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Manifestação na frente do Santander Cultural defende cultura livre e protesta contra fechamento de exposição LGBTT

À frente da porta principal do Santander Cultural, no Centro de Porto Alegre, um ato histórico reuniu diversidade e reivindicou a reabertura da exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, na terça-feira, 12/9. A exposição foi cancelada no domingo, 10/9, depois da pressão que o banco espanhol sofreu do grupo de direita e fascista MBL (Movimento Brasil Livre), um mês antes da sua programação original. Dirigentes do SindBancários participaram do Ato pela Liberdade de Expressão Artística/Contra LgbttFobia que lotou a Praça da Alfândega. Representantes do MBL provocaram manifestantes e foram pressionados a se retirarem da manifestação. No início da noite, a Brigada Militar reprimiu a manifestação com bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e spray de pimenta, provocada pelo MBL, cujos integrantes voltaram ao local do ato para novas provocações.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, exaltou a importância de os bancários defenderem a livre expressão da cultura e condenou a censura sofrida pela exposição. “A cultura não pode ser de ninguém. Ninguém, nem o Santander, nem outro banco qualquer, pode decidir o que é ou não arte. Cancelar é um ato de cerceamento da liberdade de livre manifestação e mostra o quanto o Santander não tem compromisso com a diversidade”, criticou.

A diretora de Cultura do SindBancários, Ana Guimaraens, fez uma comparação com um espaço cultural no Vaticano para condenar o fechamento da exposição. “Censurar uma exposição dizendo que há pedofilia, zoofilia e desrespeito à família é um absurdo. A exposição está ali para ser vista. Quem não quiser ver, se sente ofendido, não vá. A Capela Sistina tem mais obras LGBTT que a exposição Queermuseu”, comparou.

O coordenador do Nuances Grupo Pela de Livre Expressão Sexual, Celio Golin, tratou de demonstrar o quanto a arte LGBTT é importante para afastar o preconceito e respeitar a diversidade. O ativista anunciou que o Nuances levou o caso para o Ministério Público do Estado, que, ao final da tarde, divulgou nota dizendo que não havia conteúdo pornográfico na exposição. “O MBL disse que a exposição ofendia as famílias, que tinha criança indo visitar. Qual é o problema de as crianças irem visitar a exposição? Ajuda a afastar o preconceito contra a população LGBTT”, questionou Celio.

O professor de História da UFRGS, Francisco Marshal, condenou o que chamou de censura fascista. “Não podemos deixar que o fascismo decida o que é ou não arte. Isso é muita burrice. A Igreja católica está cheia de perversão sexual”, afirmou.

Bombas ao final do ato

Ao fim da manifestação, segundo a Rádio Guaíba transmitiu ao vivo, a Brigada Militar lançou bombas de efeito moral e gás lacrimogênio nos manifestantes em frente ao Santander Cultural. Segundo a reportagem, havia poucos manifestantes e um contingente de PMs muito grande e a ação da Brigada Militar havia sido “desproporcional” e “sem justificativa”. Ainda segundo a reportagem da Rádio Guaíba, houve confusão provocada por integrantes do MBL que voltaram à frente do Santander Cultural. A Rádio Guaíba relatou que os integrantes do MBL foram escoltados pela Brigada Militar, entrando em viaturas para saírem do local.

Fonte: Imprensa SindBancários

Escrito por Clóvis Victoria

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