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Curador da “Queermuseu” critica acordo entre Santander Cultural e MPF para realizar outras exposições após fechamento da mostra no ano passado

A decisão do Santander Cultural, acertada com o Ministério Público Federal do RS (MPF) de realizar duas novas exposições enfatizando temas relacionados à diversidade e à diferença, sob a ótica dos direitos humanos (após o fechamento da mostra artística “Queermuseu – cartografias da diferença na arte brasileira”, no ano passado), provocou reações de setores sociais. O curador da exposição original, professor Gaudêncio Fidélis, avaliou o compromisso firmado entre o Santander Cultural e o MPF como “incompreensível e injustificável”. Fidelis destaca ainda que o acordo abre precedente para a “censura prévia”.

Censura

Fidelis salienta que, deste modo, o Santander “fica isentado de toda culpa pelo crime que cometeu contra a arte e a cultura ao fechar a mostra”. Na sua avaliação, a ideia de realizar duas exposições com a temática da diversidade é apenas uma “suposta reparação” já que é da rotina do espaço promover exposições.

Na nota, o promotor da Queermuseu explana que “ censura que o Santander executou pelo fechamento da exposição causou irreparáveis danos à arte e a cultura brasileira, à liberdade de expressão, à reputação dos artistas, aos profissionais envolvidos e infringiu a constituição”. Além disso, Fidelis aponta que o Banco se eximiu de defender a produção artística.

Na ocasião da exposição, em setembro de 2017, o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, exaltou a importância de os bancários defenderem a livre expressão da cultura e condenou a censura sofrida pela exposição. “A cultura não pode ser de ninguém. Ninguém, nem o Santander, nem outro banco qualquer, pode decidir o que é ou não arte. Cancelar é um ato de cerceamento da liberdade de livre manifestação e mostra o quanto o Santander não tem compromisso com a diversidade”, criticou.

Precedente perigoso

Para o curador, um dos mais nocivos aspectos do acordo entre o Santander e o MPF é o precedente criado, para que outras instituições “estabeleçam limites para o pensamento através de normativas similares constituindo assim censura prévia”. O curador acredita que o acordo não estabelece punição ou reparação para o grave delito contra a liberdade de expressão.

O acordo

O termo firmado entre a instituição e o MPF busca encerrar a polêmica relacionada ao fechamento, um mês antes do previsto, da mostra Queermuseu, no ano passado, após movimentos conservadores como o MBL acusarem parte das obras de ofensa a símbolos religiosos e estímulo à pedofilia e à zoofilia. Na ocasião, um grupo pequeno mas barulhento de militantes de extrema-direita e setores religiosos “exigiu” o fechamento da exposição, chegando a envolver o Congresso Nacional na polêmica.

Acusações falsas sobre obras

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do MPF entendeu que houve lesão à liberdade de expressão artística em decorrência do encerramento antecipado da exposição, que trazia obras de Lygia Clark e Antônio Volpi, entre outros artistas. De acordo com o Ministério Público Federal, não foram comprovadas as acusações contra as obras da Queermuseu.

A partir do termo assinado com o MPF, o Santander Cultural se compromete a patrocinar duas exposições sobre diferença e diversidade, cujas durações devem ser de pelo menos dois meses, cada. Caso não cumpra a decisão judicial, a instituição fica sujeita a multa de R$ 800 mil. Conforme o Santander Cultural, ainda não há datas específicas para a realização das exposições. Também não foram definidos nomes de artistas e curadores. A expectativa é de realização de ao menos uma mostra relacionada à diversidade ainda em 2018.

 

Fonte: Imprensa SindBancários com informações do Correio do Povo/Radio Guaíba

 

 

Escrito por José Antonio Silva

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