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Comando reafirma renovação de acordo coletivo e busca avanços em cláusulas que abrangem todos os Banrisulenses na terceira mesa com o Banrisul

Se nas duas primeiras mesas de negociação o Comando Nacional dos Banrisulenses ouviu as lamentações do banco e arrancou avanços no processo negocial, na terceira mesa de negociação, na quarta-feira, 15/8, na sede da Fetarfi-RS em, Porto Alegre, foi a vez do jogo jogado. Desta vez, o Comando elevou o tom. A cobrança girou em torno de demonstrar a importância e a necessidade de renovar o acordo coletivo específico dos Banrisulenses o quanto antes e apresentar destaques de temas que abrangem a totalidade dos colegas do Banrisul. O banco apresentou uma proposta de Banco de Horas, que o Comando irá estudar e trazer argumentos ao debate desse tema em uma nova reunião marcada para a quarta-feira, 22/8. O Comando orienta os Banrisulenses a ficarem atentos às mesas, aos chamados às mobilizações e a participarem do processo de decisão sobre os futuro dos seus direitos.

Duas cobranças específicas marcaram a mesa de negociação. O Comando cobrou uma resposta à garantia das conquistas dos Banrisulenses, sinalizada como renovação de acordo que valha por 60 dias, enquanto um novo não é assinado, na mesa anterior pela diretoria. Cobrou também uma parte do compromisso que não foi cumprido pelo banco. Na segunda reunião, de 10/8, os negociadores do Banrisul ficaram de fazer contato com a assessoria jurídica da Fetrafi-RS e do SindBancários e enviar redações de propostas de cláusulas para serem avaliadas. Lembre-se que o banco reclamou da reforma trabalhista, mais precisamente da insegurança jurídica legada pela Lei 13.467, cujo espírito é o negociado sobre o legislado o que confere um caráter de lei aos acordos coletivos, mas apresentou apenas uma proposta de banco de horas sem mencionar compromisso em renovar o acordo coletivo específico 2017/2018. Voltou a falar em esperar a Fenaban.

Há recursos para atender a pauta e avançar

Outra questão diz respeito à saúde financeira do banco. Não há mais argumentos sobre previsões de crises financeiras ou do efeito que uma eventual crise exerça sobre um banco público sólido como o Banrisul ante um novo recorde anunciado na coletiva de imprensa do balanço do primeiro semestre, no dia anterior à mesa de negociação. O lucro líquido de R$ 505,9 milhões faz desmoronar qualquer discurso de crise da diretoria do banco ou mesmo choradeira por ser 60% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O Banrisul tem condições plenas de atender tanto a pauta que precisa ser renovada quanto as cláusulas econômicas, de saúde e de segurança contidas na proposta de renovação de acordo coletivo dos Banrisulenses.

Assista a vídeo com resumo da terceira mesa de negociação:

O secretário-geral do SindBancários e funcionário do Banrisul, Luciano Fetzner, exaltou a importância de a terceira rodada de negociação debater questões que significam avanços na vida dos colegas do Banrisul. “Essa terceira mesa foi a que mais teve avanços na negociação porque debateu as questões que afligem os colegas. Claro que só vamos poder medir os avanços após a próxima negociação quando o banco nos der retorno dos itens que foram discutidos. Mas essa foi aquela em que entramos diretamente em questões de segurança e saúde. Debatemos questões para melhorar condições de trabalho”, detalhou Luciano.

Quanto aos resultados do balanço financeiro, o lucro líquido recorde do primeiro semestre não deixa nenhuma dúvida sobre a capacidade de renovar o acordo coletivo e avançar. “O banco, graças ao trabalho dos Banrisulenses, tem condições de avançar e de renovar o nosso acordo coletivo na sua integridade. O lucro líquido viabiliza uma garantia de direitos conquistados. Resta ao banco agora entender que o tempo está acabando e que é preciso decidir sobre a renovação do acordo”, avaliou Luciano.

Entenda-se que a reforma trabalhista acabou com a ultratividade, aquele dispositivo que permitia estender o acordo coletivo anterior enquanto um novo não é fechado. O limite para essa renovação é 31 de agosto. O tempo corre contra a diretoria do Banrisul. Mesmo assim, o banco voltou a atrelar a negociação de uma renovação ou assinatura de pré-acordo à mesa da Fenaban, que ocorre na sexta-feira, 17/8, em São Paulo. “A questão da Fenaban está superada com o resultado do banco no primeiro semestre. E o segundo semestre geralmente é melhor. A nossa prioridade número um é a renovação do nosso acordo na íntegra”, reforçou o diretor da Fetrafi-RS e funcionário do Banrisul, Carlos Augusto Rocha.

Saúde, segurança

Por medida de segurança, não se pode divulgar quais as medidas técnicas que a diretoria do Banrisul poderá usar para fazer frente às recorrentes ondas de violência de ataques de quadrilhas de criminosos às agências bancárias de todos os bancos de todo o Estado. Ainda que esses investimentos já estejam sendo colocados em prática, um dos destaques que o Comando fez foi em relação à segurança dos colegas nos setores de autoatendimento. Depois que o sistema Banrisul Mais foi instalado, muitos colegas Banriuslenses passaram a dar expediente nos locais de autoatendimento para captar negócios. O problema é que nesses lugares não costuma haver portas-giratórias. Por isso, algumas cláusulas de segurança procuram atender a questão da urgência nos investimentos de adequação a leis de segurança bancária.

