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Ataques a agências bancárias cresceram 21,4% nos primeiros nove meses de 2018 no RS

Os bancários têm sentido em seus ambientes de trabalho um medo aumentado em 2018 por conta do recrudescimento da violência contra agências bancárias. Se pudéssemos medir o medo que os trabalhadores sentem ao irem aos seus locais de trabalho diariamente, poderíamos dizer que ele tem uma correlação muito próxima ao volume de assaltos e arrombamentos a que agências bancárias foram alvo nos primeiros nove meses de 2018. O número de ataques a agências bancárias cresceu 21,4% nos primeiros nove meses deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado em todo o Rio Grande do Sul. 

Quando comparamos os medos que clientes, vigilantes e bancários sentem ao trabalharem em uma agência bancária ou fazerem alguma operação entre os meses de setembro de 2017 e setembro de 2018, quer dizer, todos os 30 dias de um com todos os 30 dias do outro, levamos um grande susto. Isso porque o setembro de 2017 teve quatro ataques a bancos, enquanto o mesmo mês inteiro de 2018, teve 10. Ou seja, houve um aumento de 250% no volume de ataques a agências bancárias do setembro de 2017 para o deste ano.

Com os dois ataques da madrugada de 2 de outubro, chegamos a 110. Como em outubro do ano passado, os primeiros registos de ataques foram a partir do dia 10, o aumento real da violência bancária segundo os dados do SindBancários foi de 19,6% (leia aqui). 

Nota de redação: Após a publicação desta reportagem, chegaram notícias de mais mais três ataques a bancos: um caixa eletrônico do Banrisul em um supermercado de Xangri-lá foi explodido de madrugada. Em Mariana Pimentel, uma agência do Sicredi e outra do Banrisul foram alvo de uma quadrilha fortemente armada que realizou mais um cordão humano no RS. O volume de ataques a bancos até 4 de outubro, na comparação com o mesmo período do ano passado subiu. Foi para 113, o que perfaz aumento de 22,8% no volume de ataques a bancos em todo o Estado.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, alerta para outra questão que se coloca em termos de perspectiva de retrocesso na segurança pública. Isso porque, como mostra o levantamento que o SindBancários realiza desde 2006, mudanças bruscas na regularidade dos ataques, como essa dos dois últimos setembro, indicam uma tendência de que pode haver um recrudescimento para os meses do fim do ano.

O presidente avisa que não se trata de espalhar pânico, mas de a segurança pública ficar atenta para uma regularidade que se repete há muito tempo. “O ataque a banco seja ele o arrombamento, o cordão humano ou o assalto direto são realizados por quadrilhas especializadas. São quadrilhas que se formam rapidamente e, quando se formam, costumam fazer ataques coordenados com muito trabalho de busca de informação e muita gente envolvida. Esses crescimentos bruscos denunciam que a gestão pública no Estado não fez os investimentos que deveria fazer para conter as ações criminosas contra agências bancárias”, avalia Gimenis.

Uma história de cortes faz crescer a violência bancária

Há mesmo uma correlação entre os cortes de investimentos em segurança em razão da aplicação de uma política de austeridade aplicada nos gaúchos desde 2015. Estamos falando sim do Governo de José Ivo Sartori (veja gráfico abaixo). Em seus quatro anos de mandato, se formos comparar os primeiros nove meses do ano (2015-2018), houve 534 ataques a bancos. Nos quatro anos anteriores (2011-2014) o levantamento do SindBancários registrou 471 ataques a agências bancárias. Quer dizer, nos quatro últimos anos, houve 63 casos a mais do que nos quatro anos anteriores (2011-2014) ou um crescimento da violência bancária de 13,4%.

Basta olharmos os dois anos em que houve o maior número de casos na história do levantamento do SindBancários dos últimos oito anos. Em 2015, ocorreram 183 ataques a bancos, contra 151 dos primeiros nove meses do ano seguinte. Não foi por caso que 2015 foi o ano com maior volume de ataques a bancos, com o mês em que houve mais violência bancária (agosto, com 34 ataques) da história do levantamento do SindBancários (desde maio de 2016).

Lembrando que 2015 foi o ano de dois aquartelamentos da Brigada Militar e que o SindBancários conquistou duas liminares para que as agências ficassem fechadas por absoluta falta de segurança. Quem se lembra dos motivos dos aquartelamentos? Policiais militares insatisfeitos com os cortes de recursos que deixavam o patrulhamento vulnerável por conta da flata de munição e até de gasolina para viaturas. a paralisação também ocorreu por causa do parcelamento de salários dos brigadianos pelo governo do Estado.

Relação de ataques a bancos no Rio Grande do Sul

Outubro 2018

1 e 2. Dia 03: Banrisul (Miraguaí). Por volta das 2h45 da madrugada, cinco homens entraram e destruíram com explosivos caixas da agência bancária na cidade do Noroeste do estado. Fizeram reféns, depois soltos, e fugiram. Não se sabe se levaram dinheiro./ Banrisul (Ibarama). No mesmo horário, em Ibarama, na Serra, seis criminosos entraram na agência, explodiram o cofre e escaparam com o dinheiro. Largaram miguelitos na pistaarra dificultur a perseguição.

3. Dia 03: Banrisul (Xangri-lá): Criminosos usam explosivos para arrombar caixa eletrônico em supermercado de madrugada.

4, 5: Dia 03: Banrisul e Sicredi (Mariana Pimentel). Criminosos realizam cordão humano para atacar as duas agências em plena tarde.

Setembro 2018

1. Dia 03: Banrisul (S. Sebastião do Caí). Seis homens armados explodem caixa automático do banco em um posto de combustível na ERS 122, na madrugada.

2 e 3. Dia 06: Banrisul (Bento Gonçalves). Criminosos explodem caixa do Banri localizado dentro de empresa de pneus, na cidade da Serra. Fizeram buraco na loja ao lado e entraram de madrugada, acessando o caixa. / Banco do Brasil (PoA). Quadrilha atacou carro-forte que abastecia caixa do BB dentro do Hospital Conceição na madrugada.

4 e 5. Dia 12: Sicredi (Terra de Areia). Homem tentou quebrar caixa automático e danificou equipamento. Foi identificado e preso mais tarde na cidade do Litoral. – Banrisul (Três Forquilhas). Quatro criminosos atacaram agência no início da tarde, renderam funcionários e levaram dinheiro do cofre, também no Litoral Norte.

6. Dia 20: Banrisul (Nova Pádua). Dois criminosos entram na agência de madrugada e usam maçarico para abrir caixa automático. Fogem levando um malote com dinheiro.

7, 8. Dia 28: Banrisul, Sicredi (Paim Filho). Criminosos assaltam duas agências, fazem cordão humano e levam vigilante como refém.

9. Dia 29: Banrisul (Mato Castelhano). Dupla de criminosos atacam posto do Banrisul em Mato Castelhano, na manhã de sábado. Usaram explosivos em caixa automática e fugiram de motos.

10. Dia 30: Banco do Brasil (Cachoeirinha). Ladrões abrem buraco em parede vinha e entram em agência na madrugada. Alarme tocou e criminosos fugiram levando apenas armas e coletes dos vigias.

Veja abaixo o levantamento do SindBancários com os ataques a bancos desde 2006

Fonte: Imprensa SindBancários

Escrito por Clóvis Victoria

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