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SindBancários aponta irregularidades na venda de ações do Banrisul em Tribuna Popular da Câmara de Vereadores

A peregrinação da diretoria do SindBancários para tirar da obscuridade e dar a transparência que faltou às vendas de ações do Banrisul realizadas pelo governo Sartori em conluio com a diretoria do banco público dos gaúchos teve dois atos parlamentares na quinta-feira, 24/5. O primeiro, pela manhã, na Assembleia Legislativa e o segundo, à tarde, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Na Tribuna Popular que ocupou por cerca de 10 minutos, o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, apresentou uma narrativa sobre a venda de ações a vereadores que incomodou a bancada do MDB, o partido do governador Sartori.

A participação do presidente do SindBancários na Tribuna Popular foi uma proposição da vereadora Sofia Cavedon (PT) e foi transmitida ao vivo na página do SindBancários no facebook (assista ao final deste parágrafo). A sessão foi presidida pela vereadora Mônica Leal, vice-presidenta da Câmara de Vereadores. A narrativa do presidente levantou questões que permanecem sem serem explicadas a respeito da venda dos papéis do Banrisul em 10 e 27 de abril na B3, a Bolsa de Valores. “O governo anunciou numa sexta-feira que tinha desistido de vender ações do banco, mas, na terça-feira seguinte, vende ações sem direito a voto. No dia 27/4, num pregão de 15 minutos, houve uma nova venda em que o valor da ação foi 31% menor do que a cotação do dia anterior”, detalhou Gimenis.

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Publicado por SindBancários de Porto Alegre e Região em Quinta-feira, 24 de maio de 2018

Nessas duas vendas de ações, seguiu o presidente do SindBancários, um agente do mercado financeiro ocupava a direção administrativa do Banrisul. Ricardo Hingel, inclusive, era diretor do Banrisul quando a governadora Yeda Crusius vendeu pouco menos da metade das ações do Banrisul em 2007. E o mais interessante: antes de voltar a integrar a diretoria responsável pela venda dos papéis em 2018, trabalhou como funcionário da Corretora BTG Pactual.

Para entender o que significa citar o nome da BTG Pactual é preciso prestar atenção no processo de venda de ações de 27 de abril. Nesse dia, num pregão de 15 minutos na B3, foram negociadas ações com direito a voto. A Corretora BTG ficou com um lote de ações enquanto a Brasil Plural com a maior parte. Há diretores da Brasil Plural que fazem ou fizeram parte da diretoria da BTG Pactual.

É de se perguntar se um pregão tão rápido sem que o mercado soubesse com antecedência, feito de forma afobada, não gerou prejuízo ao erário público? E prejuízo ao Banrisul como gestão temerária? Parece claro que as ações com direito a voto, negociadas em 27 de abril por R$ 18,65, poderiam ter tido um preço mais elevado no pregão, afinal o preço médio das ações do Banrisul foi de pouco mais de R$ 25, cerca de 31% superior, no dia anterior.

Foi justamente esse questionamento que o presidente do SindBancários fez da Tribuna da Câmara de Vereadores. “Não resta dúvida que as duas operações não atenderam o interesse público porque não houve transparência. Isso mostra que pode ter havido uma intenção de baixar o valor das ações para que um ou poucos compradores direcionados pudessem ter o privilégio de comprar. Por isso denunciamos na CVM (Leia aqui) e pedimos investigação sobre informações privilegiadas”, explicou Gimenis.

Defesa do Banrisul

A vereadora Sofia Cavedon explicou que a sua proposição de trazer o presidente do SindBancários para falar sobre a venda de ações do Banrisul atende o interesse público. “O Banrisul é importante para todo o Estado. Manter o Banrisul público não atende só o interesse corporativo, mas de todos os gaúchos”, explicou.

O vereador Cassiá Carpes (PP) fez questões de usar a palavra durante o período da Tribuna Popular para se colocar à disposição do SindBancários na defesa do Banrisul público e disse que a preservação do Banrisul não é uma questão ideológica. “Sou contra privatizar. Falam em privatizar para resolver problemas financeiros e privatizam e os problemas continuam. Contem comigo. Sou defensor do Banrisul público”, assinalou Cassiá.

O vereador Adeli Sell (PT-RS) fez uma imagem que ajuda a compreender a importância do Banrisul público. Ele se referiu ao Banricard, da Banrisul Cartões, empresa que no dia 10 de abril teve seu capital aberto em uma assembleia na Diretoria Geral. Ele falou como líder da bancada de oposição ao governo Marchezan formada pelos partidos PT e PSoL. “O cartão do Banrisul é aceito em qualquer boteco”, salientou.

Já a vereadora Fernanda Melchionna (PSoL) lembrou que é funcionário licenciada do Banriusul, que a participação do SindBancários no debate sobre a venda de ações é muito importante. “Acho muito grave o que o governo Sartori fez. Na minha opinião, não pode ser nada mais do que uma negociata”, enfatizou.

Nervoso ou exaltado

Cada vez que algum representante do governador José Ivo Sartori se levanta para defender a venda das ações do Banrisul ou as decisões tomadas por quem vendeu, os argumentos são generalizações do tipo “o governo disse que fez tudo dentro da lei” e invariavelmente descambam para o ataque. Mais duas características: o nervosismo e a exaltação.

Foi o que fez o vereador André Carús (MDB). Ele ocupou a tribuna, com prerrogativa de líder de bancada, para criticar, primeiro, a proposição da vereadora Sofia Cavedon de convidar o presidente do SindBancários para ocupar a Tribuna Popular; depois, para levantar responsabilidades pela venda de ações do Banrisul pelo governo passado, de Tarso Genro.

E, terceiro, estava nervoso e/ou exaltado ao defender a austeridade. Só não usou o mesmo expediente do líder do MDB na Assembleia Legislativa, seu colega de partido, Gabriel Souza (MDB). O jovem deputado faz o mesmo papel que Sartori desempenhou no final dos anos 1990, quando o governador Antônio Britto, do PMDB, vendeu a CRT. Sartori era líder do governo Britto na Assembleia Legislativa. E Gabriel Souza impediu o presidente do SindBancários de se manifestar em reunião sobre o Banrisul na Comissão de Finanças (leia aqui) nesta quarta-feira, na Assembleia Legislativa.

Voltando ao vereador Carús, ele disse da tribuna que a presença de Gimenis na Câmara fazia parte da campanha eleitoral. “Sou um defensor do Banrisul público (…) Existe um expediente entre os órgãos de controle (…) se houve ou não ilegalidade nas vendas das ações”, explicou, asseverando e lendo em seguida nota oficial do governo do Estado sobre a venda das ações do Banrisul.

Fonte: Imprensa SindBancários

Escrito por Clóvis Victoria

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