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Os Residentes ganha destaque no jornal Zero Hora PDF Imprimir E-mail
Qui, 27 de Outubro de 2011 13:18

O filme Os Residentes, em cartaz no CineBancários, ganhou destaque na edição desta quinta-feira, dia 27, do jornal Zero Hora. O longa do mineiro Tiago Mata Machado ganhou estreia com exclusividade no CineBancários. As sessões diárias acontecem às 14h30, 17h e 19h30.


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CINEMA

Cinema brasileiro militante

 

Já nos créditos de apresentação, com a trilha em compasso marcial e tom de propaganda do realismo socialista, Os Residentes estabelece uma relação de provocação com o espectador. Tivesse este segundo longa do mineiro Tiago Mata Machado sido realizado 30, 40 anos atrás, esta provocação - ou confronto - poderia estar no discurso político panfletário, na rejeição à estrutura narrativa convencional, no diálogo com as artes visuais e na atuação performática que aproxima os atores de objetos cênicos.

 

Mas que tipo de confronto Os Residentes pode representar hoje reproduzindo o que Jean-Luc Godard fazia nos anos 1960 em filmes tão distintos como Viver a Vida, Pierrot le Fou e A Chinesa? Da estrutura fragmentada em capítulos do primeiro ao discurso político inflamado tão em sintonia com seu tempo dos outros, Machado, que também é crítico de cinema, tem como norte a reverência a Godard.

 

Em cena, um grupo de personagens - três deles interpretados por atores gaúchos: o diretor de teatro Roberto Oliveira e o casal de artistas e realizadores Gustavo Jahn e Melissa Dullius - ocupa uma casa. Com eles está uma criança e uma “artista” que é sequestrada para ser “reeducada”. Em breves esquetes, eles ensaiam uma guerrilha imaginária, discursam sobre política, estética e filosofia e, naquela que a melhor, mais inspirada e bem encenada sequência, o casal protagonista (Gustavo e Melissa) discute a relação.

 

A proposta de Machado não é de ação e reação, mas de ação e negação, ao ponto da exasperação. Mas, com um olhar para além das referências, percebe-se que a mais a provocação lançada por Os Residentes é atemporal. Diz respeito ao ato de fazer cinema. Hoje, no cinema brasileiro, está longe de ser um filme datado. Mostra-se relevante pela disposição em testar e expandir limites de uma arte cada vez menos disposta aos riscos. Mais que provocar, estimula no espectador uma reação, seja ela boa ou ruim, que vai além da inércia habitual.

 

marcelo.perrone@zerohora.com.br

MARCELO PERRONE

 

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