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Lucro do Banrisul cresce no terceiro trimestre e mostra, mais uma vez, que vender ações e entregar o banco público é um péssimo negócio para todos

Sempre que se fala no Banrisul para alguém que quer vender o banco, como é o caso do governador José Ivo Sartori, esses entreguistas costumam desvirtuar a importância do Banrisul para o investimento público. Se está dando lucro, tem que vender logo para ganhar mais. O problema é que o que ocorrer é justamente o contrário. Vender o Banrisul quando ele alcançou lucro líquido de R$ 536,7 milhões nos nove meses de 2017 é uma besteira sem tamanho. O resultado quando incluídas as despesas do Plano de Aposentadoria Voluntária e os efeitos fiscais, totalizou R$ 587,9 milhões, 18,9% acima do apurado no mesmo período de 2016. A rentabilidade anualizada sobre o patrimônio líquido médio foi de 12,1%.

Mas o governo Sartori insiste em cometer um erro que pode marcar sua carreira política para sempre. Além de ter ficado, como um disco quebrado, repetindo em looping o discurso da crise fiscal, Sartori foi aquele governador da monopauta: se na campanha política escondeu o que ia fazer, desejando até longa vida a TVE e depois extinguindo a Fundação Piratini, agora se vê refém do próprio discurso. O Banrisul é lucrativo, rende dividendos para o Estado investir em saúde, segurança e políticas sociais, mas Sartori quer entregar, com uma venda de ações prejudicial, o que falta para o banco ficar 74,5% nas mãos de agentes privados.

E o pior. Entregar o Banrisul com uma venda de ações que, avalia o mercado, vai para o caixa único do governo e deve render entre R$ 1,5 bilhões e R$ 2 bilhões, o que cobre pouco mais do que uma folha de pagamento dos servidores públicos do Estado, de cerca de R$ 1,4 bilhão. Se o Banrsiul é lucrativo e deixou de render dividendos de quase R$ 1 bilhão desde que a governador Yeda Crusius vendeu ações IPO em 2007, com apenas um quarto da laranja, o Estado vai perder ainda mais.

E tudo para ingressar em outro mau negócio. A entrega do patrimônio público é um conluio com o governo Temer para que o Estado possa fazer parte do Regime de Recuperação Fiscal. Quer ver por que dizemos que o governo Sartori não tem projeto nem corre atrás de soluções? Porque só no mês passado entregou para o governo Temer uma proposta de recuperação que incluía o encontro de contas, abate da dívida que a União tem com os créditos da Lei Kandir com o RS daquilo que o nosso Estado deve para a União. O RS deve cerca de R$ 50 bilhões e teria a receber R$ 45 bilhões. A dívida cairia 10 vezes.

Nós estamos avisando desde 2015, quando o Sartori assumiu que ele tem uma ideologia privatista. Que iria entregar o que pudesse. A história confiram essa ideologia. O Sartori era o deputado lídero do governo Britto na Assembleia Legislativa em 1996 quando eles anunciaram que a venda da CRT ia acabar com a dívida do Estado. Vinte anos depois, o Estado está entre os piores do ponto de vista fiscal. Isso não resolveu. Vender patrimônio não resolve. Faltou criatividade ao governador Sartori. Ele mostra que não aprendeu com os seus próprios erros”, disse o presidente do SindBancáirosd, Everton Gimenis.

PLIP

Para fazer frente a essa tentativa equivocada de vender ações do Banrisul e repetir erros cometidos no passado, o SindBancários e a Fetrafi-RS lançaram uma campanha de soberania popular. Trata-se do Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) que vai colher 70 mil assinaturas para enviar à Assembleia Legislativa, sugestão de alteração do artigo 22 da Constituição Estadual que garante que o Estado mantenha 51% de todas as ações do Banrisul. Como dito acima, precisamos de 70 mil assinaturas e temos pouco tempo. O governo Sartori quer que a diretoria do banco venda ações até o início de dezembro.

O SindBancários defende que essa operação terá que passar pela aprovação da Assembleia Legislativa ou por plebiscito, uma vez que abre espaço para que agentes “do mercado” assumam assentos no Conselho de Administração do Banrisul. A governança púbica e o futuro do banco passam a ficar ameaçados. Participe da PLIP. Assina o seu nome na ficha de inscrição. Exerça sua soberania. Depois de colhermos as assinaturas necessárias, vamos pressionar os parlamentares da Assembleia Legislativa para que aprovem o nosso PLIP e mantenham o Banrisul público. Saiba clicando aqui o que fazer para ajudar. 

 

Desempenho

O desempenho nos noves meses de 2017, frente ao mesmo período do ano anterior, reflete o menor fluxo de despesas de provisão para crédito; a estabilidade da margem financeira; o crescimento, ainda que moderado, das receitas de tarifas e serviços e a elevação das despesas administrativas – estas, decorrentes do custo variável representado pelo volume de operações da rede de adquirência e da produção de crédito consignado através da promotora de vendas, não constituindo custo fixo, estando relacionadas ao incremento de negócios.

O patrimônio líquido atingiu R$ 6,7 bilhões em setembro de 2017, expansão de R$ 259,0 milhões ou 4,0% em um ano. Os ativos totais apresentaram saldo de R$ 71,3 bilhões em setembro de 2017, crescimento de 5,1% em relação a setembro de 2016, ampliação proveniente, especialmente, do aumento dos depósitos.

Segundo o Dieese, houve fechamento de muitas vagas e um número alto de estagiários. Ao final do terceiro trimestre de 2017, o Banco contava com um quadro de 10.591 empregados e 1.424 estagiários. O saldo do período foi de 664 postos de trabalho fechados em relação a setembro de 2016 (sendo 648 empregados desligados pelo PAV). Os custos com o Plano somaram R$ 93,2 milhões. A rede de agências diminuiu em 6 unidades”, diz a nota técnica do Dieese (Leia a íntegra abaixo).

Escrito por Clóvis Victoria

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