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Saúde

TUDO TEM LIMITE! TOLERÂNCIA ZERO COM A VIOLÊNCIA DOS BANCOS.

Escrito por Vinícius Rauber e Souza

Qui, 18 de Novembro de 2010 14:25
A campanha “Tudo tem limite! – Tolerância zero com a violência dos bancos” foi lançada dia 23 de outubro e tem muito trabalho pela frente. Há muitos dados que comprovam (veja abaixo) que a categoria bancária é das mais expostas a doenças físicas e psíquicas por conta do trabalho. A violência de seu cotidiano é a principal justificativa para isso.

Por violência, entende-se a prática do assédio moral, assédio sexual, a imposição das metas abusivas, as condições de trabalho adversas, as longas jornadas, o medo de assaltos, entre outras. Sem contar as “doenças profissionais” originadas por esforço repetitivo.

Para denunciar situações de violência, o bancário ou bancária pode utilizar os canais de comunicação criados para esse fim: o telefone 3433-1225, o e-mail [email protected] Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou acessar www.sindbancarios.org.br/index.php/contato/, onde um formulário está disponível. Se preferir, a pessoa pode se manter no anonimato.

Um grupo sindical e um grupo de apoio técnico estarão preparados para receber as denúncias e encaminhá-las. Além de dar solução aos casos que chegam ao sindicato, e de enfrentar de forma coletiva a problemática da violência, a campanha, ao final de um ano, poderá elaborar um relatório que possibilitará mapear a violência nos bancos e subsidiar ações políticas e jurídicas.

Dados

– Segundo dados do INSS, os bancários são a categoria que mais sofre LER/DORT;
– A cada 10 mil bancários, 520 adoecem em decorrência do trabalho que realizam;
– 30% dos bancários já sofreram algum acidente de trabalho;
– Segundo o INSS, do total de afastamentos por transtornos mentais por mais de 90 dias, 10% são bancários;
– 26% dos trabalhadores afastados com Síndrome do Túnel do Carpo (STC) são bancários;
– Desde sua implantação, em 2004, a Fiel Saúde (sistema de atendimento à saúde, do sindicato) reúne 1.186 fichas de atendimento (no sistema antigo, antes de 2004, foram mais de 4 mil atendimentos);
– Entre 2004 e maio de 2009, das 1.478 CATs (comunicações de acidente de trabalho) registradas no SindBancários, 920 era por LER, 294 por assalto, 141 de acidente de trabalho típico, 75 por sofrimento psíquico e 48 de trajeto.

Artigos:

Mudanças no Trabalho e na Vida de Bancários Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos: LER. 

Modos de Trabalhar e de Ser na Reestruturação Bancária.

Cargas de Trabalho e Evidências de seu Impacto sobre a Saúde de Trabalhadores em Bancos: estudo de caso em quatro instituições financeiras em Porto Alegre.

Saúde Mental e Trabalho: uma reflexão sobre o nexo com o trabalho e o diagnóstico, com base na prática.

Prevalência do Estresse Ocupacional em Trabalhadores Bancários. 

Lesões por Esforços Repetitivos em bancários: reflexões sobre o retorno ao trabalho.

Mal-estar no Trabalho: análise da cultura organizacional de um contexto bancário brasileiro.

Reestruturação Produtiva no Setor Bancário Brasileiro e Sofrimento dos Caixas Executivos: um estudo de caso.

Depoimentos:

