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Colegas da Caixa vestem branco para mostrar ataques à saúde como sintoma do golpe nos direitos e na soberania do povo brasileiro

Se, nestes primeiros movimentos da Campanha Nacional 2018, já ficou claro que há uma correlação direta entre o golpe aplicado na democracia brasileira e a retirada de direitos, não há mais dúvidas de que os bancos públicos são alvos preferenciais do entreguismo. No Dia Nacional de Luta em Defesa do Saúde Caixa, na quarta-feira, 20/6, em Porto Alegre, o que ficou ainda mais cristalino é que o desmonte do plano de assistências dos colegas da ativa e dos aposentados da Caixa faz parte dos planos dos golpistas. A reação dos colegas se inscreveu nas roupas. Muitos vestiram branco para mostrar que isso não vai ficar assim.

Clique aqui para ver galeria de imagens dos atos em defesa do Saúde Caixa

O sintoma de que os trabalhadores estão indignados com os ataques à sua saúde pode ser medido pela excelente participação nos dois atos em frente ao Edifício-Sede Querência e Edifício Marcílio Dias. Está no processo de retirada de direitos dos trabalhadores uma ideologia neoliberal que prevê a entrega do patrimônio público combinada com a retirada de direitos. O ataque ao Saúde Caixa é sinal de alerta.

O desmonte do Saúde Caixa é daqueles casos exemplares. Afinal, é um plano com superávit. Tem arrecadação de R$ 1,2 bilhão em média. Não tem déficit portanto. Mas o mesmo discurso que diz que a Petrobras precisa ser mais eficiente e por isso tem que ser vendida se encaixa bem no caso da Caixa. O atendimento de saúde aos trabalhadores da Caixa é muito bom. O problema é que público. Temer e seus asseclas não podem permitir isso. Então, desmontam e destroem. 

Veja abaixo vídeo dos Ato em Defesa do Saúde Caixa

O objetivo é entregar. Assim, fechar agências bancárias, demitir de forma disfarçada colegas por meio de PDVs, fechar setores inteiros fazem parte da estratégia de enfraquecer a Caixa. E a cereja do bolo do entreguismo é atacar a saúde dos trabalhadores. Claro, agências com menos funcionários e mais clientes e trabalhadores preocupados com seu futuro na aposentadoria, com a perda do Saúde Caixa, gera adoecimento. Adoecimento implica em maior reclamação por atendimento precário. Pronto. A imagem da Caixa já está queimada. E o governo Temer pode surfar naquela onda que diz que tudo que é público não presta e justificar uma venda.

Mas antes tem mais. Tem uma tal de Reforma Trabalhista que o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, batizou de “DEFORMA TRABALHISTA” nos atos da Caixa em frente ao Edifício Sede Querência no Centro e no Edifício Marcílio Duas, no bairro Menino Deus. “A Campanha Nacional deste ano é totalmente diferente. As pessoas vão ter que participar de fato. O golpe não veio só para derrubar a presidenta Dilma, mas para atacar direitos dos trabalhadores. Eles querem tirar os bancos públicos do mercado financeiro para que a iniciativa privada venda produtos como planos de saúde. Apesar de tudo isso, estou otimista. A grande participação nos atos de hoje mostra que estamos começando bem a nossa verdadeira Copa do Mundo que é a nossa Campanha Nacional”, avaliou Gimenis.

Campanha difícil

O diretor da Fetrafi-RS, Juberlei Bacelo, fez uma analogia com a Copa do Mundo para ilustrar o tamanho do desafio dos bancários na Campanha Nacional 2018. Explicou que a agenda da Campanha Nacional deste ano teve que ser acelerada para fazer frente aos ataques que o governo golpista de Michel Temer, junto com o Congresso Nacional, realizou com a aprovação da reforma trabalhista. Por isso a primeira mesa de negociação com a Fenaban ocorre em 28 de junho. É que, se os bancários não renovarem o Acordo Coletivo de Trabalho até 31 de agosto, por conta do fim da ultratividade, enquanto não houver renovação do novo, os bancários podem ficar sem os direitos que conquistaram com uma longa história de lutas.

