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Trabalhadores celebram Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho com denúncia do aumento de riscos

Na sexta-feira, 28/4, dia em que o Brasil vai parar em protesto contra as propostas de reformas da Previdência e trabalhista, além de diversas outras ameaças aos direitos dos trabalhadores que tramitam no Congresso Nacional, também se celebra, no Brasil e em vários países, o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho. A data foi estabelecida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para lembrar a morte de 78 trabalhadores na Virgínia, nos Estados Unidos, após a explosão de uma mina, no dia 28 de abril de 1969.

“Neste ano, o 28 de abril é marcado por intensas lutas da classe trabalhadora para evitar retrocesso em direitos sociais conquistados ao longo de anos e coincide com a convocação da greve geral para barrar as reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo governo Temer”, afirma Walcir Previtale, secretário de Saúde do Trabalhador da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

 Aumento do risco

No Brasil, a Contraf-CUT, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e as demais centrais sindicais celebram o dia e chamam a atenção para o aumento dos casos de doenças e mortes relacionadas à rotina estressante de trabalho.

Em entrevista para a Rede Brasil Atual, a médica e pesquisadora da Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), Maria Maeno, abordou o assunto da terceirização e a sua relação com o aumento dos acidentes de trabalho. Segundo Maeno, pesquisas mostram que a terceirização aumenta a probabilidade de se morrer no trabalho, e é totalmente compreensível que a segurança e a saúde dos trabalhadores terceirizados sejam mais vulneráveis em uma relação de desigualdade crescente entre os donos do capital e os trabalhadores, em que mais do que nunca, os interesses econômicos prevaleçam sobre a vida e a saúde dos que trabalham.

“Com a nova Lei das Terceirizações, que permite a contratação de trabalhadores terceirizados até para as atividades-fim das empresas de todos os setores, e a possibilidade de aprovação da reforma trabalhista (PL 6787/2016) e da reforma da Previdência, que obrigará as pessoas trabalhar até no mínimo 65 anos, os riscos de acidentes de trabalho devem aumentar ainda mais”, alerta Previtale.

É por isso que o tema das mobilizações e dos debates promovidos pelos trabalhadores este ano será “A Reforma Trabalhista Aumentará Acidentes, Doenças e Mortes no Trabalho”.

Os efeitos da organização do trabalho e das formas de gestão adotada pelos bancos, que prioriza somente o lucro, com metas cada vez mais altas em detrimento da saúde dos empregados atinge em cheio a categoria bancária.

“A realidade dos bancários e bancárias é de adoecimento e afastamentos prolongados do trabalho, ocasionados, sobretudo, pela inexistência de políticas de prevenção, pela intensificação dos processos de trabalho, com cobranças diárias pelo atingimento de metas e extrapolação de jornada de trabalho”, alerta o secretário de Saúde da Contraf-CUT.

Segundo Previtale, a luta pela defesa da saúde dos bancários e bancárias é uma luta cotidiana, que ultrapassa fronteiras entre patrão e empregado. Passam, também, pelo fortalecimento de políticas públicas de Estado, pela defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), pela modificação e implementação da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSST), pela implementação das Convenções da Organização Internacional do trabalho (OIT) e, principalmente, pelas garantias dos princípios da Seguridade Social, prevista na Constituição Federal brasileira.

“São patamares importantíssimos que garantem direitos fundamentais da classe trabalhadora quando vítima de um acidente ou doença relacionada com o trabalho. É por isso que combatemos as propostas de reformas trabalhista e da Previdência que tramitam no Congresso Nacional. Se aprovadas elas acabam com o patamar mínimo existente de direitos dos trabalhadores que perdem a sua saúde ou sofrem acidentes de trabalho”, enfatiza o dirigente sindical.

 

Fonte: Contraf-CUT

Escrito por Clóvis Victoria

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