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Uso de explosivos cresce quase três vezes em 2018 com mais um caso de escudo humano. Desta vez teve sequestro de trabalhadores

Não há limites para os criminosos, especialistas em ataques a bancos, inovar em suas ações diante de uma política falida de segurança pública do governo do Estado. Na madrugada da terça-feira, 6/3, a agência do Banco do Brasil no Centro de Santa Clara do Sul foi explodida. Os criminosos levaram dinheiro dos caixas eletrônicos arrombados, mas voltaram a usar escudos humanos. Desta vez, a ousadia foi ainda maior, assim como o risco para as vítimas. Eles se aproveitaram que um ônibus lotado de trabalhadores passava pelas imediações, sequestraram e usaram os passageiros como escudos humanos.

Esse foi o 36º ataque a banco do ano no Rio Grande do Sul, segundo o acompanhamento realizado pelo SindBancários com base nos casos publicados pela imprensa, nos relatos de dirigentes sindicais e bancários. No mesmo período do ano passado, ou seja, até a madrugada de 6/3, houve 29 ataques a bancos. O crescimento da violência bancária é de 24,1% de 2017 para 2018. O fenômeno de crescimento dos ataques a bancos vem se manifestando desde o início do ano (leia aqui).

Além dos casos de violência direta com esse modus operandi das quadrilhas em que usam escudos humanos para explodir caixas eletrônicos de agências bancárias, o uso de explosivos cresceu perigosamente. Já são 20 registrados este ano contra oito no mesmo período de 2017, um crescimento de quase três vezes ou 250%.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, diz que o crescimento do volume de ataques a bancos expõe o fracasso da política de segurança pública do governo Sartori. Foi um governo que reduziu os investimentos em contratação de policiais militares, cortou verba para horas extras e até da gasolina das viaturas. “Nós dissemos que política de cortes repercutem na qualidade de vida da população. Foi o que aconteceu. De madrugada, trabalhadores chegando em casa ou saindo para o trabalho viraram reféns de assaltantes que estão por explodir uma agência bancária. É risco de morte para quem só queria ir trabalhar ou chegar em casa”, avaliou Gimenis.

O presidente do SindBancários, lembrou que, em 2016, o SindBancários entrou com duas liminares na Justiça pedindo que as agências bancárias ficassem fechadas porque os policiais militares, sem estrutura para trabalhar, ficaram aquartelados. “Nossa sugestão é que, diante da falta de investimento público em segurança e da falta de fiscalização para o cumprimento de leis de segurança bancária, as prefeituras e o governo do Estado obriguem os bancos a retirar o dinheiro dos caixas eletrônicos de noite. Tememos que haja alguma tragédia se aproximando. Outro dia uma pessoa foi morta em um assalto a banco no Estado. Com explosivos não se brinca. Pode ocorrer mais tragédias porque muitos bancos ficam embaixo de prédios usados como moradia”, alerta Gimenis.

Everton Gimenis se referiu ao ataque simultâneo às agências da Caixa e do Banco do Brasil por uma quadrilha em 8 de dezembro do ano passado em Arvorezinha. Após fazerem reféns em plena luz do dia, os criminosos trocaram tiros com a polícia. Um refém foi baleado e morto.

Ataques a bancos em 2018

Março 2018

1. Dia 01: Banrisul (São José do Hortêncio). Criminosos usaram dinamite para invadir agência pela porta da frente. Segunda dinamite não explodiu em caixa eletrônico, e quadrilha fugiu sem levar nada.

2. Dia 01: Banrisul (Porto Alegre). Quatro criminosos atacam a agência Vila Nova. Três deles invadem, armados de revólveres, rendem os vigias e levam dinheiro dos caixas.

3. Dia 02: Banrisul (Piratini). Grupo fortemente armado, dispara tiros de fuzil de madrugada, mantém comerciante refém e explode dois caixas eletrônicos para levar dinheiro.

4. Dia 02: Banco do Brasil (Três Palmeiras). Assalto com criminosos formando cordão humano e incendiando carros para a fuga.

5. Dia 02: Banrisul (Braga). Criminosos invadiram agência, rendeream bancários e fugiram com dinheiro dos caixas.

6. Dia 03: Banco do Brasil (Taquari). Criminosos explodiram agência do Banco do Brasil, fizeram escudo humano com moradores e fugiram com reféns.

