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Bancários denunciam conluio da diretoria do banco e do governo Sartori para vender ações de forma truculenta do Banrisul em ato na DG

Primeiro, o governo Sartori diz que não vai vender ações. Depois diz que vai vender sem publicar um fato relevante. Aí, as ações são vendidas e o jornal, a Zero Hora, usado como um grande edital de anúncio, dizem que a venda de ações foi um grande sucesso. No ato que realizaram na terça-feira, 10/4, em frente à DG (Diretoria Geral) no Centro de Porto Alegre, dirigentes da Fetrafi-RS e do SindBancários denunciaram a operação como vergonhosa. Na verdade, se tratou de um conluio entre a diretoria do Banrisul e o governo Sartori. Durante o ato, dirigentes referiram de forma recorrente que o governo Sartori deu um abraço de afogado no Banrisul.

Entenda-se porque a história deste governo já foi contada em verso e prosa pelos representantes dos bancários. Desde que Sartori assumiu, dirigentes sindicais repetem que os governos do PMDB, por ideologia, costumam entregar o patrimônio público para endividar ainda mais os estados. Que o povo pague a conta. José Ivo Sartori é um desses. Em 1997, era líder do Governo Britto na Assembleia Legislativa quando viabilizou legislativamente a venda da CRT. Naquele mesmo ano, a Z erro Hora anunciou em manchete que o problema da dívida gaúcha estava resolvido. E o que aconteceu? A dívida aumentou e ficou impagável. Ou já foi paga várias vezes. E os piores: a dívida vai aumentar de novo, mesmo se vender o Banrisul.

A história se repete e de forma bizarra. “O governo Sartori desde que assumiu não fez nada para resolver o problema da crise financeira. Não investiu no Estado, não atraiu grandes empresa e não abriu a caixa preta dos incentivos fiscais. Também não combateu a sonegação. Passou o tempo todo correndo atrás de um jeito de vender oi patrimônio público. A gente sabe que a fórmula dele se repete. Vai vender o Banrisul e tudo que puder e aumentar a dívida do Estado. É um governo que está dando um abraço de afogado no Banrisul. É tão incompetente que chega ao último ano sem nada para mostrar”, denunciou o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

O Banrisul não. O Banrisul é lucrativo, fechou 2017 com lucro recorde de sua história (R$ 1,053 bilhão), apesar de todo o esforço contrário da sua diretoria. Porque já é voz corrente nos corredores do Banrisul que a atual direção só diz amém ao governo Sartori. “Essa diretoria é conivente com a destruição ideológica que o governo Sartori promove no Banrisul. Uns 40 superintendentes da DG receberam um semestralão de R$ 40 mil. E nós temos que dizer a verdade com todas as palavras.; Cada um recebeu milhares de reais em suas contas sem que houvesse nem a publicação de uma norma anunciando para ficarem quietos. Este banco que poderia tirar este Estado da crise está sendo entregue”, denunciou o diretor da Fetrafi-RS, Sergio Hoff.

O secretário-geral do SindBancários, Luciano Fetzner, diz que as entidades representantes dos bancários têm buscado diálogo com a diretoria do Banrisul e cobrado transparência nas ações. Inclusive, na semana passada, SindBancários e Fetrafi-RS ingressaram com um protesto judicial cobrando transparência na abertura do capital (IPO) da Banrisul Cartões. “O governo Sartori se elegeu sem programa. Alertamos que o programa era ideológico e que o objetivo era vender o Banrisul. Então, eles fazem semestralão com alguns superintendentes num canetaço. Quem acredita que R$ 500 milhões vai resolver alguma crise do Estado? Mal paga um terço de uma folha de pagamento dos servidores públicos do Estado”, disse Luciano, referindo-se à venda de ações do Banrisul na terça-feira, 10/4.

O secretário de comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, exaltou o ato dos Banrisulenses e destacou a importância de os trabalhadores resistirem e lutarem em defesa do patrimônio público. “O governo Sartori anuncia a venda de ações preferenciais de um dia para outro. Esse governo não tem palavra. Não tem moral. É entreguista por natureza. Essa venda de ações só favorece os acionistas que querem lucrar com o dinheiro dos gaúchos. Com a venda das ações, metade do lucro do banco passará para o setor privado. Não vai para os cofres públicos para investimento em saúde e educação”, detalhou Ademir.

Gestão temerária

Já dissemos que o modo como a venda de ações foi feito, sem avisar o mercado, sem um fato relevante é passível de ser questionado na Justiça (leia aqui). Também já descrevemos que Sartori, de novo, está no centro de um projeto de entrega do setor público (veja o caso da CRT em 1997). E que agora a história de vender patrimônio público para arrecadar uma grana que não dá nem para cobrir um terço de uma folha de pagamento, assim como o IPO da Banrisul Cartões são um péssimo negócio.

O diretor da Fetrafi-RS, da Cointraf-CUT e do SindBancários, Mauro Salles, vai além. Para ele, é possível questionar se o governo não está incorrendo em gestão temerária junto com a diretoria do Banrisul. “O governo está afogado na incompetência. E quando está se afogando se agarra no que está mais perto. O IPO da Banrisul foi feito para fortalecer o banco? Para capitalizar o banco? Claro que não. É mais uma manobra do Estado que está se afogando na própria incompetência”, afirmou Mauro.

O diretor da Fetrafi-RS e funcionário do Banrisul, Fábio Soares, questionou o valor de venda das ações. De um dia para o outro, desde o anúncio, até a queda no Ibovespa tiveram repercussão no mau negócio feito na terça-feira. “A venda do lote foi feita por um preço muito baixo. É uma vergonha. Na sexta disseram que não iam vender por fato relevante. E agora venderam sem fato relevante nenhum. Entregaram a nossa empresa a preço de banana. Não pode tratar assim a sociedade gaúcha. E quando entrega, entrega pelo preço mínimo”, detalhou Fábio. De fato. As ações chegaram a R$ 20 na segunda-feira e desabaram para R$ 18,65. Mais um péssimo negócio feito pelo conluio entre governo Sartori e diretoria do Banrisul. Os afogados devem estar se abraçando agora e comemorando a própria tragédia. A história não vai perdoar!

Fonte: Imprensa SindBancários

Escrito por Clóvis Victoria

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