  • Está ficando insustentável o dia a dia de trabalho na minha agência, com a forma de condução de nosso trabalho pela Gerente Geral, pois são reuniões diárias e mensais com muita falta de respeito, que considero assédio moral, como por exemplo, coisas ditas como, pedir para um colega trazer um relho para agência (…) São umas barbaridades, uma falta de respeito. Eu estou doente em tratamento para ansiedade, causada pelo estresse do dia-a-dia.
  • Trabalho no banco cerca de seis anos e por esse tempo nunca vi o caos que estamos passando, sei que é pouco tempo de empresa, mas tenho conversado com outros funcionários e todos têm o mesmo pensamento(…) Pessoas insatisfeitas, desmotivadas, adoecendo e pedindo a conta por não agüentar mais a situação de tanta pressão que estamos vivendo. Os gestores estão exterminando sem pena alguma os “colaboradores” da região (…) ficamos em uma agência até as 20hs e sem horário de almoço, muitos de ponto batido para não gerar hora extra (…)Creio que esse deve ser o pior ano de toda a minha carreira bancária e por não ter confiança dos métodos usados pelo gestor, não tenho coragem de fazer o feedback, pois tenho medo do que ele possa fazer comigo e com os outros funcionários (…) Esse é só um desabafo de uma pessoa que não suporta mais as injustiças (…) é de quem já levanta para trabalhar esperando o pior do dia, que sai de casa pedindo para Deus coisas melhores (…) Não está sendo fácil trabalhar no banco, realmente só fica os melhores mesmo, os fortes. Pois os colaboradores estão ficando doentes, deprimidos, a saúde metal e física está sendo comprometida.
  • Não bastasse o clima terrível que está nessa agência até agora, após as denúncias de abuso do gerente adjunto e o recente assalto ocorrido, agora o gerente geral resolve agravar ainda mais a situação ao invés de tentar amenizá-la. Eu não sei onde o banco vai parar desse jeito. Ao que parece, não é mais suficiente gerarmos estes balanços astronômicos e lucros exorbitantes aos acionistas, além disso também temos que sofrer lavagem cerebral para nunca reclamar do que acontece no dia-a-dia e não conversar com os colegas, mesmo que seja só para desabafar. Daqui a pouco estarão nos questionando do porquê de termos pensado isto ou aquilo em dado momento.
  • Mais uma vez os patrões estão usurpando nossos direitos. Estão boicotando o novo relógio de ponto que imprime o comprovante para o trabalhador. Querem continuar roubando nossas horas extras. O Ministério do Trabalho esta se curvando diante dos patrões! que vamos fazer a respeito?!
  • Gerente da agência nos cobra metas diárias abusivas, de forma grosseira. Há excesso de trabalho e o Gerente não tem postura para realizar a cobrança dos funcionários. O ambiente de trabalho está insuportável!
  • Tu é tratado como se tu fosse invisível, como se tu não servisse mais pro banco. Então,as pessoas te tratam bem, mas te olham de uma outra maneira, sabe? (…) eles te colocam como se tu fosse invisível (…) Uma vez eu ouvi da minha Gestora…da minha Gestora, não! Da secretária dela “tu não vê que tu é uma funcionária cara”?(…) Se eu sou uma funcionária cara, vou continuar sendo porque o banco é responsável por mim. Então, eu acho que o assédio por não ser mais um funcionário servil e disponível pro banco é grave
  • Passei por situações de isolamento, fui vítima de fofocas, descrédito, considerada como alguém sem espírito de cooperação, afimaram que eu estava com baixo rendimento e poderia perder minha função de caixa. Tudo isso causou-me forte sofrimento emocional, e até dores físicas.Sou motivo de críticas de colegas Caixas, Gerentes e Assistentes por fazer pausa de 10 minutos após às 16h, quando não há mais cliente esperando nas cadeiras, sendo que teria direito a 10 min de pausa a cada 50 minutos trabalhados no caixa. A NR 17 não é respeitada. Os colegas sentem-se sobrecarregados por culpa minha. Sinto-me constrangida quando vou ao banheiro ou leio emails (…) Tenho feito minha parte, tenho filho de 1 ano e sacrifiquei a amamentação para trabalhar até mais tarde. Minha agência “não tem estrutura” para que eu saia alguns dias às 18h. Chego à agência mais cedo em alguns dias da semana e saio mais tarde quase todos os dias