7. Fim de semana: Banco do Brasil (Guaíba). Criminosos arrombam cofre de agência com serra industrial e levam dinheiro. Furto só foi percebido na manhã da segunda-feira, 5/3.

8. Dia 06: Banco do Brasil (Santa Clara do Sul). Criminosos sequestram ônibus com trabalhadores para servir de escudo humano e explode caixas eletrônicos para fugir com dinheiro.

Fevereiro 2018

1, 2 e 3. Dia 01: Banco do Brasil, Banrisul e Sicredi (Mata). Bando atacou com explosivos o Banco do Brasil e o Banrisul, e levou uma quantia em dinheiro não especificada. A agência do Sicredi também teve o vidro quebrado, mas os criminosos não levaram nada. Fuga, miguelitos na pista e escapada. Novo Cangaço.

4. Dia 02: Banrisul (Barra Funda). Antes de explodir caixas eletrônicos, criminosos realizaram disparos para amedrontar moradores da cidade.

5. Dia 02: Banrisul (São Martinho). Criminosos arrombaram agência a machado, danificam caixas eletrônicos, mas não conseguem abrir o cofre. Fogem sem levar nada.

6. Dia 02: Sicredi (Quatro Irmãos). Tentativa de assalto. Quadrilha troca tiros com a BM e foge.

7. Dia 05: Itaú (Novo Hamburgo). Criminosos fazem buraco na parde de agências e não levam nada.

8. Dia 11: Banrisul (Portão). Criminosos arrombam caixa eletrônico com maçarico e levam dinheiro.

9. Dia 21: Banco do Brasil (Pouso Novo). Alarme soa com entrada de criminosos na agência e frustra ataque a caixas eletrônicos.

10. Dia 23: Banrisul (Araricá). Criminosos atacam agência e são presos durante fuga pela BM.

11. Dia 23: Sicredi (Porto Alegre). Criminosos atacam agência no Centro (Alberto Bins), rendem vigilantes e levam dinheiro dos caixas.

12. Dia 23: Banco do Brasil (Bom Princípio). Tentativa de furto em que criminosos usam maçaricos para abrir caixas eletrônicos e não levam nada.

13. Dia 27: Banrisul (Imbé). Alarme dispara em caixa eletrônico que fica em um local junto a supermercado e afugente criminosos que tentaram arrombamento com maçarico. Eles fogem sem levar nada.

Janeiro 2018

1. Dia 01: Banco do Brasil (PoA). Posto do BB no bairro Jardim Botânico foi arrombado na virada do ano. Foi sexto ataque em menos de três meses.

2. Dia 04: Bradesco (PoA). Agência Partenon do Bradesco foi arrombada na madrugada. Sindicato interditou até consertos de portas. Criminoso levou uma CPU da agência.

3, 4 e 5. Dia 06: BB, Banrisul e Caixa (Butiá). Dez homens encapuzados pararam Centro da cidade. 2 pessoas feridas a bala. Explosões nos três bancos – Novo Cangaço.

6. Dia 07: Sicredi (Horizontina). Tentativa de arrombamento da agência.

7. Dia 09: Banrisul (Mariana Pimentel). Criminosos explodiram caixas da agência na madrugada. Troca de tiros com polícia.

8 e 9. Dia 11: Sicredi e Banrisul (Sede Nova). Três criminosos explodiram as duas agências próximas, na madrugada, não conseguiram acessar o dinheiro dos caixas e fugiram.

10. Dia 14: Banrisul (Viamão). Criminosos invadiram posto de combustível na madrugada e arrombaram terminal do banco. Fizeram reféns e terminaram fugindo com o dinheiro.

11. Dia 18: Banrisul (Taquari). Criminosos usam explosivo para arrombar e levar dinheiro de caixa eletrônico em centro comercial.

12. Dia 19: Sicredi (Quevedo). Arrombamento de caixa eletrônico com pé de cabra.

13. Dia 31: Sicredi (Canudos do Vale). Na madrugada, criminosos invadiram agência por uma janela lateral mas fugiram sem levar nada.

14. Dia 31: Banrisul (São Jorge). Na madrugada, ladrões explodiram caixas da agência mas não acessaram o dinheiro.

15. Dia 31: Banrisul (Lindolfo Collor). Grupo de criminosos atacou agência na madrugada, explodiu caixas, fez reféns e fugiu com o dinheiro.

Crédito foto: Polícia Civil

Fonte: Imprensa SindBancários 

Escrito por Clóvis Victoria

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