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Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa vai questionar direção do Banrisul sobre venda de ações

A Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle deliberou, na quinta-feira, 12/4, em reunião ordinária, o encaminhamento de convite à direção do Banrisul para prestar esclarecimentos a respeito da operação de venda de ações do banco, em curso nos últimos dias e com previsão de novas operações em breve. O assunto foi encaminhado pelo deputado Frederico Antunes (PP).

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, disse que a iniciativa é importante e ajuda a esclarecer uma operação suspeita. “A forma como as ações sem direito a voto foram vendidas é motivo de desconfiança. Saudamos o interesse da Comissão de Finanças da Assembleia. Tanto a diretoria do Banrisul quanto o governo do Estado têm muito a explicar e a esclarecer sobre o que fizeram ao vender ações de uma hora para outra, sem cumprir ritos que legalmente são exigidos, de um banco que não é deles, mas do povo gaúcho”, afirmou Gimenis.

Conforme explicou o deputado progressista, é atribuição da Comissão o questionamento dos gestores indicados pelo governo, o que é feito regimentalmente. Agora, diante de um fato como esse, ele entende que é preciso convocar os diretores para que expliquem o que está acontecendo. “A comissão tem o compromisso de convocá-los quando acontece algo extraordinário nestas autarquias e órgãos”, argumentou. Ele quer uma exposição de motivos e detalhamento das operações de venda de ações do Banrisul.

O deputado Adilson Troca (PSDB), que presidiu a reunião, antecipou o envio do convite à direção do banco para a presença na comissão e argumentação no período de Assuntos Gerais. A data ainda não foi confirmada.

Participaram da reunião os deputados Adilson Troca (PSDB), presidindo; Frederico Antunes (PP); Tarcísio Zimmermann (PT); e Juvir Costella (PMDB). Por falta de quorum, não foram apreciados os quatro requerimentos na Ordem do Dia.

Estamos de olho: depois da venda, a hora é de seguir o dinheiro

A operação de venda de 26 milhões em ações tipo PNB do Banrisul, sem direito a voto, na terça-feira, 10/4, é apenas a primeira etapa de um negócio que vai exigir atenção redobrada dos Banrisulenses e do povo gaúcho. Há motivos de sobra para ficarmos bem atentos na pós-venda. Ora, o governo do Estado anunciou que venderia ações pelo jornal Zero Hora, usado como Diário Oficial. Encerrou uma assembleia de acionistas duas horas depois do pregão assim que um acionista minoritário entrou na sala da reunião buscando informações sobre a decisão de abertura do capital (IPO) da Banrisul Cartões. As ações foram adquiridas pelo BTG Pactual, um aglomerado que tem cerca de 150 investidores como donos, num pregão que durou 25 minutos. Tem coisa aí?

Como a pressa é inimiga da perfeição, o governo Sartori pode ter deixado alguma ponta solta. Ainda mais em ano eleitoral. A ação, que chegou a valer perto de R$ 20 na sexta-feira, foi passada nos cobres ao preço unitário de R$ 18,65. O governo Sartori havia anunciado na manchete do jornal que o mínimo era R$ 18. Cantou em verso e prosa que foi um excelente negócio. Para quem, cara-pálida?

Foi um péssimo negócio porque as ações renderam R$ 484,9 milhões, valor que não cobre nem um terço da folha de pagamento dos servidores públicos. Que se esclareça: não dá para pagar 1/3 de um mês da folha de pagamento dos servidores públicos. O dinheiro deve ingressar nos cofres do Estado nesta sexta-feira, 13/4. Como sempre se diz quando se fala em grandes somas fortalecendo fluxos de caixas: a partir de amanhá será a hora de seguir o dinheiro!

Péssimo negócio

O governo Sartori chegou a anunciar que ia botar em dia a folha de pagamento. Da altura nanica de sua incompetência, voltou a atrás, tergiversou e passou a não dizer em que áreas públicas o dinheiro seria aplicado. Tem coisa aí? Afinal, os parceiros no negócio ficarão com um quase R$ 5 milhões, atribuídos a custos operacionais da venda. Ingressarão cerca de R$ 480 milhões nos cofres públicos do Estado. E há quem diga até que pode ser um caso de gestão temerária: do banco e do próprio Estado.

Para o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, a atuação dos agentes do governo Sartori ocorreu no sentido de criar confusão. Os fatos são bem claros. “Primeiro, o governo Sartori publicou um fato relevante na sexta-feira para dizer que não venderia ações. Depois, aparece na edição de terça-feira do jornal Zero Hora uma manchete, avisando que venderia. Ora, foi uma operação cortina de fumaça, onde um jornal foi usado como Diário Oficial do Estado. Eu nunca tinha visto manchete de jornal valer como edital de leilão de ações de empresa pública”, explicou Gimenis.

Foi por essa sucessão de fatos que se somam a uma necessidade de termos desconfiança nessa hora ante as lacunas provocadas pela desinformação do Palácio Piratini, que entramos com uma liminar, na terça-feira, 10/4, na Justiça de Porto Alegre. Até as 17h desta quinta-feira, a magistratura da 3ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre não havia se manifestado sobre a antecipação de tutela pedida pelo SindBancários, Fetrafi-RS e o diretor da Fetrafi-RS, como acionista minoritário do Banrisul, Carlos Augusto Rocha. A ação argumentava pela anulação da assembleia de acionistas que decidiu pela abertura do capital (IPO) da Banrisul Administradora de Cartões.

Desconfiados, os Banrisulenses e o povo gaúcho precisam saber de algo que é muito certeiro. Só a nossa mobilização, a nossa participação e a nossa luta serão capazes de defender o Banrisul da sanha entreguista dos atuais mandatários do Palácio Piratini. É preciso defender o Banrisul público e denunciar o conluio terrível entre o governo Sartori e a diretoria do Banrisul. Eles só querem entregar o que funciona. Estão dando um abraço de afogado no Banrisul, um banco que bateu recorde ano passado de lucro. Mal sabem que passarão à história como aqueles que foram afogados em suas próprias incompetências.

Crédito foto: Guerreiro/ALRS

Fonte: Imprensa SindBancários, com informações Imprensa Assembleia Legislativa

Escrito por Clóvis Victoria

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