Uma das conquistas mais significativas para o funcionalismo do Banco do Brasil na Campanha Nacional de 2010 - o Plano de Carreiras e Remuneração (PCR) - voltou a ser assunto principal de mais uma rodada de negociação permanente entre a Contraf-CUT, federações e sindicatos, assessorada pela Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, e os representantes da instituição financeira.
Iniciada na manhã de quinta-feira, dia 10, a reunião, encerrada por volta das 14h, também foi marcada pela apresentação do projeto das agências complementares. Os trabalhadores aprovam, com ressalvas, a chamada bancarização de comunidades e/ou municÃpios desassistidos por bancos públicos.
Na primeira parte da negociação, a segunda realizada este ano, os representantes do BB detalharam o PCR. Em slides, o banco apresentou um modelo de como será o extrato de pontuação por metas, que deve ser disponibilizado no Sisbb até 31 de março.
De acordo com a instituição financeira, mediante o exercÃcio de comissões, o funcionário terá uma pontuação diária para promoção por mérito. A cada 1.095 pontos, o bancário avança um nÃvel na tabela por mérito. A pontuação diária de cada comissão é definida de acordo com o Valor de Referência (VR) da comissão.
Os sindicalistas sustentaram o pedido de um adiantamento de valores com acerto na folha de abril próximo. O BB, porém, não admitiu a possibilidade desse pagamento.
Um dos negociadores do banco, José Roberto garantiu que a verba por mérito deve constar na folha de abril. Ao ser questionado pela CE sobre as dúvidas que surgirão em torno do PCR, o representante do BB admitiu a possibilidade de criar uma espécie de tira-dúvidas aos bancários. Ele não esclareceu se o canal de comunicação será por meio de e-mail e/ou de telefone. "Vamos montar um sistema para atender as dúvidas. Pode haver um grau de dúvida e de incerteza que será minimizado com nosso plano de comunicação", admitiu.
Com o PCR, alguns bancários podem receber reajustes de até 15,6%. O incremento na folha será retroativo a setembro, data-base da categoria. Quem perdeu ou abriu mão de comissão de 2006 para cá também será beneficiado na carreira de mérito.
Para o diretor de Formação do SindBancários e funcionário do Banco do Brasil, Ronaldo Zeni, o PCR é o primeiro passo de uma conquista há muito pretendida pelos trabalhadores do BB, o que significa a incorporação da comissão. "Precisamos avançar o histórico completo da carreira de cada trabalhador e também majorar os valores" destacou o dirigente.
Para Zeni essa é uma luta que persiste e o PCR não encerra a luta pelo Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS). "Precisamos corrigir diversas distorções com a nossa luta, como é o caso do piso do Dieese, a recomposição das perdas do FHC e a majoração do InsterstÃcio", conclui.
Na avaliação do diretor Pedro Loss, também funcionário do BB, a proposta é um pequeno avanço, mas existe uma necessidade, urgente, de o Banco do Brasil implementar um Plano de Cargos e Salários que condiza com o tamanho da nossa instituição financeira. "Precisamos dar perspectivas claras de carreira para todos os funcionários do nosso banco", completa o dirigente.  Â
Incorporados
Os bancários egressos dos bancos incorporados pelo BB serão incluÃdos no PCR, de acordo com os representantes do banco. Ao contrário dos demais funcionários concursados, que terão o seu histórico considerado desde 2006, os trabalhadores oriundos de outras instituições financeiras serão avaliados de forma diferente. O BB vai levar em conta o tempo a partir da migração desse segmento do funcionalismo.
Agências complementares
Para cumprir a meta de o BB estar presentes em todos os 5.465 municÃpios do paÃs até 2015, estabelecida ainda durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o banco apresentou aos bancários um resumo do projeto de implantação das agências complementares. O objetivo do banco é abrir 250 unidades até o final de 2011.
Apesar de aprovar a iniciativa de levar o banco aos pequenos municÃpios e, com isso, aumentar a inclusão bancária no paÃs, a Comissão de Empresa vê problemas no plano de expansão. As preocupações da CE vão desde as metas, a segurança e ao número reduzido de funcionários por agência. O BB quer apenas dois bancários por unidade, número é muito pequeno, que pode sobrecarregar um funcionário quando o outro ficar doente, por exemplo. Além disso, já que esse é um projeto social da instituição, não deveria ser exigida lucratividade desses postos.
A Contraf-CUT recomenda aos sindicatos de todo o pais debaterem o projeto e apresentarem suas sugestões e crÃticas à proposta que prevê a contratação de correspondentes como serviço complementar. Em paralelo, os sindicalistas informaram ao BB que irão denunciar os correspondentes bancários irregulares.
A próxima edição do Espelho nacional trará mais detalhes sobre o PCR e agências complementares. A revista publicará algumas das tabelas apresentadas pelo BB sobre a carreira de mérito.
Fonte: Imprensa SindBancários com informações Contraf-CUT
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