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Bancários rejeitam por unanimidade proposta da Fenaban em assembleia lotada e apontam paralisações na sexta, 10/8, Dia do Basta

Uma assembleia unânime no auditório Casa dos Bancários em que muitos participantes tiveram que acompanhar de fora, na quarta-feira, 8/8, rejeitou a proposta de reposição da inflação da Fenaban sem aumento real feita na mesa de negociação do dia anterior em São Paulo e apontou para paralisações parciais de agências bancárias nesta sexta-feira, 10/8, durante o Dia do Basta chamado pelas centrais sindicais. Na mesma sexta-feira, os bancários estão convocados a participar da vigília durante a segunda mesa de negociação com a diretoria do Banrisul, na sede da Asbancos, no Centro de Porto Alegre, a partir das 11h.

A participação dos bancários no Dia Nacional de Luta em defesa dos direitos chamado pelas centrais sindicais para protestar contra o desemprego, a entrega do patrimônio público e para defender direitos retirados pela reforma trabalhista (Lei 13.467/2017) começa com a tradicional concentração na Praça da Alfândega. Na sexta-feira, 10/8, os bancários irão se reunir entre a Caixa e o Banrisul a partir das 7h da manhã. Do local de concentração, partirão caravanas que percorrerão agências bancárias para realizar piquetes e reuniões de convencimento e de esclarecimento. A ideia é paralisar agências desde a abertura dos expedientes até o meio-dia. Os bancários também podem participar dos atos da Dia do Basta que ocorrem próximos de seus locais de trabalho.

O presidente do SindBancários, Everton Gimeis, exaltou a participação dos colegas. A participação maciça demonstra que os bancários entenderam o contexto da necessidade de resistir aos ataques do golpe e estão dispostos a lutar e resistir por direitos. “Estamos satisfeitos com a participação dos colegas na assembleia. Tomamos a decisão de forma representativa de participar do Dia do Basta e de procurar mobilizar colegas bancários de bancos públicos e privados para paralisarem suas atividades até o meio-dia na sexta-feira. Há muita indignação com a estratégia da Fenaban de enrolar nas mesas de negociação. Essa assembleia foi uma resposta da enrolação tanto na mesa da Fenaban quanto nas mesas específicas dos bancos públicos como Caixa, Banco do Brasil e Banrisul”, detalhou Gimenis.

Quebra de promessa da Fenaban fortaleceu mobilização

A enrolação dos representantes da Fenaban na sexta mesa de negociação em São Paulo, na terça-feira, 7/8, configurou-se sobre a forma de quebra de promessa dos representantes dos banqueiros. Depois de anunciarem seis dias antes (1º/8) que apresentariam uma proposta de acordo global, os representantes dos bancos frustraram o Comando Nacional dos Bancários. Sem apresentar novas redações para cláusulas que entendiam deveriam ser modificadas, os negociadores da Fenaban apresentaram proposta de reajustes para as verbas salariais (piso, vales e tíquetes) com apenas reposição do índice de inflação. Os bancários reivindicam 5% de aumento real.

O diretor da Fetrafi-RS, Juberlei Bacelo, participou da mesa de negociação da terça-feira. Ele contou que a principal reivindicação dos bancários nesta Campanha Nacional 2018, ao menos nesta primeira etapa, é a garantia da manutenção das cláusulas do acordo coletivo anterior, válido por dois anos, enquanto um novo acordo nacional não é assinado, a chamada ultratividade. “Considero a proposta incompleta. A assinatura do pré-acordo é fundamental. Nos anos anteriores, enquanto negociávamos, prorrogávamos o acordo coletivo. Os banqueiros disseram que querem segurança jurídica em algumas cláusulas, mas não apresentam a redação. Não adianta nós assinarmos um acordo coletivo com aumento real e o banco começar a nos substituir por terceirizados. Temos que buscar esse compromisso na mesa de negociação”, salientou Juberlei.

Mobilização dos bancários no Dia do Basta – Sexta-feira, 10/8

7h: Concentração dos bancários na Praça da Alfândega, Centro Histórico de Porto Alegre, entre a Caixa e o Banrisul. Organização e saída de caravanas para formação de piquetes e reuniões de esclarecimento e convencimento em agências bancárias.

8h30: Ato do Dia do Basta em frente à sede da Fecomércio no Centro Histórico de Porto Alegre. Após o ato, caminhada até o Palácio Piratini para Ato contra o desmonte do patrimônio público.