  • Cobrança abusiva das metas pela manhã e a tortura psicológica tem outra sessão à tarde. Desrespeito à pessoa, pois pensam que somos máquinas.
  • Estou ansioso (peito doendo, coração acelerado), triste e com medos diversos. Estou com sintomas leves de Crise do Pânico. Faço terapia com Psicóloga, tomo medicamentos (…) Me sinto um fraco tendo que tomar tanto remédio, mas não consigo ficar sem… O problema são os rolos que somos obrigados a fazer. O Gerente Geral começa a receber torpedos de manhã cedo do Superintendente Regional e vai nos repassando, isso segue o dia inteiro. A cobrança é muito grande. Isso tudo sem contar os e-mails, as notas técnicas, as mensagens corporativas e os desafios diários (principalmente em créditos, tarifas e seguros).
  • O clima na agência está péssimo. Os funcionários estão desmotivados e sobrecarregados de trabalho e em nenhum momento isto é reconhecido. O trabalho que cada um executa precisaria de, no mínimo, duas pessoas para executar com agilidade e corretamente (…) todos os dias são mais cobranças e pressão. Cada meta não cumprida, gera uma ‘enorme decepção’, aumentando as ameaças de demissão. É comum vermos colegas chorando ao longo do dia.
  • O diálogo deixou de existir no banco em que trabalho. Hoje a coisa funciona como no filme Tropa de Elite: temos líderes corruptos (eticamente falando) que incitam esta mesma quebra de ética para seus subordinados (…) Tenho aproximadamente 25 anos de banco e nunca senti o medo e angústia que sinto hoje (…)Estão destruindo o Banco e criando uma cultura organizacional de perversidade.
  • Estamos sofrendo assédio moral BRUTAL por parte de uma gestora. O Ambiente de trabalho está horrível! Uma funcionária precisou ir embora hoje, pois passou muito mal na agência, teve uma crise nervosa.
  • O Supervisor da agência em que trabalho vem ameaçando os funcionários. Na avaliação, inventou histórias absurdas! Já foi conversado com Gerente Adjunto a respeito, mas este não tomou nenhuma providência.
  • Sou bancário aposentado,mas continuo na ativa. Estou sendo boicotado pelo meu Gerente Administrativo. Fui transferido de andar, sem ser avisado, e estou trabalhando em um local onde não tem computador funcionando, sem luz, sem telefone e sem impressora.
  • O Gerente Geral da minha agência está assediando moralmente os funcionários. Faz constantes ameaças de demissão – já demitiu dois funcionários três meses após ter assumido o cargo. Não permite nem que os colegas almocem juntos, alegando que não se deve misturar trabalho e amizade.
  • Nos estipulam metas diárias para venda de produtos a qualquer custo – com dedo na cara de quem não vendeu o produto do dia.
  • O mobiliário é inadequado – de cada dez cadeiras, nove estão estragadas; falta material de expediente; persianas estão sujas, não são limpas há muito tempo; o banheiro está estragado…
  • Nosso horário de almoço é reduzido, variando a partir de 15 a 40 minutos em dias movimentados, nunca fechando uma hora. O funcionário que reduz o almoço, indiferentemente de ter cumprido seu horário, acaba fazendo hora-extra, pois não é liberado após fechar seis horas.
  • Meu colega morreu por parada cardíaca. Ele estava sofrendo e sendo humilhado dentro do banco. Na semana anterior à sua morte, a intensidade das humilhações foi muito grande.
  • Somos obrigados a fazer horas extras todos os dias, às vezes das 7 as 9h da noite, prejudicando nossos estudos e nossa saúde. Assim como passamos por humilhações para chegarmos às metas inatingíveis.
  • Na agência trabalha um cadeirante e não tem banheiro adaptado.
  • Estamos sofrendo terrorismo por parte da Gerência Geral. Fomos obrigados a assinar e carimbar uma circular nos obrigando a entrar as 9 da manhã e sair as 18 horas…e estamos sofrendo assédio moral dos gerentes para que não descumpramos esta carga horária abusiva.
  • Entrei na empresa justamente porque me ofereceram uma carga horária de 6h diárias, me permitindo então ter outros afazeres. Mas hoje a situação está insustentável, pois somos pressionados a trabalhar de 8h a 10h por dia, estamos brigando e discutindo entre nós (funcionários), o clima no trabalho é insuportável.
