Com apoio do CineBancários e Jornal Vaia, o grupo Dimensão Experimental apresenta, no dia 14 de abril, às 21h, o projeto “Música, Cinema e Memória”. Serão projetados e performados, com musical contemporâneo próprio e ao vivo, vídeos experimentais de artistas dadaístas e surrealistas como Man Ray, Fernand Léger e Marcel Duchamp . Durante a ação educativa haverá um debate com as diretoras de arte Gilka Vargas e Iara Noemi, ambas atuantes do mercado audiovisual de Porto Alegre desde 1996. O encontro tem como tema a importância histórica do cinema de vanguarda, pautando a influência estética dos vídeos experimentais no cinema atual.
O projeto, de autoria do grupo, formado por Klaus Farina (teclados/guitarras/flauta/programação eletrônica), Odair Silva (teclados e gaita de boca) e Rodrigo Endres (guitarras), foi lançado em setembro de 2010 na Sala de Cinema Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana. Neste ano, “Música, Cinema e Memória” acontece uma vez a cada três meses, sempre às quintas-feiras no CineBancários. SINOPSE DOS FILMES
Le Retour à La Raison de Man Ray, 1923, França, 2 min.
Mais um trabalho em Dadaísmo experimental do que um filme, Le Retour à la raison foi o primeiro filme a ser feito pelo artista surrealista, Man Ray. O artista nascido nos Estados Unidos fez o filme logo depois que ele se mudou para Paris no início de 1920 para fundar o movimento dadá. O filme é muito curto, mas inclui algumas imagens surpreendentes e evocativas. O início do filme ilustra uma técnica em que Man Ray foi pioneiro, na fotografia estática osrayograph (ou photogramme). Um objeto é colocado entre uma fonte de luz e o filme foto-sensível, em contraste com a fotografia tradicional, onde filmes fotográficos captam luz refletida por um objeto. Para Le Retour à la raison, de Man Ray procurou estender a técnica rayograph a uma imagem em movimento. Ele espalhou o sal e pimenta em um pedaço de filme, pinos na outra extremidade, iluminando a película e filmando sobre ela depois. As imagens resultantes se assemelham a uma estranha viagem sob efeito de drogas. Man Ray acrescentou sequências adicionais que incluem fotografias noturnas de luzes em um parque de diversões. Para os segundos finais do filme, Man Ray filmou algumas imagens do torso nu de sua modelo, Kiki de Montparnasse.
Filme: www.youtube.com/watch?v=dNYhgcV3o-E Ballet Mécanique de Fernand Léger, 1924, França, 11 min. Fernand Léger, foi um dos mais destacados pintores cubistas. Os seus quadros apresentam formas geométricas acentuadas e simplificadas, como cones e cilindros, denunciando a sua formação inicial em arquitetura e o fascínio pela civilização industrial do séc. XX. Ao contrário de Picasso ou de Braque, que viam na representação da mecânica do movimento apenas um meio para revelarem a mecânica da percepção, Léger devotou toda a sua vida ao estudo das formas das máquinas e dos objetos técnicos, acreditando sempre no poder de transformação da arte e na sua importância para o estabelecimento de uma sociedade mais justa e igualitária, baseada no progresso técnico e científico. Ballet Mécanique é difícil de descrever, tratando-se de um filme sem narrativa, no qual em muitas cenas a ideia de ballet surge associada à fluidez da performance humana. Uma sucessão estonteante de imagens desfilam perante os olhos: triângulos, círculos, reflexos da câmera em uma esfera suspensa em movimento, engrenagens mecânicas, entre outras formas aparecem entre um corte e outro, em constante movimento e transformação, criam uma complexa metáfora cinematográfica onde homem e máquina se fundem.
Nos quadros fixos nos deparamos com imagens caleidoscópicas em movimento e formas geométricas planas que remetem para o conceito gestáltico de figura e de fundo. Recorrentes, também, são as séries de movimentos que se repetem, que é um dos primeiros exemplos de loop-printing, uma técnica que se veio a tornar comum no cinema experimental dos anos 60.
Filme parte I: www.youtube.com/watch?v=9SgsqmQJAq0
Parte II: www.youtube.com/watch?v=tEBCJjQKoh0&feature=related
Cockeyed: Gems from the memory of a nutty cameraman de Alvin Knechte, 1925, EUA, 3 min. Alvin realizou neste filme de apenas três minutos experimentos de sobreposição de imagens através da subdivisão da tela. Utiliza efeitos surreais como um homem comendo uma lâmpada incandescente, pessoas, edifícios, carros, aviões, trens desaparecendo e reaparecendo entre as cenas intrigantes que, através do insólito, evidenciam a confusão e questionam a sanidade do expectador. Anemic Cinema de Marcel Duchamp, 1926, França, 6 min. Em 30 de Agosto de 1926, Marcel Duchamp (sob o pseudónimo Rrose Sélavy) apresenta "Anémic Cinéma" pela primeira vez ao público, num cinema de Paris. Filmado em conjunto com o amigo e artista Man Ray, "Anémic Cinéma" socorre-se do tal mecanismo ilusório provocado pelos "rotoreliefs", discos giratórios grafados com expirais alternados por uma série de trocadilhos dadaistas sem sentido que beiram o "non-sense".
H 2 O de Ralf Steiner, 1929, EUA, 12 min. Ralph Steiner (1899-1986) foi um fotógrafo americano e cineasta. Após sua graduação 1921 do Dartmouth College, onde aprendeu técnicas de fotografia, Steiner se mudou para New York e estudou na Clarence H. White School of Photography. Cada vez mais socialmente engajado, Steiner voltou-se para um estilo de documentário mais realista. A mudança é particularmente evidente em seus filmes. H 2 O (1929), por exemplo, faz o resumo do estudo inicial de água e luz. Um filme rápido e experimental composto em torno do tema da água em todas as suas formas. Um estudo das amostras de luz e texturas sobre a superfície da água, com um cunho poético enfatizando o ritmo e alterações através das qualidades visuais das imagens e da estrutura da edição. Quando o cineasta move a câmera mais próxima da superfície, as imagens tornam-se mais abstratas e visualmente dramáticas. Esta concentração de padrões de movimento, sombreamento e textura fazem de H 2 O uma obra prima.
Fonte: Grupo Dimensão Experimental com edição de Imprensa/SindBancários
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