Itaú confirmou a mudança e disse à reportagem da Folha, que irá retirar as portas giratórias em toda a sua rede de agências. O Bradesco negou oficialmente que esteja adotando a medida, mas casos de retirada do equipamento foram registrados pela reportagem.

Pioneiros na luta por mais segurança nos bancos, Porto Alegre foi a primeira cidade do país a aprovar uma lei sobre portas giratórias. A Lei n° 7.494, de 15 de setembro de 1994, foi a primeira do Brasil a exigir a colocação de portas giratórias com detecção de metais, para aumentar a segurança nos bancos, tanto para os bancários como para clientes e usuários.

Desde então, verificou-se uma redução nos ataques a bancos. O que houve foi uma mudança no modo de agir das quadrilhas, que sempre buscam outras formas de atacar os bancos ou os clientes. Mas a instalação das portas  comprovaram a sua eficácia.   

Na avaliação do diretor do SindBancários, da Fetrafi-RS e integrante da Comissão de Segurança Bancária, Lúcio Paz, a atitude dos bancos é irresponsável e mesquinha. “Sabemos que o custo com as ações deve ser ínfimo em relação à importância da porta giratória para a segurança das agências e postos bancários. Temos feito um amplo movimento no Rio Grande do Sul pela aprovação de leis municipais, que obriguem a colocação do dispositivo em todas as unidades e já garantimos essa legislação em vários municípios”, explica.

O dirigente sindical também observa que o número de ataques envolvendo instituições bancárias constitui uma das principais preocupações da categoria. “Tentamos de todas as formas possíveis garantir que os bancos assumam sua responsabilidade quanto à segurança de clientes, usuários e funcionários. Se os números já são elevados com os atuais dispositivos de segurança, imagine após a retirada da porta, que é um dos principais recursos para evitar ataques”, argumenta Lúcio Paz.

Mortes

Uma pesquisa nacional mostrou que 49 pessoas foram assassinadas em assaltos envolvendo bancos em 2011, uma média de 4 vítimas fatais por mês, o que representa um aumento de 113,04% em relação a 2010, quando foram registradas 23 mortes. O levantamento foi realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), com base em notícias da imprensa e apoio técnico do Dieese.

Abordagem equivocada

Segundo o diretor do SindBancários, as ações por dano moral refletem que a abordagem dos clientes está sendo feita de maneira equivocada. “As ações ocorrem devido a constrangimentos causados na entrada das agências. O equipamento é importante e funciona, mas os bancos precisam investir na manutenção das portas e no treinamento de pessoal para garantir que essa abordagem seja diferente. O dispositivo existe para garantir segurança. A sua utilização é que deve ocorrer da forma correta”, ressalta Lúcio Paz.

Fonte: Imprensa Fetrafi-RS

Última atualização em Ter, 14 de Fevereiro de 2012 09:56
 

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