  • Os caixas da agência não fazem os dez minutos a que têm direito a cada 50 minutos trabalhados (…) se queixam de dores nas articulações.
  • A pressão para cumprir metas individuais é grande…metas estão sendo cumpridas por uns de forma canibalística, arrancando dos clientes verbas para adquirir produtos que não querem(…) se não vender, tá ferrado! Ameaças são constantes.
  • A agência não está atingindo as metas. O gerente, nas reuniões, está mandando funcionários procurarem outro emprego se não atingirem as metas em poucos meses.
  • Há pressão psicológica no cumprimento de metas. Recebemos Nota Pessoal de hora em hora. Não é força de expressão “hora em hora”, é fato. Nos celulares também as mensagens lotam a caixa de entrada(…)enfim, está virado num campo de concentração(…)é um massacre mental que, por consequência, dá uma sensação de fracasso e incapacidade.
  • Hoje fui marcar os abas e ouvi:’como queres aba se não vendeste nenhuma capitalização este mês?!Se tu não gosta de dinheiro eu gosto e quero receber as comissões que são pagas’. O gerente só sabe contabilizar quanto vai receber de comissão no final do mês
  • O Superintendente Estadual tem realizado ameaças de descomissionamento de gerente que não estiverem cumprindo metas diárias e por pessoa, além de notas técnicas pessoais cobrando as metas, nas reuniões com os Gerentes e Superintendente Regional, este ameaça Gerente Geral e Gerência Média. A orientação repassada pelo Gerente Geral é focar nas vendas, as quais devem ser informadas por cada funcionário ao final do dia. A partir disso, é realizado ranking dos funcionários e enviado para todos, via nota pessoal, os nomes dso funcionários que venderam e os que não venderam, uma forma de humilhação para aqueles que não conseguem vender na quantidade em que o banco quer diariamente. Todos os dias recebemos correio dizendo que temos que ter velocidade nas vendas, que não estamos conseguindo atingir tal produto, que devemos engavetar as demandas dos clientes que não forem relacionadas a vendas, para não gastar tempo e energia com demandas que ‘não são importantes’, e quando o cliente nos cobra sua demanda, precisamos dar desculpas e pedir a compreensão dele.
  • Câmeras de segurança dos elevadores não estão funcionando. Teriam outras câmeras no prédio também com problemas, mas não consegui descobrir quais. Saúde: A reforma em um andar está levando diariamente cheiro quase insuportável de solda/queimado para outros andares pela tubulação de ar.
  • Inúmeros funcionários devem estudar em casa e o chat com a monitora do curso é das 20:00 às 20:45. De acordo com a justiça do trabalho este tempo tem que ser pago como hora extra.
  • Minha cadeira de caixa quebrou. Solicitei uma nova. Recebi uma com problemas, pois já na primeira semana quebrou. Solicitei outra. Mandaram-me uma cadeira torta. Devolvi e solicitei uma NOVA. Mandaram-me a mesma cadeira de volta e eu devolvi. Solicitei novamente uma NOVA. As cadeiras de caixa são velhas e fazem mal a saúde do funcionário. Os guichês de caixa também são prejudiciais a saúde do funcionário.
  • Todos os funcionários das agências do banco foram convocados para trabalhar no sábado e domingo. Além disso, tiveram suas férias de janeiro e fevereiro canceladas. Há boatos, também, que irão trabalhar no feriado do carnaval.
  • Gestão indevida! Um de nossos gestores atuais administra nossa agência a seu bel prazer. Enche a boca pra falar das normas quando lhe são de interesse, porém parece desconhece-las totalmente em caso contrário.
  • Horário de almoço é reduzido, variando a partir de 15 minutos até 40 minutos em dias movimentados, nunca fechando uma hora. O funcionário que reduz o almoço, indiferentemente de ter cumprido seu horário, acaba fazendo hora-extra pois não é liberado após fechar seis horas
  • Férias! Muitas agências estão organizando escala de férias de acordo com as regras do gestor e não do LIC. Exemplos do abuso são: proibição de parcelamento de férias na agência; férias no verão de apenas 20 dias, sem possibilidade de gozo do período restante; negar férias em período que apenas um outro funcionário está de férias, sendo os dois de cargos distintos.