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Assembleia dos municipários decreta greve geral após violência policial e perda de direitos da categoria

Na manhã desta quinta-feira, 12/07, convocada pelo Sindicato dos Municipários de Porto Alegre, uma assembleia geral dos servidores municipais decretou por maioria uma greve geral da categoria. A repressão violenta e o espancamento desencadeados pela Guarda Municipal e Brigada Militar sobre os funcionários que protestavam em frente a Câmara Municipal, na quarta, dia 11, foi a gota d’água a determinar a paralisação. Os municipários protestavam contra os projetos enviadas pelo prefeito Nelson Marchezan Junior à Câmara Municipal, que retira direitos estabelecidos dos trabalhadores. Os ânimos ficaram mais exaltados com a inversão da ordem dos projetos do dia, na sessão de quarta-feira. Com a mudança, propostas que alteram as regras do funcionalismo foram colocadas na abertura da sessão.

Espancamento

As forças de segurança empregaram gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para conter os municipários, que pretendiam entrar no espaço da votação. A violência da BM e da guarda municipal terminou gerando a convocação de assembleia do Simpa. “A greve é porque não aguentamos o parcelamento do 13º, o parcelamento de salários, ameaças constantes, e agora esses projetos de leis que podem retirar até 50% dos nossos salários. É um ataque, é uma violência. A nossa greve também tem uma motivação pela democracia. Não é possível que, em 2018, as pessoas que estão garantidas pela Constituição para entrar e sair de prédios públicos sejam proibidas de acompanhar uma sessão pública. Ontem, o que vimos aqui foi uma tentativa de ilegalidade do presidente da Câmara, Valter Nagelstein, do MDB, que teve todo o apoio policial do secretário Cezar Schirmer, que também é do MDB. Então, o Estado empresta o poder de polícia para bater no trabalhador”, disse Jonas Tarcísio Reis, diretor do Sindicato.

O sindicalista informou que um dos motivos da mobilização dos municipários é pela contratação de novos funcionários. “No HPS, por exemplo, 200 servidores se aposentaram e o prefeito Nelson Marchezan Junior não preencheu nem 50 destas vagas”, explicou.

Rescaldo da repressão

A assembleia dos servidores municipais começou com uma concentração, a partir das 7h30, diante do portão de acesso na Câmara. Logo no início, eles receberam uma notícia, de que a Justiça havia determinado que a sessão desta quinta deveria ser realizada com acesso ao público, e não a portas fechadas como havia determinado ontem o presidente da Casa, Valter Nagelstein (MDB).

O clima, no entanto, era de tensão. O acesso à Câmara era barrado logo no portão de acesos, com a Guarda e a BM fazem o isolamento da área. Por determinação de Nagelstein após a liminar que o contrariou, apenas um número limitado de pessoas teria acesso à “Casa do Povo” — durante a assembleia, chegou a informação de que teriam acesso 115 pessoas a favor dos projetos do governo e 115 contrárias. Do lado de fora, os servidores cantavam palavras de ordem, como “Somos trabalhadores/ E os vereadores/ Vão ter que respeitar”.

Denúncia

No caminhão de som, Jonas denunciou que quatro pessoas ficaram feridas na ação policial de quarta. Antes da aprovação da greve, foi aprovada uma moção de apoio a uma servidora que foi detida por desacato. Também no caminhão de som do Simpa, outro diretor sindical, Alberto Terres, acusou Nagelstein e o prefeito Marchezan de serem os responsáveis pelas cenas de violência. Disse que os servidores teriam se manifestado pacificamente sem presença da polícia.

Técnica de Enfermagem no Centro de Saúde da Bom Jesus, a servidora Maria Arlete, 61 anos, reclamava que nunca viu um governo que ataca tanto os servidores como o atual. “Sem horas extras e com a mudança vai ficar inviável”, disse Maria, que se emocionou ao conversar com a reportagem.

“A liminar não especifica a quantidade de pessoas para entrar, então a gente quer que entre a lotação total da Câmara. Não vamos aceitar ela aberta para meia dúzia de pessoas. Nós queremos que liberem, queremos usar banheiro, que é público, queremos usar o comércio quem tá ali dentro. Se lguém passar mal por estar o dia inteiro de pé, queremos usar a enfermagem. Nós queremos usar o prédio público porque pagamos impostos também. Vamos permanecer o dia todo aqui”, diz Jonas, acrescentando ainda que o sindicato contesta a decisão do presidente Nagelstein de limitar o acesso, argumentando ainda que a Câmara comporta mais de 2 mil pessoas circulando em suas dependências.

Paralisação já deflagrada

Como centenas de municipários participaram da assembleia, na manhã desta quinta a Prefeitura já informava que os serviços públicos municipais estavam sendo afetados. A Secretaria Municipal de Saúde emitiu uma nota informando que haviam sido identificadas faltas e marcações de ponto irregulares em serviços de urgência e emergência. A Secretaria Municipal de Educação (Smed) também confirmava que as aulas em creches e escolas municipais estavam afetadas, mas não aprese ntou um balanço do número de serviços afetados.

Fonte: Imprensa SindBancários, com informações do site Sul 21 e Rádio Guaíba. Foto de Guilherme Santos (Sul21).

Escrito por José Antonio Silva

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