Primeiro, fazer com que haja reuniões de Grupo de Trabalho de Segurança para acompanhar os investimentos que estão sendo feitos. Segundo, é preciso que as portas-giratórias sejam instaladas nas salas onde ficam os caixas eletrônicos, ou seja, em todas as portas de acesso. Terceiro, o Comando quer que a diretoria do Banrisul elabore um cronograma de engenharia para instalação de equipamentos de segurança e adequações às legislações de segurança bancárias como é o caso de vidros à prova de bala, portas -giratórias e biombos em Porto Alegre.

No que diz respeito à saúde, os colegas do Comando Nacional dos Banrisulenses querem garantias de que o banco imponha um regime que impeça que colegas afastados por motivo de saúde fiquem no limbo, ainda mais depois que o governo federal passou a realizar uma verdadeira caça às bruxas aos afastados. “O INSS passou um pente-fino nas pessoas que estão afastadas. Tem até metas para peritos. O problema é que há colegas perto de se aposentarem que estão afastados e se encontram num limbo, porque não conseguem se aposentar e não podem voltar a trabalhar por estarem doentes. É uma cláusula humanitária importante. Temos que encontrar saídas para esses colegas que se encontram nessa situação”, afirmou a diretora da Fetarfi-RS e funcionária do Banrisul, Denise Falkenberg Corrêa.

Gestão, participação e promoções

Não é de hoje que o movimento sindical pressiona o banco e negocia a criação do plano de carreira. A ausência de uma regulação traz inúmeras injustiças. Quem merece ser promovido? Ora, os critérios do banco deveriam ser mais claros. Isso poderia mudar se houvesse também uma participação maior dos trabalhadores no desenho de estratégias para traçar o futuro do Banrisul. “É preciso avançar na questão das promoções dentro do banco. A velocidade das promoções, todos nós sabemos, poderia ser maior. É preciso ter mais promoções”, argumentou o diretor da Fetrafi-RS e funcionário do Banrisul, Fabio Alves.

Outra questão levantada disse respeito aos processos de pensar o Banrisul do futuro. No dia 12 de setembro, o banco chega a 90 anos. É preciso debater decisões que afetem o futuro da instituição pública e considerem os Banrisulenses. “A reestruturação foi feita sem nenhum debate. O fechamento de agências em Santa Catarina e no Nordeste não podem ser feitos de uma maneira que se anuncia de uma hora para outra que se vai fechar um local de trabalho de várias pessoas. Não é possível que de um dia para o outro anuncie que uma agência vai fechar. A reestruturação tinha que ser debatida. O debate sobre o futuro do Banrisul, pensar o futuro da empresa, tem que ser permanente e feito com os colegas de forma transparente”, acrescentou Fabio.

Saiba quais os pontos apresentados e debatidos que abrangem os Banrisulenses

> Renovação do Acordo Coletivo de Trabalho.

> Não terceirizar a atividade-fim realizada pelos Banrisulenses.

> Todos os empregados terão acesso à taxa de juros reduzidas em todas as linhas de crédito, abaixo das menores taxas praticadas pelo banco no cheque especial e consignado.

> Amento de 50% do número de promoções em relação aos atuais padrões do Banrisul

> Comprometimento por parte do banco de estabelecer debate específico com as representações sindicais para democratizar a construção de estratégias de pensar o futuro do Banrisul.

> O Banrisul se compromete em assumir o pagamento do salário do empregado que tiver alta do INSS mas que continue incapacitado de voltar ao trabalho conforme atestado médico.

> Os processos seletivos internos para funções comissionadas deverão ser feitos por provas objetivas, com inscrições abertas a todos os colegas. Os processos de descomissionamento, ascenso e descenso também devem ter critérios transparentes e bem definidos.

> O Banrisul dotará as instalações de seus estabelecimentos (agências, postos de atendimento) de condições adequadas e eficientes de segurança contra roubos, sequestros e extorsões, tendo como objetivo a proteção à vida dos trabalhadores bem como dos usuários dos bancos. Também irá garantir a integridade física e psicológica dos trabalhadores.

> Esses e outros temas estiveram em discussão durante a terceira mesa de negociação com a diretoria do banco.

Calendário de mobilização dos Banrisulenses

15/6: Entrega da pauta de reivindicações específica dos Banrisulenses à diretoria do Banrisul na DG em Porto Alegre.

6/8: Primeira mesa de negciação entre o Comando Nacional dos Banrisulenses e a diretoria do Banrisul.

10/8: Na segunda mesa de negociações entre Comando Nacional dos Banrisulenses e a diretoria do banco, há avanços na negociação. Participação dos Banrisulenses no Dia do Basta tira diretoria da zona de conforto. Tom da direção muda e assinatura de pré-acordo é sinalizada.

15/8: Terceira mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Banrisulenses e a diretoria do Banrisul debate urgência em renovar acordo coletivo anterior. Comando apresenta destaques para negociar como avanços a um novo acordo coletivo específico para os Banrisulenses.

17/8: Comando Nacional dos Bancários volta à mesa com a Fenaban para sétima rodada de negociações em São Paulo.

Fonte: Imprensa SindBancários

Escrito por Clóvis Victoria

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