10h30: Caminhada até a sede do Tribunal Regional do Trabalho de Porto Alegre, para ato, organizado pelo próprio TRT, para defender a Justiça do Trabalho e os direitos sociais.

11h: Vigília para acompanhar segunda mesa de negociação dos Banrisulenses. Bancários de bancos púbicos e privados se concentram em frente à sede da Associação dos Bancos do RS (ASBANCOS), na Rua dos Andradas, 1.234, Centro Histórico de Porto Alegre.

Resistência e manutenção de direitos

Desde que a reforma trabalhista passou a valer em novembro do ano passado, diretores do SindBancários e das entidades representativas da categoria em nível regional e nacional passaram a prever muitas dificuldades nas mesas de negociação. Parte dessas dificuldades se deve ao fato de que muitas das conquistas dos bancários podem estar em risco, como PLR, gratificação semestral. O banco de horas para não pagamento de horas extras e a homologação de demissões sem o acompanhamento dos Sindicatos já são uma realidade nos bancos.

Para procurar fortalecer a negociação, os bancários começaram a campanha mais cedo. A primeira mesa de negociação com a Fenaban ocorreu em 28 de junho. Desde então, os negociadores da Fenaban procuram ganhar tempo até o dia 31 de agosto, quando o Acordo Coletivo 2016/2018 deixa de valer, e os bancários podem perder todas as conquistas pela primeira vez em 27 anos de Acordo Coletivo Nacional na data-base, 1º de setembro. “A assembleia cheia mostra que a categoria está alerta e preocupada. O recado que demos hoje é que , se os banqueiros querem negociar e se querem terminar a negociação sem conflitos, então que deem aumento real e garantam todos os nossos direitos”, desafiou o diretor da Contraf-CUT, Mauro Salles.

Bancos públicos seguem estratégia da Fenaban

As mesas específicas dos bancos públicos têm usado a bengala da Fenaban para aplicar a estratégia da enrolação. Direções de Caixa, Banco do Brasil e Banrisul não assinalam com definições. Os discursos apontam para interpretações e utilizações da mesa de negociação para consolidar um processo de desmonte para privatização. No caso dos dois bancos federais, o alvo das mesas de negociação até agora tem sido a aplicação da Resolução 23 da CGPAR para enfraquecer os planos de saúde e previdência.

O Saúde Caixa, no caso da Caixa Federal, e a Cassi, a Caixa de Assistência dos colegas do Banco do Brasil, praticamente se extinguem com as propostas dessa resolução aprovada na Congresso Nacional em janeiro deste ano. E as direções querem aplicá-la.

No caso do Banrisul, o risco de privatização é mais evidente. O governo Sartori, em conluio com a diretoria do banco, chegou a vender ações em dois leilões de 10 e 27 de abril. Os dois leilões estão sendo investigados por órgãos de controle estaduais e federais, como a Polícia Federal. Na primeira mesa de negociação, na segunda-feira, 6/8, os representantes do banco nomeados pela diretoria também enrolaram. O Banrisul foi o último dos bancos a vir para a mesa de negociação e disse que esperaria a Fenaban antes de fazer qualquer proposta. A segunda mesa será na sexta-feira, 10/8, às 11h, na sede da ASBANCOS, no Centro de Porto Alegre.

Um dia para dizer basta!

São 27 milhões de trabalhadores desocupados, sendo metade destes aquela categoria dos que já desistiu de procurar vaga de emprego por desalento. A outra metade é de desempregados mesmo. Combustíveis que aumentaram, entrega do patrimônio públicos, dos bancos públicos, da Petrobras, enfim, a sexta-feira, 10 de agosto, se transformou em um dia nacional de luta. Chamado pela CUT, a ideia do Dia do Basta é juntar várias classes de trabalhadores para realizar atos em defesa de direitos e da democracia.

O diretor de comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, bancário do Santander e diretor do SindBancários, participou da assembleia dos bancários da noite da quarta-feira, e disse que a mobilização de todos os trabalhadores em torno de um eixo de pautas nacional é fundamental para resistir aos retrocessos, como a reforma trabalhista e o congelamento por 20 anos dos investimentos públicos em saúde e educação proposto pelo governo de Michel Temer e aprovado na Câmara dos Deputados. “É uma atividade nacional para dar uma resposta unificada da classe trabalhadora. Tivemos um golpe no país. A reforma trabalhista, a política de privatizações e de ataque ao pré-sal são efeitos desse golpe. Cada categoria define como vai participar dos atos deste dia”, explicou Ademir.

Fonte: Imprensa SindBancários

Escrito por Clóvis Victoria

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