Juberlei ofereceu uma reflexão importante para esclarecer o papel que cada bancário terá na Campanha Nacional 2018 no combate a uma política que transcende os desejos da categoria, mas que disputa um projeto de país. “Deram um golpe em 2016 para atacar os direitos dos trabalhadores. Essa reforma foi escrita, em todos as suas vírgulas, por advogados patronais, para que os patrões tivessem maior lucratividade com a exploração do trabalhador brasileiro. Está tudo armado. Temos que ampliar nossa mobilização, unidade e luta para enfrentar a elite financeira egoísta deste país. A luta começa com a defesa do Saúde Caixa, mas temos que pensar que precisamos estar com outra categorias para empreender uma luta política”, situou Juberlei.

Sucata e preço de banana

Empregado da Caixa e diretor do SindBancários, Jaílson Bueno Prodes, contou com um exemplo como funciona o desmonte do único banco 100% público do país. “Quem vai na agência da Caixa e do Banco do Brasil sente na pele a piora no atendimento. Não é por responsabilidade dos funcionários da Caixa. O primeiro passo da privatização é colocar a população contra a Caixa. O petróleo sai daqui a preço de banana e volta com o preço em dólar como gasolina depois de refinado. O que o governo Temer faz com a Petrobras é o mesmo que faz com a Caixa e o Banco do Brasil. Sucateia para vender a preço de banana”, diz Jaílson.

Campanha das nossas vidas

Além da estrutura ideológica privatista, entreguista e golpista, é preciso compreender sua mais completa tradução quando o assunto é o Saúde Caixa. A diretora Caroline Heidner explicou a gênese do golpe no Saúde Caixa como algo que se materializa na Resolução 23 da CGPAR. Essa determinação formal partiu do conselho da Caixa, com gente colocada lá pelo ex-ministro da Fazenda e atual pré-candidato do MDB a presidente, Henrique Meirelles. E o que contém essa norma e como ela repercute na vida dos bancários? Os colegas da Caixa terão que pagar mais pelo plano. Custeá-lo porque a Caixa quer reduzir sua participação. Além disso, fica impedido o detalhamento de como o Plano passa a funcionar nos Acordos Coletivos.

Aquilo que a diretora chama de morte do Saúde Caixa se configura no impedimento de admissão de novos funcionários como contribuintes do plano. “Por mais que essa resolução fale do respeito aos direitos adquiridos, ela mata o Saúde Caixa por não admitir novos funcionários. Se não entram novos colegas no plano, vamos ter a quebra do pacto intergeração e inviabilizar o plano”, explicou.

Por isso é importante os colegas da Caixa ficarem atentos para algumas frentes de luta nesta Campanha Nacional. A defesa e manutenção do Saúde Caixa vai depender muito da organização, mobilização e esclarecimento dos bancários . De uma frente de luta parlamentar que inclui pressão para que seja aprovado o PDC 956/2018, da deputada federal e empregada da Caixa Erika Kokay (PT-DF), que diz que a Resolução 23 é inconstitucional. A terceira tarefa das bancárias e bancários da Caixa é compreender que é preciso se juntar a outras categorias de trabalhadores como os do Correio, da Petrobras e do BB para travar uma luta de dimensões políticas capaz de derrotar os golpistas liderados por Michel Temer. “Essa é a campanha das nossas vidas”, reiterou Caroline.

Longo inverno

O diretor do SindBancários e empregado da Caixa, Tiago Pedroso, comparou a importância do Saúde Caixa à jaqueta que usava no ato em frente ao Edifício Sede Querência. Tiago chegou a tirar o casaco que usava como proteção do frio enquanto discursava. “O que está em jogo não é apenas a manutenção do nosso Plano de Saúde. Vamos enfrentar um inverno longo. Se querem tirar a minha jaqueta eu luto por ela para me proteger do frio. Com o Saúde Caixa é a mesma coisa. Nos protege, tanto ativos quanto aposentados. A minha jaqueta ninguém vai tirar”, exemplificou.

 

Dia histórico

Para o integrante da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) e diretor da Contraf-CUT, Gilmar Aguirre, a resposta dos colegas com participação e mobilização no Ato Nacional em Defesa do Saúde Caixa mostra que muitos compreenderam que se trata de um dia histórico. “Não estamos aqui hoje defendendo só o nosso plano de saúde. Estamos defendendo a Caixa. Defender a Caixa é defender o Brasil. Quebrar o Saúde Caixa faz parte do processo de privatização”, explicou.

Fonte: Imprensa SindBancários

Escrito por Clóvis Victoria

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