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Campanha Salarial 2018: Sábado e domingo são dias de bancários(as) se juntarem para decidir o caminho da nossa luta

A participação constrói a luta

Everton Gimenis

Os bancários e as bancárias de todo o país se acostumaram com uma jornada de conquistas de benefícios. Por mais de uma década, conquistamos direitos como os que quadruplicaram nosso piso salarial e melhoraram nossa qualidade de vida. Digo e tenho muitas provas de que os sucessivos aumentos reais não foram obra da bondade dos banqueiros, os nossos patrões. Mas sim das lutas e greves que travamos, da nossa unidade e da participação de todos.

Outra grande conquista num período histórico foi o nosso Acordo Coletivo nacional. Desde 1992, a cada fim de Campanha Salarial e greve, o que um bancário que trabalha em agência do Chuí ganha, é o mesmo que o bancário que trabalha em uma agência do Oiapoque ganha. Temos muito a comemorar com este ciclo virtuoso.

Como dirigente sindical, presidente de uma entidade com 85 anos de história de luta, não posso deixar de fazer um alerta e um apelo. O alerta é que estamos prestes a enfrentar uma das mais difíceis Campanhas Salariais de nossa história. Em parte, porque enfrentamos uma onda de retrocessos advindas do golpe de 2016.

A Reforma Trabalhista, aprovada pelo Congresso Nacional em julho do ano passado, e que passou a valer em novembro, virou uma chaga que ameaça o futuro dos bancários e de todos os trabalhadores. A primeira dessas chagas atende pelo nome de negociado sobre o legislado. A Lei 13.467 diz agora que aquilo que os patrões puderem negociar com os empregados individual ou coletivamente vai valer mais do que qualquer lei que garantia condições decentes de trabalho.

Os banqueiros que escreveram ou seguraram a mão de quem escreveu a Reforma Trabalhista, defendida como modernização das leis de trabalho no Brasil pelo golpista Michel Temer, vão poder chamar os trabalhadores e dizer que a partir daquela data, o bancário passará a trabalhar do dia 25 ao dia 10 do mês seguinte quando há mais movimento nas agências. E o salário será proporcional, reduzido por óbvio. Essa chaga se chama trabalho intermitente.

O que a mídia chama de fim do imposto sindical, assim, sem aprofundar o debate, é a distorção do que a Reforma Trabalhista fez com os Sindicatos. Há Sindicatos como o nosso que podem sobreviver ao fim da Contribuição Sindical e se manterem fortes, mas o pior legado é o que dificulta a relação entre trabalhador e Sindicatos.

Imagine, bancário, que você não receba mais horas extras tenha que pagar as passagens de ônibus e descontar o INSS porque foi terceirizado. E quando você for demitido por alguma razão espúria, o Sindicato não poderá conferir os valores de sua homologação. E mais: não poderá sequer procurar a Justiça do Trabalho, porque, se perder a ação, terá que pagar aos advogados dos banqueiros.

Por todos esses motivos, é preciso que os bancários estejam muito bem informados sobre as incertezas a respeito da nossa Campanha Salarial 2018. Nem todas as perguntas que fizemos na capa da edição deste jornal Nossa Voz podemos responder de forma satisfatória, pois, são tempos de incertezas.

O que sabemos é que os mais recentes anos de ouro de nossas conquistas podem estar perdidos. Isso porque, com o fim da ultratividade, o nosso acordo coletivo de dois anos conquistado com uma greve histórica de 31 dias em 2016, pode deixar de valer no dia 31 de agosto, um dia antes de nossa data-base.

Há uma grande certeza em nossa campanha: é aquela que usamos para pressionar as mesas de negociação. Neste ano, não sabemos mesmo se vai haver greve. Mas sabemos que vamos precisar da ajuda de todos. É tempo de lutarmos juntos, de nos unirmos e buscarmos respostas juntos. Vamos construir a nossa luta da forma que aprendermos: juntos, cada um ajudando todos! 

Everton Gimenis é Presidente do SindBancários

Encontro Estadual dos Banrisul, BB, Caixa e Privados | Sábado, 19/5 | 9h

Conferência Estadual dos Bancários | Domingo | 20/5 | 9h30

Sede da Fetarfi-RS (Rua General Câmara, 424, Centro Histórico, Porto Alegre)

 

 

 

 

 

Escrito por Clóvis Victoria

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