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Documentário “O Galo Missioneiro” convida a uma mirada no exemplo de Olívio Dutra

Um dos poucos spoilers desta resenha do filme sobre o homem que foi ex-presidente do SindBancários, e depois fundou um partido, virou prefeito de Porto Alegre e chegou a ser governador, deputado e ministro, é que ele é filho de sem-terra. De resto, não tem como deixar de mencionar que Olívio de Oliveira Dutra, homem conhecido e reconhecido pelo seu jeito simples, direto e de sujeito e não objeto da política, foi homenageado em uma sessão no CineBancários com o lançamento do documentário “O Galo Missioneiro, A trajetória de um militante”, em 13 de agosto.

O filme, feito praticamente no amor pelo diretor Thiago Köche, narra desde os tempos do nascimento de Olívio na Bossoroca, sua infância e o início de sua vida profissional após passar no concurso público do Banrisul durante o Golpe Militar de 1964. Mas chega de contar parte da trajetória do companheiro Olívio. O legal dessas sessões é que ele fala diretamente para as pessoas que assistem ao filme. E a resposta dá a dimensão daquilo que Olívio Dutra pensa e é. Um homem da politica. Conectado à realidade da vida, com a experiência de quem não teve vida fácil, mas que aprendeu muito e continua aprendendo.

Depois de a sessão terminar, Olívio subiu ao palco do CineBancários ao lado do ex-presidente do SindBancários e atual diretor da Fetrafi-RS, Juberlei Bacelo. Logo, uma jovem que estava na plateia levantou o braço e pediu para fazer uma pergunta. A questão a afligia dada a urgência de suas palavras. Ela queria saber simplesmente se ele era contra ou a favor de entregar as estradas gaúchas à iniciativa privada. Enfim, se ele era a favor dos pedágios.

Para quem não se lembra, era muito novo, na Campanha Eleitoral vitoriosa de Olívio que sucedeu Antônio Britto, do PMDB, em 1997, um do motes publicitários sobre o candidato petista era o seguinte: “Olívio é o caminho. Britto é o pedágio”. Os tempos são outros e, com a mesma desenvoltura que liderou um governo estadual que ficou na história, Olívio respondeu com palavras atualizadas a questão das estradas levando em consideração problemas igualmente atualizados.

Pois então, a questão das estradas não é fácil. Vamos à resposta. “Eu sou favorável ao um Estado que seja atuante que trabalhe para os mais pobres. Mas com a situação das finanças, a iniciativa privada pode fazer estradas e fazer a manutenção. Agora, não pode ser aquela manutenção que tem asfalto onde passa o pedágio e na primeira curva a estrada já está cheia de buraco”, exemplificou.

Juberlei lembra da inspiração em Olívio Dutra para seguir o caminho da militância no Sindicato. Olívio havia sido presidente do SinBancários, de 1975 a 1978. Fora preso pelo regime militar por causa de uma greve da categoria. Juberlei é a geração seguinte de Olívio. Sentiu na pele a desregulamentação do Estado, o início do desmonte até a entrega do patrimônio público, com a venda do banco em que trabalhava, o Meridional, e sua transformação em Santander. “O filme, mais do que contar a história do Olívio, serve de exemplo para a luta coletiva. É uma homenagem àqueles que acreditam que lutando coletivamente a gente avança”, comentou Juberlei.

O diretor do documentário, Thiago Köche, conta que a ideia de realizar cinema, a partir da história do Olívio Dutra, tornou-se urgente ante o contexto político de golpe e a necessidade de debater. “O Olívio é o guia. E o povo gaúcho é o protagonista. Não se trata apenas de um filme que contempla o passado que nos representa. É um filme independente, sem orçamento. Resolvi fazer para fomentar o debate público”, reafirma Thiago.

E vale a pena assistir. São 1h10min de um mergulho na história recente da política gaúcha, nos últimos, digamos 30 a 40 anos. E dessa história emerge um sujeito, com o perdão do último spoiler, que vendia hortigranjeiros no centro de São Luiz Gonzaga na adolescência junto com o irmão para comprar livros e revistas. Olívio aprendeu inglês sozinho. É um leitor de mundo. O Galo Missioneiro anda de ônibus, não tem carteira de motorista, pedala pelas ruas de Porto Alegre. É o cara que a gente gosta e respeita. Mirem-se no exemplo!

INFORMAÇÕES DE O GALO MISSIONEIRO

SINOPSE LONGA

Num mundo tomado pelo ódio e intolerância política, é essencial resgatarmos os bons exemplos de políticos e gestões que priorizam o papel do povo como sujeito e não objeto da política. “O Galo Missioneiro – A Trajetória de um Militante” é um filme que conta a história de vida, trajetória política e a caminhada militante de Olívio Dutra. O longa-metragem olha para o presente e para o passado. A narrativa acompanha o dia a dia de Olívio, sem ser candidato e nem ter mandato, como militante das causas do povo trabalhador. O documentário também resgata imagens históricas e momentos inesquecíveis do Partido dos Trabalhadores em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, e serve como inspiração para os novos desafios da esquerda brasileira.

SINOPSE CURTA

Documentário sobre a história de vida e caminhada política do ex-governador gaúcho Olívio Dutra, fonte de inspiração política e social para aqueles que acreditam num mundo mais humanizado, socialmente justo e fraterno.

BIO DO DIRETOR

Thiago Köche é bacharel em realização audiovisual pela Unisinos (RS). Trabalhou em diversos setores do audiovisual e desde 2010 atua na política. Além do filme “O Galo Missioneiro – a trajetória de um militante”, seu principal trabalho é o documentário curta-metragem “Manifesto Porongos”, selecionado para 22 festivais nacionais e internacionais e vencedor de 5 prêmios.

FICHA TÉCNICA

Direção, edição e captações: Thiago Köche

Produção e roteiro: Mandato deputado Edegar Pretto, Sonia Rosler e Tina Griebeler

Animação e créditos: Lucas Argenta

Edição de som e mixagem: Humberto Schumacher

Caligrafia do título e desenho publicitário: Betina Cammardelli Köche

Músicas: Marcha Nupcial de Wagner (interpretada por Kevin MacLeod), Cena Beatnik de Nei Lisboa, Cruz Missioneira de Pedro Ortaça, A Luz do Amanhecer de Gelson Oliveira e Galo Missioneiro com voz e violão de Antônio Gringo e gaita de Ceceu Dorneles.

Apoios: Casa de Cinema de Porto Alegre, Finish Produtora, Fetrafi-RS e Sindbancários

Fonte: Imprensa SindBancários

Escrito por Clóvis Victoria

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