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“Os bancos estão sobrevivendo às custas da sociedade”, afirma economista Maria Alejandra PDF Imprimir E-mail
Sex, 27 de Janeiro de 2012 17:05

A economista Maria Alejandra Maji foi a atração da tarde desta sexta, dia 26, no SindBancários, pelo Fórum Social Temático. Classificando os bancos como mortos vivos – zumbis –, Maria Alejandra afirmou que o Sistema Financeiro está frágil e que as instituições só se mantém funcionando graças ao auxílio dos governos.

“O atual cenário econômico sinaliza uma recessão e que a crise econômica de 2008 ainda existe”, analisou. Segundo a economista, desde o final da década passada os bancos estão frágeis e hoje podem ser considerados uma caixa preta. “Não é possível olhar para a contabilidade dos bancos internacionais, é uma falsa realidade. E se a realidade for revelada, o BC terá que intervir e não dará conta de intervir em tantos bancos.”

Para a economista, a crise demonstrou o quanto o sistema financeiro no modelo atual é frágil e que os bancos estão vivendo às custas da sociedade. “Para proteger o Sistema Financeiro, os governos estão reduzindo gastos com saúde, educação e ainda ameaçam direitos individuais conquistados.”

Maria Alejandra chamou atenção para o fato do Sistema Financeiro, hoje, não ser formado somente por bancos, mas também por fundos de pensão, investimento, entre outros, e que a regulamentação do Sistema Financeiro precisa incluir essas instituições. Ela também acredita que uma mudança significa modificar o atual modelo anglo-americano, em que a Inglaterra e os Estados Unidos dominam as finanças internacionais. “Qualquer mudança precisa começar com eles”, conclui.

Os poderes do BC

A economista também questionou se as regras estipuladas pelas resoluções do BC brasileiro não deveriam ser distintos para bancos públicos e privados. Maria Alejandra ainda classificou como um “silêncio absurdo” o fato do Banco Central tentar regular a remuneração variável dos administradores dos bancos sem falar nas metas e na remuneração variável dos bancários, pois elas estariam todas relacionadas.

Quanto às resoluções do BC, se mostrou preocupada com a de nº 3954, que deu mais autonomia aos correspondentes bancários. “Há problemas no controle das atividades e na forma como a sociedade terá acesso a esses serviços. A proteção aos consumidores foi aviltada com essa resolução.”

Sociedade precisa se envolver no debate

A secretária-Geral do SindBancários, Rachel Weber, disse que o SindBancários teve muita satisfação para promover a Oficina. “Com certeza, teremos uma visão muito mais profunda sobre Sistema Financeiro depois dessa aula da Alejandra.”

“Desde o primeiro Fórum, fizemos oficinas sobre o Sistema Financeira Nacional e esse é um tema que não poderia faltar esse ano”, explicou o secretário de Comunicação da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr. Ele chamou a atenção para a necessidade da realização de uma conferência nacional do sistema financeiro. “Temos que envolver a sociedade, principal vítima do Sistema Financeiro, no debate.”

Para o diretor da Fetrafi-RS, Carlos Augusto Rocha, também vê a necessidade de democratizar o diálogo sobre o assunto. “O SFN ainda é um tema exclusivo dos bancários. São da categoria os dois projetos de lei que estão tramitando e buscam a regulamentação do Sistema Financeiro. Não pode, em um mundo como o de hoje, em um país como o Brasil, que o SFN seja regulamentado apenas por resoluções do BC e do Conselho Monetário Internacional”, comunicou.

Após a explanação de Maria Alejandra, o debate foi aberto ao público.

Fonte: Imprensa/SindBancários

Última atualização em Sex, 27 de Janeiro de 2012 17:43
 

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